17/07/2026
· «Cantar ou animar pessoas a cantar é sempre bom» (foto)
· Bispo pede mudança de «paradigmas», na ordenação de novos padres
· Papa apela à leitura da Bíblia e ao cultivo do silêncio no tempo de descanso
· Papa alerta para «ventos de guerra» que ameaçam a humanidade
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«CANTAR OU ANIMAR PESSOAS A CANTAR É SEMPRE BOM» (foto)
O padre João Caniço, de 83 anos, recorda o percurso ligado à música, que inclui a direção de coros que iniciou há 60 anos e que assume em Portugal e que exerceu também em Timor-Leste e Angola.
“Para mim, cantar ou animar pessoas a cantar é sempre bom. Felizmente, com a idade que tenho hoje, mantenho uma certa facilidade ainda e, por isso, vou fazendo o que posso”, afirmou o sacerdote jesuíta.
O caminho como maestro começa em 1965, quando em Braga dirige um coro de estudantes da Faculdade de Filosofia, seguindo-se o estágio de magistério em Timor-Leste, onde foi professor de música durante três anos.
“Além disso o seminário em Díli tinha também a missão de cobrir todas as solenidades da catedral, e portanto onde fosse o bispo, alguma solenidade, nós tínhamos de acorrer lá, portanto a atividade musical era bastante grande, bastante grande”, expressa.
Em Lisboa, o padre João Caniço estudou Filosofia e serviu a igreja dos Anjos, onde fundou um coro, tendo também colaborado na Basílica da Estrela, que criou também um grupo musical.
Ao fim destes anos todos, são 37 os discos gravados, com diferentes orquestras, organistas e coros: “Olhando para trás, nem quero acreditar”, assinalou o sacerdote.
O percurso do padre João Caniço passa também pela direção de coros da Rádio Renascença, com o primeiro deles a ser inicialmente formado por mais de 100 pessoas, fixando-se depois na casa dos 80, com atuações pelo país.
Passados dois ou três anos, o sacerdote conta que os elementos do coro manifestaram a intenção de ver os filhos a enveredar pela música.
“Fundou-se um coro infantil que teve duas partes”, explica o maestro, sendo que uma delas era constituída por crianças do 1º ao 4º ano e outra formada por menores do 4º ao 6º anos.
“Eram 40 crianças em cada um [dos coros], davam 80”, lembra.
O padre João Caniço dá conta que esteve a liderar o coro adulto durante 14 anos e o coro infantil durante 12, mas depois da sua ida para África como missionário deixaram de existir, uma vez que as pessoas que os ficaram a dirigir não conseguiram dar-lhes continuidade.
“Em Angola, constituí um coro na universidade, onde eu era assistente eclesiástico, era professor também de lá de uma cadeira”, relatou.
No regresso à capital portuguesa, a ligação à música não desapareceu, bem como a missão de maestro.
“Fundámos no Colégio S. João do Brito, com o apoio dos jesuítas e da direção do Colégio, este Coro de S. Inácio que ainda vive”, testemunhou.
Olhando para a música litúrgica e coral no tempo atual, o padre João Caniço fala num “tempo bom”, com menos pessoas a cultuá-la, mas de forma “mais profunda” e abrangente.
“A nível da Igreja, lamento que eu e os meus colegas não tenhamos podido aguentar o passo e, portanto, nos seminários, incrivelmente, decaiu. Era a grande escola de música que a Igreja tinha e os seminários abdicaram de uma maneira incrível”, destacou.
“O próprio Papa João Paulo II escreveu ainda um documento muito forte contra, mas a corrente ia noutro sentido e foi, de facto, este documento não foi ouvido”, recordou.
Ainda assim, o padre João Caniço valoriza o trabalho levado a cabo pelo Secretariado Nacional de Liturgia: “Merece todas as palmas”.
Sobre novas criações musicais que surgem iniciadas pelas novas gerações, como o LabOratório dos Jesuítas, o padre João Caniço reconhece o esforço.
“Não é a música, digamos, tradicionalíssima da Igreja, mas também não é a música que eu entendo que vai alimentar a liturgia. Estamos num tempo de uma procura muito grande e portanto todos os valores que vêm são valores que é necessário aproveitar e dar as mãos a todas elas”, sublinhou.
O padre João Caniço nasceu a 27 de outubro de 1942 e foi ordenado sacerdote a 19 de junho de 1973, aos 30 anos, comemorando em 2026 o 53º aniversário de ordenação presbiteral.
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BISPO PEDE MUDANÇA DE «PARADIGMAS», NA ORDENAÇÃO DE NOVOS PADRES
«A vossa tarefa não consiste em pôr ao ombro as varas do andor da Igreja para o ajudar a transportar, tal e qual ela vem do passado»
O bispo do Porto presidiu à ordenação de quatro novos sacerdotes, apelando à definição de “novos paradigmas” face às crises e ruturas do tempo presente.
