Centro de Escuta de Tadim

Centro de Escuta de Tadim O centro de escuta serve para todos os que atravessam, entre outros, solidão, medo e luto.

24/03/2026

Ninguém é apenas o seu crime

Na sala havia uma mesa simples, duas cadeiras e um silêncio que parecia maior do que o espaço. Não era um silêncio vazio. Era o silêncio de quem carrega histórias difíceis de contar.

À minha frente sentou-se um homem que eu nunca tinha visto antes. Trazia no olhar uma mistura de prudência e cansaço — aquela forma de olhar de quem aprendeu a medir bem cada palavra.

Visitar alguém numa prisão não é um gesto de curiosidade.
Não é um exercício de superioridade moral.
É, antes de tudo, um encontro entre duas pessoas.

Quem visita não entra como juiz.
Não entra como salvador.
Entra apenas como ser humano diante de outro ser humano.

E essa simplicidade muda tudo.

No mundo prisional, onde tantas vozes julgam, condenam e classif**am, a presença de alguém que escuta torna-se algo raro. Por isso, muitas vezes, o mais importante numa visita não é aquilo que se diz — é aquilo que se é.

Falámos de coisas simples: do tempo que passa devagar, da família que f**a longe, das saudades que aparecem sem aviso. Em certos momentos a conversa parava. E nesses momentos percebia-se algo essencial: nem sempre as palavras são necessárias.

Há dores que não precisam de explicações nem de discursos. Precisam apenas de alguém que permaneça. Alguém que não tenha medo do silêncio.

Quem vive na prisão aprende rapidamente uma regra silenciosa: mostrar fragilidade pode ser perigoso. Por isso muitos vestem máscaras — a máscara da dureza, da indiferença, do silêncio.

Mas por detrás dessas máscaras continuam a existir pessoas.

A certa altura ele disse, quase como quem pensa em voz alta:

— Às vezes parece que, para o mundo, já não somos mais nada.

Aquela frase não precisava de explicação.

Há atitudes que podem destruir imediatamente um encontro: moralizar, interrogar, invadir a intimidade, reduzir uma pessoa ao crime que cometeu ou prometer aquilo que nunca se poderá cumprir.

A visita que verdadeiramente humaniza é mais simples — e mais exigente: escutar, respeitar, reconhecer a dignidade que permanece.

Porque ninguém é apenas o seu erro.
Ninguém é apenas a sua queda.
Nenhuma vida pode ser resumida a uma sentença.

Quando alguém entra numa prisão com esta consciência, algo profundamente humano acontece. Não se trata de negar a responsabilidade nem de apagar o sofrimento causado. Trata-se de afirmar algo maior: a dignidade humana não desaparece com o erro.

E enquanto houver quem seja capaz de olhar para uma pessoa para além do seu crime, a humanidade continua a ter futuro.

Foto © Wendy Alvarez / Unsplash

12/11/2025

Não deixem nada por dizer

Recebi o telefonema entre o rumor dos dias.
Do outro lado, uma voz marcada pela dor:
— Padre, venha... o meu marido está a morrer. Ele pediu para falar consigo.

Deixei tudo.
Não por heroísmo, mas porque há apelos que não permitem espera.
Peguei num ritual, mas no caminho percebi que nenhuma palavra rezada seria suficiente.
Mastiguei frases, procurei respostas —
mas algo dentro de mim sussurrou:
Não vás para falar. Vai para estar.

Cheguei.
A esposa esperava-me à porta, olhos rasos, voz trémula:
— Padre, não lhe diga que ele vai morrer. Aqui em casa ninguém fala disso.
Assenti com o olhar.
Há silêncios que não se quebram — respeitam-se.

Entrei.
O Sr. Domingos sorriu-me com a serenidade dos que já viram o essencial.
O seu rosto era mapa de tempo: rugas como rios, olhos como poços.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, falou:
— Eu sei que vou morrer, Padre.

