22/09/2026
Armando Soares Imaginário
23 de setembro de 1945 - 23 de Setembro de 2026 - 81 anos depois !
Há escritores cuja vida se mede pelos anos que viveram e há aqueles cuja verdadeira dimensão se mede pela obra que deixaram.
Armando Soares Imaginário pertence, inequivocamente, a esta segunda categoria.
Nasceu na Chamusca, a 3 de junho de 1928 e morreu a 23 de setembro de 1945.
É difícil escrever estas duas datas sem sentir o espanto que acompanha toda a leitura da sua obra. Porque entre uma e outra existe apenas uma adolescência, um intervalo quase suspenso no tempo. Contudo, esses escassos dezassete anos foram suficientes para deixar uma obra de dimensão e diversidade que dificilmente se poderiam imaginar numa vida tão breve.
É difícil explicar como Armando Soares Imaginário encontrou espaço na sua vida para escrever poesia, sonetos, quadras, canções, contos, lendas, textos de natureza filosófica, peças de teatro e traduções, experimentando diferentes formas literárias com uma naturalidade que constitui talvez uma das características mais impressionantes do seu legado.
Armando Soares Imaginário não foi apenas um poeta, foi um escritor, e esta distinção é fundamental.
Durante décadas, conheceu-se apenas uma pequena parte da sua
obra, a sua memória permaneceu ligada sobretudo à Chamusca, àqueles que o conheceram, aos familiares que conservaram o seu espólio e aos leitores que tiveram acesso aos poucos textos que chegaram a ser publicados ou divulgados. Apenas vinte dos seus sonetos ficaram conhecidos e a verdadeira dimensão da sua obra permaneceu incógnita.
Poucos dias antes da sua morte, Armando Soares Imaginário teve
ainda a felicidade de ver os seus versos publicados num livro cuja edição foi promovida pela Junta de Freguesia da Chamusca, então presidida por Benjamin Pereira do Amaral Neto. Esse gesto constituiu um raro e significativo reconhecimento em vida do talento invulgar daquele jovem poeta.
Meio século depois da sua morte, em novembro de 1995, uma edição fac-similada de mil exemplares editada pela Garrido Artes Gráficas voltou a colocar essa primeira publicação nas mãos dos leitores. A edição esgotou rapidamente.
Mas aquilo que então se conhecia era apenas uma parte mínima de
uma criação muito mais vasta.
Oitenta anos parece ser o tempo que a memória precisou para amadurecer a justiça. Esta edição vem romper o vazio e quebrar o tão longo silêncio, restituindo à literatura a presença que lhe foi sonegada. Pois a obra que agora se publica é outra coisa, é a revelação de uma obra que permaneceu inédita. E é essa circunstância que lhe confere uma importância que ultrapassa largamente o significado de uma homenagem. Estamos perante o reencontro de um escritor com os seus leitores.
Durante décadas, os manuscritos permaneceram preservados. A memória não se perdeu. A obra não desapareceu. Ficou à espera. À espera de ser reunida. À espera de ser estudada. À espera de ser publicada.
O papel de Carlos Petisca revelou-se aqui fundamental. Foi graças
à recolha, ordenação e estudo do espólio que aquilo que corria o risco de permanecer como mera recordação privada se ergueu, por fim, em obra pública. A preservação familiar, o rigoroso trabalho de arquivo e a presente edição integram uma mesma e contínua missão: impender sobre o tempo e impedir o silêncio em torno da voz de Armando Soares Imaginário.
As Edições Cosmos, assinalam assim, com a edição do seu livro " Obra Completa " os 81 anos da data do seu infausto falecimento.