08/07/2025
2 Samuel 1.20
notícia chegou e Davi parou.
Não havia dança.
Não havia alívio.
Não havia vingança no coração.
Apenas dor.
Saul estava morto.
Jônatas também.
Israel fora envergonhado.
E Davi rasgou as vestes, chorou e jejuou.
Ele tinha motivos para se alegrar.
Mas não se alegrou.
Tinha razões para comemorar.
Mas escolheu lamentar.
Saul havia tentado matá-lo.
Fez dele um fugitivo.
Transformou seu chamado em exílio.
Mesmo assim, Davi chorou.
Porque quem teme a Deus,
não encontra prazer na queda dos ungidos.
Quem honra a unção,
não faz espetáculo com a vergonha do altar.
Davi então escreveu.
Transformou sua dor em lamento.
Fez da memória um hino triste.
E deixou registrado:
“Não o noticieis em Gate.
Não o publiqueis em Asquelom.”
Gate era capital dos filisteus.
Asquelom, centro da idolatria pagã.
Era como dizer:
“Não espalhem no arraial inimigo o que nos envergonha.”
“Não levem a dor da Casa para o palco do inferno.”
“Não façam da tragédia um conteúdo público.”
Davi não temia só a exposição.
Ele temia a zombaria.
Temia ver as filhas dos filisteus dançando sobre o sangue do rei.
Temia que o riso dos ímpios ecoasse sobre a queda de um ungido.
Hoje, o que Davi temia se tornou padrão.
Escândalos são compartilhados.
Vergonhas viram manchetes.
E a dor virou um novo nicho de entretenimento gospel.
Mas ainda existe um povo que teme.
Gente que chora no secreto.
Que lamenta em silêncio.
Que não publica em Gate.
Que não entrega munição aos incircuncisos.
Que não transforma o erro em número.
Nem toda verdade precisa virar post.
Nem toda dor precisa ser narrada.
Nem toda queda precisa ser comentada.
O Reino ainda precisa de intercessores.
Não de repórteres espirituais.
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