E naquele instante, o quarto pequeno tornou-se templo.
Não havia medo, havia verdade.
Falámos — ou melhor, ele falou — da vida inteira:
das alegrias e das feridas,
das mãos que trabalharam,
dos risos, das perdas,
da esposa que amou,
do filho que foi o seu orgulho,
do Deus que tantas vezes procurou e por fim encontrou ali, entre o respirar cansado e a paz que o visitava.

Pediu perdão.
Mas não apenas pelos pecados — pediu perdão por ter sido humano,
por ter amado e falhado,
por ter vivido como todos nós: entre luz e sombra.

Quando terminou, sorriu e disse:
— Amei viver, Padre. E agora quero morrer em paz.

Falámos do funeral — ele quis escolher as leituras, as músicas, até as palavras que eu haveria de dizer.
Tudo com uma serenidade que desarma.
No fim, abraçámo-nos longamente,
sem pressa, como quem sabe que o tempo tem fim e o amor, não.

À saída, a esposa perguntou:
— A confissão demorou duas horas, Padre. Tinha assim tantos pecados?
Respondi-lhe com ternura:
— Não falámos só de pecados. Falámos da vida. E combinámos o céu.

Depois acrescentei:
— Agora é a sua vez, e a do vosso filho, confessarem-se com ele.

Voltei para casa leve,
como quem regressa de um santuário invisível.
Pouco tempo depois, o telefone voltou a tocar.
A mesma voz, agora ainda mais frágil:
— Padre... o meu marido partiu.

Fechei os olhos.
Na minha alma, um silêncio cheio de presença.
Não doía — ardia.
Porque a morte, quando vem assim, reconciliada,
é quase uma bênção.

E ecoaram-me as palavras de António Feio,
essas que são de todos nós:
“Não deixem nada por dizer.”

Porque falar é difícil, sim.
Dizer “amo-te” parece piegas,
dizer “perdoa-me” custa mais que qualquer penitência.
E por isso calamos —
adiamos —
fugimos.

Guardamos o amor no bolso, a verdade na garganta,
como se o tempo fosse eterno e a morte um rumor distante.
Mas o tempo é curto.
E o rumor é certo.

Por isso, não deixem nada por dizer.
Nem o amor, nem a dor, nem o medo.
Digam enquanto há ouvidos que escutam,
mãos que se tocam, olhos que se reconhecem.
Porque chega um dia — e chega sempre —
em que só o silêncio responde.

O Sr. Domingos partiu reconciliado com tudo e todos. Mas deixou-me, sem o saber, um sermão inteiro: o Evangelho de uma vida dita até ao fim.

Dias depois do funeral, a esposa e o filho procuraram-me.
Vieram com os olhos ainda marejados, mas com o rosto sereno.
Disseram-me:
— Padre, aquela visita fez-nos tão bem...
E continuaram:
— Afinal, o padre faz um trabalho que parece que não se vê. Mas quando o experimentamos, percebemos para que serve um padre.

Fiquei calado.
Porque há palavras que não se comentam — guardam-se.
E ali compreendi, mais uma vez,
que o sacerdócio é isto:
estar onde o mundo se desfaz e Deus começa. Ser presença quando já não há respostas. Ser silêncio habitado.

E nessa hora, percebi que o Sr. Domingos,
mesmo morto, continuava a evangelizar.
Porque ele também não deixou nada por dizer.


07/11/2025

Quando a vida pede silêncio

Todo suicídio é uma tragédia que fere a própria tessitura da humanidade. É uma vida que se apaga, e com ela uma história inteira que não se voltará a repetir. Cada morte deste tipo deixa atrás de si perguntas sem resposta — um eco de dor que ressoa nas famílias, nos amigos, nas comunidades que f**am a pensar: “O que é que falhou? Onde é que não escutámos?”

O Santo Padre pede-nos este mês que rezemos pelas pessoas que lutam com pensamentos suicidas. Mas rezar não é apenas juntar palavras — é decidir não desviar o olhar. É reconhecer que há sofrimentos invisíveis, que há dores silenciosas, que há batalhas travadas no interior de quem passa ao nosso lado todos os dias.