“A vossa tarefa não consiste em pôr ao ombro as varas do andor da Igreja para o ajudar a transportar, tal e qual ela vem do passado”, advertiu D. Manuel Linda, na homilia da celebração, que decorreu na Catedral diocesana, com a ordenação sacerdotal dos diáconos José Máximo, Rui Soares, Isaías Higuera e João Silva.
A intervenção sublinhou a urgência de procurar que a Igreja “se insira num processo de mudança, hoje absolutamente acelerado em todos os domínios”.
“Não é que nós tenhamos de ser como os outros. Mas é precisamente porque, mais do que os outros, precisamos de novos paradigmas porque a grande tentação nos momentos de crise é a de remedar roupa velha com tecidos novos”, sustentou D. Manuel Linda.
O responsável católico evocou o Sínodo Diocesano em curso para elencar prioridades pastorais exigidas ao clero, destacando a escuta ativa como a primeira etapa.
“Nós não somos um grupo constituído para impormos as nossas ideias ou as da Instituição”, alertou o bispo diocesano.
O discernimento comunitário constitui o segundo eixo de ação apontado, com D. Manuel Linda a defender que a grande missão contemporânea do padre se resume à promoção da “integração”.
O grande serviço eclesial passa pela congregação dos fiéis à volta do seu Senhor, pelo empenho de todos os membros na causa comum, pela capacidade de guardar a unidade, sem excluir a diversidade de carismas e as diversas formas de colaboração.”
“Não acontecerá, em muitos casos, que Deus foi substituído pela tradição e pelas nossas práticas devocionais encantatórias?”, questionou.
D. Manuel Linda pediu aos novos padres que liderem uma transição histórica de coragem, abandonando o modelo de uma Igreja “autorreferencial” para a centralizar em Deus.
“Para Ele ser tudo, nós temos, porventura, de ser pouco”, concluiu o bispo do Porto, apelando a uma postura de serviço e colaboração.
Os quatro padres foram formados no Seminário Maior do Porto e do Seminário Redemptoris Mater: Isaías Higuera, de 31 anos, é natural da Califórnia (EUA); João Silva (27 anos) provém da ilha da Madeira; Rui Soares (27 anos) é natural de Ermesinde; e José Máximo (26 anos) nasceu em Abragão, no concelho de Penafiel.
(AE260712)
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PAPA APELA À LEITURA DA BÍBLIA E AO CULTIVO DO SILÊNCIO NO TEMPO DE DESCANSO
O Papa pediu que os tempos de descanso sirvam para um maior contacto com a Bíblia, permitindo um regresso à rotina com o corpo e o espírito renovados.
“Especialmente nestes dias de férias, empenhemo-nos em dedicar tempo à escuta, à leitura e à meditação da Palavra de Deus”, pediu Leão XIV aos peregrinos reunidos na Praça da Liberdade de Castel Gandolfo, localidade italiana onde se encontra a passar um período de férias.
O pontífice exortou todos a cultivar, “a par do descanso e da diversão saudável, momentos significativos de silêncio e oração”, neste período de verão.
A reflexão dominical centrou-se na parábola do semeador, proposta pelo Evangelho do dia, com o Papa a destacar a confiança com que Deus atua na vida humana.
“O próprio Jesus, o Verbo que se fez homem, que deu a sua vida pela nossa salvação, é a semente que o Pai continua a espalhar pelo mundo para que, ao morrer, dê muito fruto”, explicou.
Leão XIV alertou para as resistências interiores de cada pessoa, reconhecendo que a mensagem divina encontra frequentemente “um terreno duro e insensível”, ou “distraído, semelhante ao solo batido dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos arbustos espinhosos”.
Apesar das fragilidades humanas, frisou, “o Pai não desiste de semear, porque sabe que o poder do seu amor é mais forte “.
Há momentos em que encontra uma terra recetiva e fértil, e então desencadeiam-se milagres de amor capazes de mudar tudo, como certamente também nós já experimentámos na nossa vida.”
No final da oração, o Papa saudou os peregrinos presentes, antes de ir cumprimentar a multidão, primeiro a pé e depois num pequeno veículo, ao longo de vários minutos.
(AE260712)
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PAPA ALERTA PARA «VENTOS DE GUERRA» QUE AMEAÇAM A HUMANIDADE
O Papa alertou para os “ventos de guerra” que se estão a intensificar em várias regiões, pedindo o regresso ao diálogo no Médio Oriente e na Ucrânia.
“Voltam, infelizmente, a soprar os ventos da guerra no Médio Oriente, na Ucrânia e em muitas outras partes do mundo, semeando violência, terror e morte, e atingindo mais uma vez tantos inocentes”, alertou Leão XIV, após a recitação do ângelus em Castel Gandolfo, onde se encontra a passar um período de férias.
