15/09/2026
Meus estimados irmãos,
Saudações em Cristo Jesus!
Desejo que todos estejam bem e a desfrutar das abundantes bênçãos do Senhor nosso Deus.
Amados irmãos, olhando para a igreja através de um prisma pastoral, tenho percebido uma grande carência espiritual no meio do povo. Vejo desânimos, tristezas e dificuldades em lidar com problemas espirituais, familiares, psicológicos e emocionais. Percebo também que existe um certo medo a cercar alguns irmãos, trazendo inquietação, insegurança e preocupação quanto ao presente e ao futuro.
E quando falo da igreja e daqueles que estão sob os nossos cuidados, não me refiro apenas aos irmãos que congregam fisicamente connosco no Montijo. Esta palavra estende-se igualmente a todos os queridos irmãos e famílias que se encontram em diferentes cidades, regiões e países, mas que permanecem ligados ao nosso ministério, acompanham as nossas pregações, recebem a nossa orientação pastoral, oram connosco e consideram-se parte desta comunhão.
A distância geográfica não diminui o nosso amor, a nossa consideração nem a nossa responsabilidade espiritual uns pelos outros. Alguns estão perto e podemos vê-los frequentemente; outros estão a centenas ou milhares de quilómetros. Contudo, estão presentes nas nossas orações e no nosso coração.
Como pastor, não posso simplesmente observar estas coisas e permanecer indiferente. O pastor não está apenas no púlpito para pregar uma mensagem. Ele também precisa estar atento ao estado das ovelhas que Deus colocou sob os seus cuidados.
A Bíblia diz:
“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus.”
Actos 20:28
Tenho compreendido que precisamos de nos aproximar mais uns dos outros. Precisamos de conversar, ouvir, aconselhar, orar juntos e, sobretudo, fortalecer aqueles que estão a atravessar momentos difíceis. E isto inclui também os irmãos que estão distantes. Hoje, apesar dos quilómetros que nos separam, temos meios para conversar, aconselhar, orar e manter viva a nossa comunhão.
Há batalhas que são travadas em silêncio. Nem sempre aquele que sorri está bem. Nem sempre aquele que vem ao culto, ou que acompanha uma transmissão à distância, está em paz. Há pessoas que carregam preocupações que ninguém conhece. Há famílias enfrentando lutas dentro de casa, jovens procurando respostas, casais atravessando dificuldades, irmãos preocupados com o futuro, pessoas lutando emocionalmente e outras enfrentando períodos de profunda solidão.
Por isso, quero dizer-vos algo com muito carinho: não carreguem tudo sozinhos.
E aos meus queridos irmãos que estão noutras cidades e países, quero dizer particularmente: não pensem que, por estarem longe, foram esquecidos. Se estão ligados a este ministério e caminham connosco, sintam-se à vontade para procurar-nos quando necessitarem de oração, de uma palavra, de orientação ou simplesmente de alguém que vos escute.
A igreja deve ser mais do que um lugar onde nos reunimos algumas vezes por semana. A Igreja é um Corpo. E um Corpo não deixa de estar unido simplesmente porque os seus membros estão separados por fronteiras ou distâncias.
A Palavra diz:
“Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.”
Gálatas 6:2
Meus irmãos, uma carga partilhada torna-se mais leve, mas uma carga escondida pode tornar-se cada vez mais pesada.
Desejo ver uma igreja espiritualmente forte, mas também emocionalmente saudável; uma igreja onde os irmãos não tenham medo de dizer: “Pastor, preciso conversar”; “Irmão, ore por mim”; “Estou a atravessar uma dificuldade”; “A minha família precisa de ajuda.”
Não quero que ninguém se sinta sozinho, nem aqueles que estão perto, nem aqueles que estão longe.
Também quero encorajar-vos a não permitirem que o medo governe os vossos pensamentos. Estamos a viver tempos difíceis e existem muitas razões humanas para nos preocuparmos. Contudo, continuamos a servir ao mesmo Deus.
“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”
Isaías 41:10
Não estou a dizer que não teremos problemas. Teremos. Não estou a dizer que não haverá momentos de tristeza. Haverá. Também não estou a dizer que a fé elimina automaticamente todas as nossas lutas emocionais, familiares ou psicológicas. Mas existe uma grande diferença entre atravessar uma tempestade sozinho e atravessá-la sabendo que Deus está connosco e que temos irmãos ao nosso lado.
Por essa razão, quero aproximar-me ainda mais de cada família e de cada irmão, tanto daqueles que estão perto como daqueles que estão longe. Quero ouvir-vos. Quero conhecer melhor as vossas lutas, preocupações e necessidades. Aquilo que puder ser tratado através de orientação pastoral, procuraremos orientar. Aquilo que necessitar de oração, levaremos diante de Deus. E quando uma situação exigir acompanhamento profissional ou especializado, devemos ter humildade e sabedoria para procurar a ajuda adequada.
Não precisamos fingir que somos fortes o tempo todo.
Somos um Corpo. Quando um membro sofre, todo o Corpo deve importar-se. Quando alguém cai, devemos ajudá-lo a levantar-se. Quando alguém enfraquece, os mais fortes devem sustentá-lo. E quando alguém já não consegue encontrar palavras para orar, haverá outros que poderão colocar-se ao seu lado e orar com ele.
Creio que Deus deseja conduzir-nos a uma comunhão mais profunda, onde não sejamos apenas pessoas que assistem às mesmas pregações ou acompanham as mesmas transmissões, mas verdadeiramente irmãos que cuidam uns dos outros.
Talvez não saibamos como serão os próximos meses, mas sabemos Quem estará connosco nos próximos meses.
E isso é suficiente para continuarmos.
Como vosso pastor, quero caminhar convosco, orar convosco e, dentro das minhas possibilidades, estar presente quando precisarem. Aos que estão no Montijo, aos que estão noutras partes de Portugal e aos que estão espalhados por diferentes países: continuamos unidos em Cristo.
A distância pode impedir-nos de apertar as mãos, mas não pode impedir-nos de dobrar os joelhos uns pelos outros.
Continuemos unidos. Cuidemos uns dos outros. Oremos uns pelos outros. E, acima de tudo, mantenhamos os nossos olhos em Jesus Cristo.
Não enfrentaremos as nossas batalhas como pessoas isoladas. Somos uma igreja, somos uma família espiritual e pertencemos ao Senhor.
Deus vos abençoe grandemente, fortaleça cada família, console os corações aflitos, renove as forças daqueles que estão cansados e faça sentir a cada irmão, perto ou longe, que não está sozinho nesta caminhada.
Com amor, consideração e cuidado pastoral,
Pr. Márcio Gama