09/06/2026
Minha querida família paroquial,
De tempos em tempos, alguém faz uma pergunta sobre a qual muitas pessoas se questionam silenciosamente: "Ser uma boa pessoa não é suficiente para entrar no céu?"
Não faz muito tempo, alguém me disse: "Sou uma boa pessoa. Se Deus não me deixar entrar no céu porque não acredito em tudo o que a Igreja ensina, então Deus está sendo injusto." Em vez de debater, apresentei uma analogia. Eu disse: "Suponha que você encontrou a casa mais linda que já viu. Você bate à porta e, quando o proprietário atende, diz: 'Gostaria de me mudar para cá porque sou uma boa pessoa'."
A maioria de nós sabe como essa conversa terminaria. O proprietário diria, gentil mas firmemente: "Não". Por quê? Porque ser uma boa pessoa não nos dá automaticamente o direito de morar na casa de outra pessoa. Um lar é construído com base no relacionamento, no convite e no sentimento de pertença. O mesmo vale para o céu. O céu não é simplesmente uma recompensa para pessoas que fizeram mais o bem do que o mal. O céu é o nosso lar eterno, onde viveremos para sempre em perfeita comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É a plenitude de um relacionamento que começa aqui e agora.
Deus ama cada pessoa que criou. Ele deseja que todos sejam salvos (1 Timóteo 2,4). Jesus não nos ensinou apenas a ser bons; Ele tornou possível que participássemos da própria vida divina de Deus. Essa vida divina nos é dada pela graça, especialmente nos sacramentos.
No Batismo, tornamo-nos filhos e filhas amados de Deus e membros de Sua Igreja. Na Sagrada Eucaristia, recebemos o próprio Jesus, que nos fortalece e nos nutre para a jornada da fé. Quando caímos em pecado, o Sacramento da Reconciliação nos restaura por meio da infinita misericordia de Deus e cura nossa amizade com Ele. Os sacramentos não são opcionais ou acessórios; são dons de Cristo para nos ajudar a crescer na santidade e nos preparar para a vida eterna.
Nenhum de nós pode conquistar o céu por nossos próprios esforços. A salvação é sempre um dom da graça de Deus. No entanto, esse dom requer a nossa resposta. Somos chamados a crer em Cristo, a adorá-Lo, a seguir os Seus mandamentos, a amar o próximo, a nos arrepender quando caímos e a permanecer próximos d'Ele por meio da vida de Sua Igreja. A questão, então, não é simplesmente: "Sou uma boa pessoa?" A pergunta mais adequada é: "Estou permitindo que Jesus Cristo transforme a minha vida?"
Como católicos, não nos empenhamos apenas em ser pessoas boas. Empenhamo-nos em nos tornar santos. A santidade não consiste na perfeição alcançada por nossas próprias forças; trata-se de cooperar com a graça de Deus, dia após dia. Que nunca nos contentemos em ser apenas "bons o suficiente". Em vez disso, busquemos conhecer Cristo mais profundamente, recebê-Lo fielmente nos sacramentos e permitir que Ele molde nossos corações para que, quando nossa peregrinação terrena chegar ao fim, possamos ouvir estas belas palavras: "Muito bem, servo bom e fiel... Venha participar da alegria do seu senhor." (Mateus 25,23)
Deus vos abençoe.
Em Maria Auxiliadora confio,
Pe. Franco