22/01/2026
MANIFESTO DA FRENTE INTER-RELIGIOSA POR JUSTIÇA E PAZ DOM PAULO EVARISTO ARNS EM 21 DE JANEIRO DE 2026 – DIA NACIONAL DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Pelo fim da intolerância religiosa | Pela liberdade de crença | Pela paz com justiça I
Nós, de diferentes tradições religiosas e espirituais — e também cidadãs e cidadãos de consciência ética e humanista —, tornamos pública esta afirmação: intolerância religiosa é violência, não é “opinião”! É agressão contra a dignidade humana, contra a liberdade e contra a convivência democrática.
O Brasil é plural. Nossa pluralidade é um patrimônio que precisa ser protegido. A diversidade religiosa é um tesouro, e jamais uma ameaça à sociedade. Toda fé tem direito a segurança, ao respeito e à livre expressão. Ninguém deve ser humilhado, ridicularizado, perseguido, ameaçado, agredido ou silenciado por causa de sua crença, de símbolos religiosos, de práticas rituais.
Reconheçamos, com clareza, que a intolerância religiosa no Brasil tem alvo recorrente e consequências reais. Atinge comunidades e territórios, templos e até mesmo vidas, especialmente as religiões de matriz africana e povos tradicionais, além de outras expressões que sofrem extremada segregação e violência. Quando um espaço sagrado é atacado, quando símbolos religiosos são profanados, quando comunidades são impedidas de celebrar, quando crianças são constrangidas por sua fé, toda a sociedade é ferida. A violência contra um grupo abre caminho para a violência contra muitos.
Por isso, declaramos compromissos públicos:
1. Em favor da vida e da dignidade humana: nenhuma crença pode ser usada como licença para desumanizar.
2. Em defesa da liberdade religiosa e da laicidade do Estado: um Estado laico garante direitos iguais e protege a pluralidade, sem se submeter à visão de um único grupo.
3. Por respeito ativo: respeitar não é apenas “tolerar”; é não atacar, não ridicularizar, não incitar violência — e também defender quem é ferido, aquele que é discriminado.
4. Por justiça e responsabilização: ataques não podem terminar em silêncio e impunidade; intolerância religiosa é crime inafiançável e imprescritível e também falha ética que fere a consciência coletiva