“Não deixemos que estes ventos apaguem a frágil chama da esperança e da paz, mesmo quando ela parece fraca e vacilante”, acrescentou, perante centenas de pessoas reunidas na localidade italiana, o pontífice.
A intervenção defendeu a importância de regressar ao “caminho do diálogo, do encontro e da diplomacia”.
“É o único caminho capaz de conduzir a uma paz justa e duradoura, na qual os povos possam viver reconciliados, em segurança mútua e no respeito pela dignidade de cada pessoa”, declarou o Papa.
Leão XIV evocou ainda a celebração anual do Domingo do Mar, dirigindo-se aos que são afetados pelo “medo dos conflitos que atravessam as rotas marítimas”.
A mensagem agradeceu a todos os marítimos, pescadores e trabalhadores portuários do mundo que, longe dos seus entes queridos, “sustentam com um trabalho paciente e silencioso o comércio e a vida de muitos povos”.
(AE260712)
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Segundo as Escrituras…
SEGUNDA 20
“Mestre, queremos ver um sinal da Tua parte.”
Mateus 12, 38
Só o justo verá a salvação do seu Deus.
Salmo 49, 23
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TERÇA 21
“Todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe.”
Mateus 12, 50
Restaurai-nos, ó Deus, nosso Salvador.
Salmo 84, 5
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QUARTA 22
Maria de Magdala foi anunciar aos discípulos: “Vi o Senhor.”
João 20, 18
Unido a Vós, estou, Senhor.
Salmo 62, 9
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QUINTA 23
“Aquele que estiver unido a Mim dá muito fruto”
João 15, 5
O Senhor é a minha glória.
Salmo 33, 3
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SEXTA 24
“Quando um homem qualquer ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que lhe estava semeado no coração.”
Mateus 13, 19
Nações, escutai a palavra do Senhor.
Jeremias 31, 10
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SÁBADO 25
“O Filho do Homem que não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida como resgate pela multidão”.
Mateus 20, 28
Grandes coisas fez por nós o Senhor.
Salmo 125, 3
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… e agora
TEMPO COMUM - Domingo XVI – Ciclo A / 19 Julho 2026
Sobre Sabedoria. 12, 13.16-19
,
Qual a nossa atitude para com aqueles que nos fizeram mal,
ou cujos comportamentos nos desafiam e incomodam?
À luz do amor de Deus
faz sentido catalogar os homens em bons e maus
e defendermos uma justiça implacável
para com aqueles que praticam acções erradas?
Sobre Romanos 8, 26-27
Esforço-me por encontrar espaço para o diálogo com Deus
e para fortalecer a minha intimidade com Ele?
Sobre Mateus 13, 24-43
Apesar das aparências,
acredito que o dinamismo do “Reino” está presente,
minando positivamente a história e a vida dos homens?
(base DEHON)
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Saber +
TEMPO COMUM - Domingo XVII – Ciclo A / 26 Julho 2026
1ª Leitura – I Reis 3, 5.7-12
Os teólogos de Israel esforçam-se por sacralizar o poder de Salomão e demonstrar que, se Salomão chegou a governar o Povo de Deus, não foi apenas por um direito hereditário (sempre contestável),mas pela vontade de Deus.
Este trecho do I Livro dos Reis supõe todo este enquadramento. O chamado “sonho de Gabaon” (cf. 1 Re 3,5) é uma ficção literária montada pelos teólogos deuteronomistas (esse grupo que reflecte a vida e a história na linha das grandes ideias teológicas apresentadas no Livro do Deuteronómio) com uma dupla finalidade: apresentar Salomão como o escolhido de Jahwéh e justificar a sua proverbial “sabedoria”.
2ª Leitura – Romanos 8, 28-30
Depois de assegurar aos cristãos de Roa (e, através deles, aos cristãos de todas as épocas e lugares) que o Espírito “vem em auxílio da nossa fraqueza” e “intercede por nós” (cf. Rom 8,26-27), Paulo relembra neste texto que Deus tem um projecto de amor que se traduz no oferecimento da salvação ao homem.
Evangelho – Mateus 13, 44-52
No contexto, passaram-se mais de trinta anos após a morte de Jesus. O entusiasmo inicial deu lugar à monotonia, à falta de empenho, a uma vivência “morna”, pouco exigente e pouco comprometida.
No horizonte próximo das comunidades cristãs perfilam-se tempos difíceis de perseguição e de hostilidade e os cristãos parecem pouco preparados para enfrentar as dificuldades. Mateus sente que é preciso renovar o compromisso cristão e chamar a atenção dos crentes para o Reino, para as suas exigências e para os seus valores. As parábolas do Reino aqui propostas devem ser lidas neste contexto.
(base