10/09/2026
𝐂𝐨𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐚 𝐒𝐞́ 𝐕𝐞𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐂𝐨𝐢𝐦𝐛𝐫𝐚
Na sequência de uma publicação do Notícias de Coimbra dando conta da alegada queda de pedras da fachada lateral norte da Sé Velha de Coimbra, concretamente na zona da Porta Especiosa, cerca das 22h00, a Sé Velha contactou de imediato a Câmara Municipal de Coimbra e deu conhecimento da situação à Proteção Civil de Coimbra, por forma a acautelar qualquer eventual risco para a segurança das pessoas.
A Proteção Civil deslocou-se prontamente ao local e procedeu à inspeção do espaço. Também este presente uma técnica do Património Cultural. De acordo com as informações posteriormente transmitidas, e com base em relatos recolhidos no local, as pedras (efetivamente bocados de cimento) em causa não caíram da fachada da Sé Velha, mas foram sim transportadas, por brincadeira, de uma obra que decorria nas imediações, na Rua do Cabido.
Assim, segundo a informação prestada pela Proteção Civil e pela técnica do Património Cultual, não existe, neste momento, qualquer situação de perigo para a integridade física das pessoas decorrente deste episódio, nem foram identificados indícios de que o monumento corra qualquer risco.
Este incidente, porém, não pode deixar de servir de alerta para uma preocupação que a Paróquia da Sé Velha tem vindo a sentir e que tem já por várias vezes manifestado relativamente à preservação e ao respeito que um edifício desta importância histórica, patrimonial e cultural deve merecer.
A Porta Especiosa, uma das obras-primas do Renascimento em Portugal, é regularmente utilizada como local de festas e convívios, alguns dos quais associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Garrafas, por vezes partidas, copos de plástico e pontas de cigarro são frequentemente deixados no local, incluindo junto das estruturas de pedra do século XVI. Também não é raro encontrarem-se vestígios de sangria, cerveja e outras bebidas derramadas sobre a pedra do monumento, deixando o espaço sujo e expondo elementos patrimoniais com centenas de anos a comportamentos que podem contribuir para a sua degradação.
Há alguns meses, um jovem chegou a filmar-se para as redes sociais empoleirado num dos capitéis da Porta Axial da Sé Velha. Para além do evidente risco para a sua própria segurança, este comportamento colocou igualmente em causa a integridade de elementos pétreos de um monumento cuja história remonta ao século XII.
Não pretendemos com este alerta apontar o dedo a uma geração, a um grupo ou a uma comunidade. Pretendemos, isso sim, chamar a atenção para um problema que exige uma resposta coletiva.
A Sé Velha não pertence apenas à Paróquia, à Igreja ou à cidade de Coimbra. É um património de todos e constitui uma parte insubstituível da história e da memória coletiva do país. Aquilo que for irremediavelmente danificado ou destruído não poderá ser recuperado na sua autenticidade.
Sentimos, por isso, que não podemos permanecer indiferentes, à espera do dia em que tenhamos de lamentar a perda definitiva de um elemento patrimonial que atravessou séculos de história e que tantas gerações aprenderam a admirar.
Importa igualmente refletir sobre quem pode e deve intervir na proteção destes espaços, de que forma pode ser regulada a sua utilização e que medidas podem ser adotadas para compatibilizar a vivência da cidade com a necessária salvaguarda do património histórico.
Fazemos, por isso, um apelo à Câmara Municipal de Coimbra, às entidades responsáveis pela proteção do património, à comunidade académica, aos jovens, aos estudantes, aos turistas e a todos os conimbricenses: ajudem-nos a cuidar e a proteger a Sé Velha de Coimbra.
Preservar este monumento não significa afastá-lo da vida da cidade. Significa garantir que pode continuar a fazer parte dela.
Que a Sé Velha continue, por muitos séculos, a ser uma presença viva e identitária de Coimbra e um testemunho da nossa memória coletiva.
O Conselho Económico da Paróquia