Vivemos num mundo que glorif**a a força, mas tem medo da fraqueza.
Que fala alto, mas escuta pouco.
Que corre, mas raramente abraça.
E, no entanto, é no reconhecimento da nossa fragilidade que começa a verdadeira cura. Precisamos de uma visão mais profunda da vida — uma que aceite a solidão, o fracasso e o sofrimento como parte do caminho humano, e não como erros a eliminar.

A vida não é um concurso de vitórias.
É uma peregrinação de quedas e recomeços.
E é nessa vulnerabilidade partilhada que Deus se faz mais próximo — não como resposta pronta, mas como presença silenciosa que sussurra: “Ainda há beleza. Ainda há tempo. Ainda há sentido.”

Penso muitas vezes em quem, num instante extremo, decide “apagar a luz”.
O que se passa na alma dessa pessoa?
Que ferida se tornou tão profunda que o amanhã deixou de parecer possível?
A cada vez que ouço uma notícia assim, sinto o peso de uma derrota humana.
Não de uma só vida — mas de todos nós, que ainda não aprendemos a cuidar verdadeiramente uns dos outros.

Porque a vida alheia é um terreno sagrado.
Deve ser pisada com respeito, escutada com ternura, amparada com delicadeza.
E se há algo que o Evangelho nos pede é isto: ninguém deve ser deixado para trás.
Como um bando de pássaros em voo, em que um guia cede o lugar a outro para que todos cheguem ao destino — assim deveríamos viver: sustentando-nos uns aos outros no caminho.

O suicídio é também um espelho do nosso tempo —
um tempo que mede o valor da vida pela produtividade,
que exige sucesso e disfarça a dor,
que promete felicidade rápida mas esquece que o amor é lento, paciente, quotidiano.
Precisamos, urgentemente, de reaprender a arte de estar presentes.
De ouvir antes de aconselhar.
De abraçar antes de julgar.
De reconhecer que até o desespero pode ser um grito por sentido — e que Deus nunca se afasta de quem sofre.

Rezar por quem pensa em desistir é, portanto, um ato de resistência espiritual. É acreditar, mesmo quando o outro já não acredita. É segurar a mão que treme e dizer: “Fica. Eu estou aqui. Não estás sozinho.”

A vida, por mais obscura que pareça, continua a ser dom. Mesmo ferida, continua a pulsar.
Mesmo cansada, ainda deseja ser vivida.

E talvez seja esse o maior milagre de todos:
que no meio da noite, uma faísca de amor — pequena, mas verdadeira — possa reacender o desejo de continuar.

Porque enquanto houver um coração disposto a escutar, a esperança, sim… ainda respira.

(Reflexão inspirada no Vídeo do Papa – novembro 2025, em Almudena Colorado e José María Rodríguez Olaizola, sj)
https://youtu.be/ZEPJI3alTkU?si=c3FbWhbKuM3o50fz

29/10/2025

✨ “O fio da vida e da esperança” ✨

Há riquezas que não se emprestam,
valores que não se compram,
forças que ninguém pode dar-nos —
porque nascem do mais profundo de nós,
onde Deus habita em silêncio.

Job ousou fazer a pergunta que todos, um dia, sussurramos:
“Viver… é mesmo uma vida?
Pode chamar-se vida, se no fim tudo morre?”
E Deus, sem negar a dor, responde com um sim —
um sim que não explica, mas acolhe.
Convida Job, e cada um de nós,
a amar um Deus que não se entende,
mas que permanece.

A vida, diz a Escritura, corre como a lançadeira do tear —
um fio que se move depressa, entre luz e sombra.
E esse fio, em hebraico, chama-se tikva:
fio, mas também esperança.
A vida cessa quando o fio se rompe,
quando a esperança se apaga.
Mas enquanto houver um sopro,
há um Deus que tece connosco o sentido.

