24/09/2026
Texto lido ontem no final da Eucaristia de Ação de Graças pelos 25 Anos de Paroquialidade do Sr. Padre Araújo nas Paróquias de Codal e Vila Chã.
Querido Padre Araújo,
Hoje, as paróquias de Codal e de Vila Chã unem-se numa só voz para Lhe dizer uma palavra simples, mas cheia de signif**ado: Obrigado.
Vinte e cinco anos não são vinte e cinco dias. São duas décadas e meia de vida partilhada, de caminhada conjunta, de alegrias celebradas e de momentos em que a sua presença e a sua oração foram o nosso porto seguro.
Lembramo-nos bem do dia em que chegou às nossas paróquias: de sorriso difícil, óculos grandes e de poucas palavras! Trazia consigo a motivação, o entusiasmo de recomeçar, sonhos e muito trabalho. Coisas novas iriam surgir... e surgiram!
Conhecemo-lo bem. Sabemos que não é de grandes discursos — é certo que tem a sua faceta mais calma, calada e compenetrada. Nós, os que trabalhamos mais de perto consigo, bem sabemos como sabe exigir rigor e dedicação! Mas também sabemos que, por trás dessa postura por vezes mais reservada, está um homem genuinamente bem-disposto, acolhedor e com o coração no sítio certo. Um homem que dá tudo o que tem, um amigo sempre pronto a emprestar o ouvido, um pároco disponível e um pastor com cheiro a ovelha.
Com o passar dos anos e o peso do tempo, sabemos que nem sempre é fácil. Percebemos que por vezes se resguarda mais no seu silêncio, que o entusiasmo de outros tempos nem sempre é o mesmo e que até possam existir receios ou incertezas perante os desafios do dia a dia. Mas queremos que saiba que as comunidades também vêem e acolhem essa sua humanidade.
A sua saúde também nos pregou alguns sustos ao longo deste caminho. Lembramo-nos bem dos momentos em que o seu coração nos pregou um susto e de quando teve de enfrentar as cirurgias à anca. Foram tempos de grande apreensão, mas também de enorme união: as nossas comunidades desdobraram-se em constantes orações, cuidados, visitas e muito mimo, porque a sua recuperação era a preocupação de todos nós. Saber que superou essas etapas dá-nos ainda mais razões para dar graças a Deus hoje.
As suas homilias continuam a levar-nos à reflexão profunda… e, bom, sejamos honestos, de vez em quando também nos exigem um bocadinho extra de paciência e foco! Mas ensina-nos, desafia-nos e faz-nos pensar.
A sua dedicação deixa marcas profundas na nossa fé e no nosso património. O seu empenho e zelo estão bem à vista de todos: nas intervenções na Igreja Matriz de Vila Chã, no restauro dos altares da Igreja de Codal e na requalif**ação do adro, assim como nas obras na Capela da Senhora da Graça e na Capela de Santo António.
Para além das pedras e das obras, acompanha-nos na vida diária, onde sentimos a sua verdadeira entrega — em especial no carinho e na atenção aos nossos doentes e idosos, a quem visita regularmente levando conforto e aconchego espiritual, na proximidade e no olhar atento com que acolhe as nossas crianças e adolescentes na catequese e na vida da paróquia, no acompanhamento e apoio aos vários grupos paroquiais e nas imensas viagens paroquiais que organizou e partilhou connosco. Lembramo-nos com carinho das viagens a Roma com os nossos acólitos e da forma como acompanhou os nossos jovens no caminho marcante da Pré-Jornada e da Jornada Mundial da Juventude de 2023. Sabemos que o seu gosto pela música, pelo bom cinema e — claro, não podíamos deixar de referir! — a sua costela “Azul e Branca” nos mostram o homem próximo e humano que está por trás do sacerdote.
Neste dia de festa, queremos também guardar um agradecimento muito especial à sua família. Sabemos que a vocação se alimenta no berço e no aconchego do lar. Obrigado pelo amor, pelas orações, pelo apoio incondicional e por partilharem o Padre Araújo connosco ao longo de todos estes anos. Guardamos também no coração, com profunda saudade e em oração, a memória do seu pai José e do seu irmão Carlos que já partiram, sabendo que hoje celebram connosco a partir do Céu. Este dia também é de toda a sua família.
Querido Padre Araújo, em nome das comunidades de Codal e de Vila Chã, damos graças a Deus por estes 25 anos em que escolheu caminhar connosco. Que Deus Lhe conceda saúde, força, renovada alegria e a certeza de que nunca estará só nesta missão entre nós. Continue a ser este pastor com cheiro a ovelha, de mãos dadas com o seu povo, continuando a dizer todos os dias: «Então clamei: “Aqui estou!” de mim está escrito no Livro da Lei, que faça a vossa vontade. Assim o quero, ó meu Deus, a vossa lei está no meu coração.» (Sal. 39,8-9)
Muito obrigado por tudo.
As nossas paróquias são e serão sempre a sua casa.
Paula Pinto, 23 de Setembro de 2026