13/08/2026
Hoje que muito se fala do eclipse, quero falar-vos de um eclipse muito mais próximo de nós, e talvez muito mais perigoso. Chamo-lhe o eclipse da indiferença. Aquele que acontece quando deixamos de reparar em quem está ao nosso lado. Quando já não temos tempo para ouvir, para cuidar, para perguntar simplesmente “estás bem?”. Quando as nossas prioridades se trocam e nos esquecemos do essencial. Cristo nunca deixa de iluminar a nossa vida. A Sua luz está sempre presente. Somos nós que, tantas vezes, não nos deixamos iluminar por Ele. Esquecemos que Deus é amor e que esse amor não pode ficar apenas dentro das igrejas, das palavras ou das orações. Deve tornar-se algo vivo, e traduzir-se em gestos, em cuidado, em atenção e em presença. Há o eclipse que está nos idosos que envelhecem sozinhos nos lares, que está nas crianças que crescem sem o amor e a presença dos pais, que está na Casa Comum que tratamos como se não fosse nossa, que está nas pessoas que sofrem em silêncio e passam por nós sem que sequer reparemos. Está também numa sociedade onde, tantas vezes, quem deveria servir acaba por se servir a si próprio. Políticos que deixam de nos governar para se governarem a si mesmos. Pessoas que se esquecem de que o poder, quando é verdadeiro, deve estar ao serviço dos outros. No entanto o pior de todos é aquele que acontece dentro de cada um de nós quando nos tornamos indiferentes. Porque podemos ver e não olhar. Podemos ouvir e não escutar. Podemos encontrar alguém que precisa de nós e simplesmente seguir caminho.Meus amigos e irmãos, hoje, talvez mais do que nunca, precisamos de deixar que Cristo nos ilumine. Precisamos de voltar a olhar uns pelos outros. De recuperar a empatia, a bondade, o sentido de responsabilidade e o amor. Cada um de nós pode ser uma pequena luz neste mundo. Pode ser a voz de quem não consegue falar, a mão de quem precisa de ajuda, o abraço de quem está sozinho, a presença de quem foi esquecido. Porque o verdadeiro eclipse não é aquele que escurece o Sol. É aquele que nos torna indiferentes ao outro. Esse está nas nossas mãos afastar. Deus é amor. E onde existe amor, a luz nunca deixa de existir.
Vosso;
Rui