Há coisas que não se improvisam,
nem se pedem emprestadas.
A fé, a esperança, o amor,
são fios que precisamos de entrelaçar com as nossas próprias mãos,
entre lágrimas e orações.

Jesus mostrou-nos o caminho:
uma vida que encontra força no diálogo com o Pai
e se desdobra em compaixão pelos irmãos.
Uma vida-para-os-outros,
que cura, acolhe e se faz ternura diante da dor.

A filósofa judia Simone Weil dizia:

“A plenitude do amor ao próximo consiste em perguntar-lhe:
‘Qual é o teu tormento?’”

É essa a verdadeira riqueza:
ter um coração que vê, que ouve, que se comove.
Um coração que não foge da dor,
mas a transforma em encontro,
em cuidado, em amor concreto.

Por isso, acredita —
mesmo quando o fio parece romper-se,
mesmo quando a vida se esgota num sopro:
há sempre um pedaço de luz à tua espera.
Tu podes sorrir, recomeçar, viver melhor,
porque aos olhos de Deus,
a tua vida vale tanto quanto a d’Ele próprio.

🌿

24/10/2025

O laço quebrado e a luz que ainda podemos ver

Num instante, o coração parece voar, cheio de luz e sentido… e, no instante seguinte, mergulha na noite mais escura, onde a dúvida e a tristeza nos abraçam. E esperar? Ah… esperar é quase insuportável. Queremos tudo agora. Tudo já.

O mundo gosta de falar de esperança… mas não gosta do preço que ela cobra: confiar no que não se vê, manter-se firme no tempo, acreditar quando tudo parece perdido.

Por estes dias, fomos confrontados com acontecimentos que nos lembram da fragilidade humana e da urgência de atenção: um homem de 81 anos alegadamente atacado pela própria filha, um jovem de 14 anos suspeito de ter tirado a vida à mãe. Não são apenas notícias; são gritos silenciosos que nos desafiam a olhar mais atentamente para quem amamos.

A família, esse porto que idealizamos seguro, pode falhar — muitas vezes não por falta de amor, mas por desconhecimento, distração ou medo. A depressão e os problemas de saúde mental raramente anunciam a sua chegada com estrondo. Eles crescem em silêncio, nas pequenas mudanças do comportamento, na ausência de alegria, no isolamento ou na irritabilidade.

Hoje, somos desafiados a manter os olhos abertos, mesmo quando tudo parece cinzento. A não adormecer nas pequenas distrações. A confiar… mesmo quando parece noite.

Estar atento signif**a olhar além do sorriso que se finge. Signif**a perguntar, escutar e estar presente. Signif**a reconhecer sinais: mudanças de humor, falta de vontade, sono perturbado, afastamento de amigos ou atividades. Signif**a agir, sem julgar, oferecendo cuidado e apoio profissional quando necessário.

Porque cada vida importa. Cada vínculo merece atenção. Cada coração precisa de ser escutado. A empatia e a presença podem ser o fio que impede que o laço se parta.

Que estes acontecimentos nos despertem. Que nos façam olhar, escutar, agir. Que a esperança não seja apenas palavra, mas prática diária: cuidado, atenção, amor vigilante. Que, mesmo na noite mais escura, a luz do olhar atento e do gesto de carinho nos guie.

10/10/2025

🌹 Baltazar, o homem que semeava rosas

A manhã estava fria e o céu, embriagado de saudade, cantava fados antigos. As nuvens choravam devagar, talvez por verem as aves partir sem se despedirem. À porta do Sr. Baltazar, o velho de rosto sereno e olhar luminoso, o mundo parecia menos pesado. Havia nele uma alegria desarmante — uma paz que nascia não das circunstâncias, mas do coração.

Todos os dias o via passar em direção à Igreja. Nunca soube se ia à missa ou apenas visitar um Amigo. Mas algo me dizia que era dali que vinha a luz que lhe morava no rosto.

