06/06/2026
O 101.º Sínodo Diocesano da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana) realizou-se de 4 a 6 de junho 2026, na Catedral de S. Paulo, em Lisboa, sob o lema “Eis que faço novas todas
as coisas “(Apocalipse, 21,5). Durante três dias, mais de cinquenta delegados, tanto clérigos como leigos, foram acompanhados por diversos convidados, de igrejas e instituições nacionais e estrangeiras, nomeadamente o Bispo da Igreja Espanhola
Reformada Episcopal (IERE), D. Carlos Lopez Lozano, acompanhado dos dois Bispos sufragâneos espanhóis recentemente eleitos, Ruben Baidez e Josué Rodriguez, bem como a presidente da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, Pastora Sandra Reis e o Bispo
eleito da Igreja Metodista Portuguesa, Eduardo Conde; estiveram também presentes a Sociedade Missionária USPG, representada por Carol Miller e o Reverendo Andrew Tewddy da Sociedade Franciscana Anglicana, bem como aDiretora Executiva da Sociedade Bíblica de Portugal, Lídia Fletcher e o representante do Patriarcado de Lisboa, Padre Peter Stilwell, o qual, em representação do Senhor Patriarca, leu uma saudação ao Sínodo. Também a Senhora Arcebispa de Cantuária, Reverendíssima e Honorável Dame Sara Mullally, autoridade metropolita da Igreja Lusitana, enviou uma saudação ao Sínodo, referindo a contribuição distinta e valiosa da Igreja Lusitana (IL) para a vida da Comunhão Anglicana e o modo como o ministério da IL, atento às pessoas e ao contexto que serve, é um dom para toda a Comunhão Anglicana.
O Sínodo iniciou-se com uma Eucaristia de abertura, no contexto da Festa de Ação de Graças pela Instituição da Sagrada Eucaristia, com a presença dos Bispos da IERE e do clero da Igreja e com a participação do povo da Igreja incluindo as comunidades migrantes.
Seguiu-se a Festa da Esperança, com um almoço multicultural nos claustros da Catedral e a apresentação dos projetos com migrantes que a Igreja tem vindo a desenvolver.
Na sua alocução ao Sínodo, no início dos trabalhos, o Bispo Diocesano, D. Jorge Pina Cabral, referiu que “…uma Igreja missionária entende-se como povo de Deus, corpo de
Cristo e templo do Espírito Santo. Aqui em Sínodo, e celebrando o caminhar histórico já Lpercorrido, cabe-nos na ação da Trindade Santa, olhar o futuro de Missão que se nos oferece (…); a Igreja tem perante si um horizonte celebrativo, dado que no ano de 2030 irá completar 150 anos da sua constituição e 50 anos de integração na Comunhão Anglicana.
Trata-se, pois, de um tempo Kairós, um tempo de oportunidade que uma vez mais e no seu Amor a Trindade Santa nos oferece celebrar. Neste tempo que queremos de renovação seremos guiados pela afirmação divina: «Eis que faço novas todas as coisas» (Apoc. 21,5) (…) Eis, pois, o sentido da Esperança cristã, que nos anima hoje a olhar o futuro (…) Num mundo marcado pela polarização, Deus chama-nos a ser agentes de reconciliação. Num tempo marcado por cenários de violência e de guerra, Deus convoca-nos a ser arautos e construtores da sua paz. Perante discursos de ódio e atentatórios da dignidade humana, importa com outros homens e mulheres de boa vontade, erguer a voz assumindo a dimensão profética do nosso testemunho. “
Os trabalhos do Sínodo distribuíram-se entre a apresentação de relatórios das diferentes áreas da Igreja, a discussão de várias propostas e as eleições para os diversos órgãos da Igreja.
Entre os assuntos trazidos ao Sínodo, destaca-se a aprovação do Plano de Missão 2026-2030, enquadrado nas 5 marcas de missão da Comunhão Anglicana ( proclamação das Boas Novas, Ensino e Batismo, Serviço, Paz e Reconciliação e Defesa da Criação) e que estabelece como prioridades da Igreja para os próximos cinco anos diversos objetivos e atividades no âmbito da Evangelização, Crescimento e Novas Comunidades, Oração e Celebração, Transformação Social e Salvaguarda da Criação, Sustentabilidade Financeira e Gestão da Igreja, Pertença e vivência na Comunhão Anglicana.
Neste enquadramento foram várias as propostas apresentadas e aprovadas pelo 101.º Sínodo, com destaque para a proposta de criação de uma Província Anglicana Ibérica, integrando a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica e a Igreja Espanhola Reformada Episcopal. Considerando que a visão da criação desta Província é o corolário natural do processo de amadurecimento e afirmação da IL no contexto anglicano no último meio século e que esta nova estrutura pode potenciar fortemente o desenvolvimento de novas realidades pastorais e de missão para o anúncio do Evangelho nos dois países ibéricos, o Sínodo decidiu que a Igreja deve assumir corajosamente este desafio, com plena confiança na graça de Deus e abertura aos desafios do Espírito, tendo presente o lema do Sínodo e ano pastoral - «Eis que faço novas todas as coisas» (Apoc., 21, 5).
Salienta-se ainda a proposta sobre os migrantes, dedicada ao acolhimento, integração e acompanhamento de migrantes e refugiados, tendo o Sínodo, perante o aumento da hostilidade, denunciado os discursos de ódio e anti-imigração bem como práticas xenófobas e reafirmado o compromisso de trabalho com os migrantes enquanto expressão da Missão da Igreja e assumido a continuidade dos projetos em execução, e o desenvolvimento de novos projetos consoante as necessidades e oportunidades que
forem surgindo.
Como expressão de novidade e adaptação aos novos tempos, o Sínodo congratulou-se com a apresentação da nova APP da Igreja, agora disponível, e assumida como instrumento de missão, comunicação e evangelização, reforçando a presença da Igreja no
espaço digital.
Destaca-se, ainda, a aprovação da inclusão da “Festa da Criação” no Calendário Litúrgico da Igreja Lusitana, no dia 1 de setembro. Esta decisão decorre de um processo ecuménico, liderado por várias comunhões mundiais, que visa elevar o “Dia da Criação” à categoria de festa litúrgica oficial nos calendários das diferentes Igrejas, contribuindo para que esta celebração seja uma oportunidade de evangelização que sublinha, de uma forma particular, que todas as coisas foram criadas através do Verbo Eterno comemorando o
papel de Cristo no ato da Criação.
O Sínodo encerrou no dia 6 de junho, com uma Celebração Eucarística de Envio. Este Envio significa, como referiu o Bispo D. Jorge na sua alocução, que “cada um de nós, hoje aqui
presente no Sínodo da Igreja, possui não só a responsabilidade da participação e da representação, como também, a responsabilidade de levar aos demais irmãos e irmãs em Cristo, a novidade das coisas novas que o Espírito Santo nos está desde já a propor. Se
estamos presentes no Sínodo foi porque Deus nos chamou e esse chamamento desde já nos responsabiliza a sermos «pedras vivas» na Igreja”.
Lisboa 6 de junho de 2026, Catedral de S. Paulo
Departamento de Comunicação da Igreja Lusitana