28/06/2026
https://www.facebook.com/share/1Dqm8b5htV/
Conta-se que o médium J. Raul Teixeira, em uma de suas viagens para compromissos doutrinários, seguia para uma conferência em importante cidade brasileira. Na companhia de amigos que o recebiam, dirigia-se ao almoço quando, diante de um semáforo, percebeu uma cena que lhe atravessou a alma: uma mulher em estado de grande abandono vasculhava o lixo, separando restos aproveitáveis daquilo que já não servia.
A imagem permaneceu nele como uma dor silenciosa. Embora precisasse alimentar o corpo para prosseguir com suas atividades, o coração parecia recusá-lo. Já no restaurante, cercado por conforto, não conseguia afastar da mente aquela existência marcada pela miséria, pela solidão e pela perda quase completa da dignidade humana.
Nesse instante, segundo seu relato, pela percepção mediúnica, aproximou-se um Espírito benfeitor ligado às suas tarefas. Com serenidade, o amigo espiritual esclareceu que, ainda que alguém oferecesse alimento àquela senhora, ela provavelmente não aceitaria. Havia naquele drama uma história mais profunda do que os olhos podiam alcançar.
O benfeitor revelou, então, que aquela mulher trazia no passado espiritual a experiência de ter sido um político conhecido no Brasil, figura ainda lembrada com respeito em certos círculos. Depois da desencarnação, ao tomar consciência dos danos provocados por suas escolhas públicas e da dor imposta a muitos que dependiam de suas decisões, viu nascer em si um sentimento intenso de culpa. A nova existência, mergulhada na penúria, surgia como oportunidade dolorosa de reajuste, aprendizado e reparação.
Chamava atenção um detalhe simbólico: a avenida onde ela permanecia levava o nome daquele antigo personagem. Como se a consciência, presa aos registros do passado, a mantivesse vinculada ao lugar onde um dia recebera homenagens, agora em condição completamente oposta.
A Doutrina Espírita não apresenta esse processo como punição divina, mas como consequência natural da Lei de Causa e Efeito. Cada espírito encontra, no caminho, as lições necessárias para compreender o valor do bem que deixou de fazer e da responsabilidade que assumiu diante da vida coletiva.
Por isso, Chico Xavier advertia sobre a gravidade das funções públicas. Dizia que devemos orar pelos governantes e administradores, pois o poder oferece tentações imensas. Aquele que possui meios de aliviar o sofrimento do povo e se omite diante dele assume pesado compromisso perante a própria consciência. Na vida espiritual, muitos que ocuparam posições de destaque na Terra despertam em dolorosa situação, não pelo cargo que exerceram, mas pelo uso que fizeram dele.