Um dia perguntei-lhe:
— Porque trabalha no orfanato, se ninguém lhe paga?
Ele sorriu, com aquela ternura que só os simples compreendem, e respondeu:
— O mundo fala mais bonito quando abrimos os braços. Amar, mesmo com os bolsos vazios, vale sempre a pena. O importante é ter o coração quente e livre de egoísmo. Quando nos damos de verdade, f**amos para sempre na história de Deus.

Essas palavras f**aram em mim como um eco que o tempo não apaga.

Mais tarde, segui-o às escondidas. Vi-o entrar na Igreja e f**ar ali, imóvel, em silêncio. Parecia conversar sem palavras com o seu Amigo invisível. Depois foi para o orfanato, onde cada criança o recebia como se fosse um pai. E percebi — Baltazar era a Igreja viva: o Evangelho com mãos, rugas e sorriso.

Um dia, encontrei o portão da sua casa aberto e o silêncio a morar lá dentro. O Sr. Baltazar tinha partido. Fiquei à espera que voltasse, como quem espera o sol nascer outra vez. Só muito depois compreendi que os que amam de verdade nunca regressam… porque nunca se vão.

Anos mais tarde, fui ao cemitério procurá-lo. Entre pedras frias e flores mortas, encontrei o seu nome gravado. “Aqui jaz Baltazar Oliveira dos Santos.” Ao lado, uma jarra de flores secas. Doeu-me a alma — aquele homem, que dera tanto de si, agora escondido sob mármore e silêncio.

Um antigo órfão, agora coveiro, aproximou-se e disse:
— Ele foi como um pai. Ficámos órfãos duas vezes quando morreu.

E então percebi: quem ama até se esquecer de si, nunca morre. Apenas muda de morada.

Olhei para aquela campa e prometi arrancar as pedras frias e plantar uma rosa. Porque o Sr. Baltazar dizia sempre: “Temos de povoar o mundo de rosas para que ele seja um belo jardim.”
Uma rosa chegaria. Outras nasceriam. E o perfume do seu amor continuaria a perfumar o tempo.

Antes de partir, escrevi no meu caderno:

Fui-te ver onde os homens guardaram
a tua armadura terrestre.
Não tinhas flores, nem velas,
só ervas daninhas e o teu nome.
Fiquei feliz por saber
que não moras aí.
Seria pouco
para quem amou tanto.

06/10/2025

✨ Quando te sentires perdido ✨

Haverá dias em que os caminhos parecerão desaparecer diante dos teus olhos,
em que o chão se tornará incerto
e o coração vacilará no silêncio.

Nesses momentos, respira fundo.
Aceita o lugar onde estás.
A vida é feita de mares revoltos e de calmarias,
e resistir à tempestade apenas prolonga o naufrágio.

🌿 Primeiro, acolhe a tua realidade.
Olha para a tua vida com sinceridade:
o que te dá alegria?
o que já não faz sentido?
Reconhece o que precisa ser deixado
e o que merece ser cultivado.

🔥 Depois, fortalece a tua alma.
A coragem não nasce na ausência do medo,
mas na firmeza de enfrentá-lo.
Disciplina o coração, alimenta a esperança.
Traça metas reais,
desenha caminhos possíveis,
e acredita — tu és capaz de os percorrer.

🤝 Não caminhes sozinho.
Permite que os ombros amigos sejam abrigo,
que a família seja porto seguro.
A partilha aquece, sustenta, cura.
Somos feitos de encontros,
e é no outro que muitas vezes redescobrimos a força.

📜 Organiza o que te pesa.
Transforma montanhas em pequenas pedras.
Escreve listas, define prioridades,
cumpre o que está ao teu alcance hoje.
Adiar é deixar que a ansiedade governe.
Agir é libertar-se, passo a passo.

🌌 E segue em frente.
Inspira-te em quem já superou batalhas maiores.
Deixa-te ensinar por histórias de resiliência.
Cada problema é mestre disfarçado,
cada desafio, uma ponte para o crescimento.

Lembra-te:
Perder-se é parte do caminho.
Mas quem aceita o momento, fortalece-se,
e avança com passos firmes,
sempre encontrará direção.

