06/08/2026
“UM FILHO NOS FOI DADO”
Isaías 9.6
O milagre é legítimo, mesmo quando a ciência ajuda!…
Faz hoje dois meses da celebração de dois batismos na igreja do Espírito Santo em Évora, o pai e o filho, quase os dois num só, com a mirada feliz e profundamente crente da mãe do Tomás, e esposa do Paulo, ele médico de profissão. Nesse mesmo dia celebravam os cinco anos de casamento, que tinha acontecido com “disparidade de culto”: que ocorre entre um católico e uma pessoa não batizada, o caso do Paulo, que então se dizia agnóstico.
Como escreveu a Cristiana um dia: “disparidade no culto, paridade no amor”. Sim, iguais no Amor e na luta de muitos casais, querer engravidar e rogar aos céus esperando um milagre… Não faltaram sinais, como avanços e desânimo num processo difícil.
Ser vulnerável não significa ser derrotado, mas ter a ousadia de se expor e acreditar, sempre!
Fui de propósito a Reguengos de Monsaraz, com a ambição de lhes dar conforto e esperança. Pela calada da noite, fomos ver as estrelas do Alentejo e, enquanto eles olhavam as constelações, vi do nada uma chucha de bebé e entreguei; ela apertou-a na mão e levou-a ao coração. Recordei na hora a passagem do livro do Génesis 15:5 e que, não por coincidência, foi a leitura do dia do batismo, do pai e do filho…
“Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: ‘Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar’. E acrescentou: ‘Assim será a tua descendência’.”
Como não acreditar no Deus dos nossos Pais, o Deus da Promessa, o Deus fiel e amigo dos Homens?!
Fui um padre muito feliz nesse dia, não por mais dois na lista da igreja, mas por me regozijar com aquilo que descaradamente era permitido ao Paulo vivenciar: ser testemunha real do Amor de Deus. Sim, não esquecerei o rosto de quem finalmente se sentiu digno e amado por Deus.
PV
5 de agosto de 2026