Comunidade Católica Brasileira de Hartford

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09/01/2025
02/24/2025

A triste história da família que buscaram
ajuda para tratar de um filho autista, e acabaram sendo deportados

Na manhã do dia 23 de janeiro, Sandra Souza e Alisdete Santos, que são imigrantes brasileiros acordaram com uma esperança de um novo capítulo na luta pela permanência legal nos Estados Unidos.

A família havia recebido uma ordem de deportação em 2022, mas ainda estava em processo de recurso, acreditando que poderia argumentar seu direito de permanecer no país por motivos humanitários, especialmente devido ao tratamento médico necessário para seu filho mais novo, Gael, diagnosticado com autismo.

Todos os imigrantes com nos Estados Unidos com processo de deportação, se agarraram em tudo que lhe falam. Muitas vezes, basta viver trabalhando no anonimato, fazer um pé de meia no Brasil, até chegar a hora de deixar o país por conta própria.

No caso dessa família, eles se apresentaram a um Centro de Remoções da Polícia de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Miramar, Flórida, onde, de acordo com a versão da brasileira Sandra, a esperança de uma chance de permanecer no país foi cruelmente destruída.

“Fomos enganados”, disse Alisdete, resumindo o sentimento de uma família devastada.

Brayan, filho mais velho do casal de 10 anos, foi o responsável por traduzir para os pais o que estava acontecendo. “Papai, eles estão falando que nós vamos embora para o Brasil”, disse o filho traduzido para os pais, trazendo à tona a dura verdade:

o encontro com as autoridades não era uma oportunidade para apresentar novos documentos ou explicações, mas sim o início de uma deportação forçada. O que eles não entenderam, era que aquela conversa seria a última com os agentes.

Em 2021, a família se mudou para os EUA, buscando uma vida melhor após as dificuldades econômicas impostas pela pandemia de Covid-19.

Como sempre, tudo começou com a ajuda de um coiote, e não foi de graça. Eles contrataram um coiote, cruzaram a fronteira e tentaram, em vão, regularizar sua situação.

A história é igualzinha a de milhares de imigrantes neste país. E com Sandra e Alisdete não foi deferente, e cumpriram as regras, se apresentando regularmente ao ICE, mas isso não impediu que fossem alvo da política migratória rígida do governo Trump, que, durante seu mandato, criminalizou a presença de migrantes indocumentados.

O Trump terminou criando um clima de medo aos imigrantes, como expresso em suas declarações sobre os deportados, tratando-os como criminosos.

No entanto, a realidade enfrentada por Sandra
e Alisdete era bem diferente. Eles não representavam uma ameaça, mas sim uma família buscando uma chance de melhorar de vida e proporcionar melhores condições para os filhos, incluindo Gael, que estava em tratamento contínuo de autismo.

O que parecia ser uma reunião para discutir uma possível prorrogação da permanência da família, rapidamente se transformou em um pesadelo.

As autoridades migratórias, alegando que o processo da família já havia sido encerrado, não consideraram as circunstâncias pessoais e os tratamentos médicos que os filhos necessitavam.

Após a ordem de deportação, a família foi rapidamente levada ao aeroporto para um voo que a separaria de tudo o que haviam construído nos EUA.

Infelizmente, essa é a pura realidade. Ninguém volta para casa. E toda uma vida f**a para trás. Roupas, objetos, moveis, escovas de dentes, o shampoo, os travesseiros, as sandálias, o cartão do banco, o perfume, o gato, ou cachorro.

Até o plano de celebrar o aniversário de 4 anos de Gael foi cancelado. E, sem tempo para pegar seus pertences ou se despedir, começaram uma viagem angustiante que duraria dias, sem saber o que encontrariam no Brasil.

Durante o voo de deportação, a situação foi caótica. Embora algumas famílias não tenham sido algemadas, muitas das pessoas a bordo, incluindo crianças, passaram por momentos de sofrimento extremo, com calor intenso, falta de alimentação e incerteza sobre o destino.

Imaginem, se clientes de empresas aéreas já reclamaram de má atendimento, imaginem ser transportados como detentos dos EUA?

Ao fazer uma parada no Panamá, o voo enfrentou dificuldades técnicas, gerando ainda mais angústia para os deportados.

Quando o avião finalmente pousou em Manaus, os migrantes foram recebidos por autoridades brasileiras e, em seguida, transferidos para Belo Horizonte, onde continuaram a viagem até sua cidade natal, Itambacuri, em Minas Gerais.

Quando eles acharam que estavam em casa, eles foram transportados em um ônibus sem apoio do governo, que também não tem obrigação de ajudar brasileiros “deportados” de outros países, já que os mesmo deixaram o país, para se aventurar em outros.

A experiência traumática da deportação e as condições precárias do voo levaram Brayan, o filho mais velho, a ser levado ao hospital em Manaus devido à falta de ar causada pelo calor.

Agora de volta ao Brasil, a família enfrenta o desafio de reconstruir suas vidas. Sandra busca tratamento médico para Gael e, ao mesmo tempo, tenta lidar com a dívida ainda pendente com o coiote que eles contrataram para a atravessar a fronteira, uma dívida que agora parece impagável.

O processo de regularização, que foi prejudicado por um advogado que não cumpriu com suas obrigações, também deixa marcas profundas na confiança da família no sistema legal.

Isso é outra coisa que os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos devem ter muita precaução. São com os advogados safados e mentirosos que prometem tudo na hora de pegar o dinheiro do imigrante, e na hora do sufoco, eles simplesmente dizem… “desculpa, dei errado” mas, nunca devolvem o “dinheiro”

O caso da família de Alisdete e Sandra é um reflexo das injustiças vividas por milhares de migrantes indocumentados nos EUA, e que infelizmente, pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar dos EUA.

O que os brasileiros que ainda planejam vir para os Estados Unidos precisam saber, é que para os agentes de imigração, ninguém tem na testa um sinal de que é uma pessoa boa, ou honesta, para a justiça de imigração dos Estados Unidos, detidos são detidos, e infelizmente serão tratados como “prisioneiros” não adianta reclamar aos direitos humanos ou a mídia internacional, como eles dizem… “it is what it is”

(É o que é!) Prisioneiros sempre foram tratados como prisioneiros, e não será diferente daqui para frente. Essa é a pura, e triste realidade de ser preso pela imigração dos EUA.

Uma história lamentável, que talvez poderia ter sido evitada. Mas, o caminho só existe quando você passa.

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02/23/2025

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