05/31/2026
Minha querida família paroquial,
Quando eu era bem mais jovem, costumava passar minhas férias na minha aldeia, com minha avó. Ela tinha um cachorro chamado Chiko que, em anos caninos, era muito mais velho do que eu. Aqueles eram dias belos. Os sons mais altos eram o zumbido dos mamangavas e o chilrear dos pardais. O tempo parecia fluir pacificamente enquanto eu me sentava sob nossa goiabeira, com Chiko deitado ao meu lado. Olhando para trás, percebo que eu invejava aquele cachorro.
Chiko vivia verdadeiramente o momento presente. Quando tinha fome, comia; quando tinha sede, bebia. E, quando estava cansado, dormia profundamente. Ele não tinha noção de horários ou da passagem do tempo. Eu podia me ausentar brevemente e, ao retornar, ele me recebia como se eu tivesse ficado fora por dias. Cada momento, para ele, era novo e repleto de alegria.
Aqueles de nós que já tiveram animais de estimação sabem que eles parecem alheios à pressão do tempo. Eles não se preocupam, não fazem planos antecipados nem correm apressadamente de uma tarefa para outra. Às vezes, ainda invejo essa liberdade. Nós, seres humanos, no entanto, estamos constantemente conscientes da passagem do tempo. Vivemos regidos por relógios, calendários, prazos e agendas.
Os antigos gregos tinham duas palavras para o tempo: *Chronos* e *Kairos*. *Chronos* refere-se ao tempo comum, mensurável — aquele marcado por relógios e calendários. É de onde deriva a palavra "cronológico". *Kairos*, contudo, refere-se ao tempo de Deus — atemporal, sagrado e eterno. É o espaço onde Deus habita.
De muitas maneiras, a oração nos convida a entrar no *Kairos*. O calendário litúrgico da Igreja também nos ajuda a adentrar a atemporalidade de Deus, à medida que celebramos continuamente o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
Mas como podemos entrar no tempo de Deus enquanto vivemos em meio à agitação da vida cotidiana? A adoração é uma maneira importante, especialmente quando nos permitimos deixar de lado as distrações e simplesmente estar presentes com Deus. A oração pessoal e a meditação silenciosa são também belas formas de vivenciar o *Kairos* em nosso dia a dia.
À medida que Junho chega e muitos de nós começamos a desacelerar para o verão, o *Chronos* prossegue sua marcha constante. Contudo, a cada dia, Deus nos convida ao *Kairos* — a dedicar tempo à oração, mesmo quando o mundo possa ver isso como algo improdutivo. O tempo passado com Deus nunca é desperdiçado. Ele renova nossos corações e nos recorda de nossa identidade como Seus filhos amados.
O verão pode ser uma estação maravilhosa para redescobrir esse ritmo sagrado e valorizar o dom da presença de Deus. Que bênção lembrar que cada momento é um momento de Deus — um dom de graça imerecido e gratuito.
Aproveite o dom de Deus que é o verão.
Que Deus vos abençoe.
Em Maria Auxiliadora,
Pe. Franco