Porque o essencial não é saber sempre para onde ir,
mas confiar que, mesmo na escuridão,
há dentro de ti uma luz capaz de te guiar. ✨

30/09/2025

O nosso tempo exige três coisas.

Não são ideias vagas, nem frases bonitas.
São chaves concretas para atravessar a confusão dos dias.

A primeira é reverência. Num mundo apressado, esquecemo-nos de que cada vida é terra sagrada. Entrar descalços na própria história e na história dos outros é reconhecer mistério, dor e beleza que não nos pertencem. Sem reverência, transformamos pessoas em objetos e o tempo em mercadoria.

A segunda é conhecimento. Não confundir com informação. Hoje temos dados infinitos, mas pouca compreensão. Conhecer é deixar que a realidade nos toque por dentro, é olhar para a pobreza, a violência ou a solidão não como estatísticas, mas como feridas humanas que poderiam ser as nossas.

A terceira é discernimento. Vivemos cercados de vozes, tradições, opiniões, doutrinas. Nem tudo o que brilha é luz, nem toda a palavra veste verdade. Separar o trigo do joio exige silêncio interior e coragem de escolher o essencial.

Reverência, conhecimento, discernimento. Três pilares que não são luxo, mas urgência. Sem eles, caminhamos cegos no labirinto do ruído e do cinismo. Com eles, talvez possamos redescobrir que a terra ainda é fértil, que as relações ainda podem ser sagradas e que a fé, despida de adornos e falsos poderes, pode voltar a ser fonte de vida. Sem reverência, tornamo-nos indiferentes. Sem conhecimento, f**amos rasos. Sem discernimento, perdemo-nos na confusão.

Nota: Ideias de Javier Melloni, sj
In "Vislumbres de lo real: Religiones y revelación"

16/09/2025

✨ Há coisas que são boas demais para não serem verdade ✨

Há coisas que brilham com tal evidência que só um coração distraído ousaria negar.
Há verdades tão simples, tão puras, tão claras, que se tornam escandalosas para quem vive de máscaras e de desculpas.

O “problema” da simplicidade é este: de tão luminosa, desmascara-nos.
E nós não gostamos de ser desnudados.
Preferimos o labirinto das complicações, os discursos enrolados,
as justif**ações que nos afastam do essencial.
É mais cómodo dizer: “não é assim tão simples”.
Porque ao afirmar isso, criamos uma distância de segurança: um muro invisível que nos protege do risco de mudar, do incómodo de nos convertermos, da beleza exigente da verdade.

Mas a simplicidade insiste.
Ela é como a luz da manhã que atravessa a cortina fechada — podemos resistir, mas não podemos impedi-la de entrar. Ela arranca-nos as desculpas, desfaz os nossos disfarces, mostra-nos que a vida é mais clara do que a complicamos.

Um coração simples — uma palavra direta, um gesto transparente, um olhar sem truques — puxa-nos o tapete das complicações!
E isso incomoda, porque nos põe frente a frente com a nossa verdade.

Dá tanto jeito não entender…
Dá tanto jeito refugiar-se no “é mais complicado”.
Mas, no fundo, sabemos: o amor é simples, a fé é simples, a vida é simples.
Quem complica somos nós, com os medos, os apegos, a necessidade de controlar tudo.

Há coisas que são boas demais para não serem verdade.
E a maior delas é esta: Deus ama-nos de forma tão simples que só um coração enredado poderia recusar acreditar.

12/09/2025

No silêncio da prisão

Ele era jovem.
Deixou-se seduzir pela noite, pelas luzes fáceis dos bares, pela promessa breve das dr**as, pela ilusão da força nas brigas.
E numa dessas noites, em que tudo parecia diversão, perdeu-se.
Perdeu-se ao ponto de encontrar a prisão.

No pátio frio, sentado no banco gasto, sentia o peso de todos os julgamentos.
Para muitos, já não era mais do que o rótulo do seu erro: delinquente, perdido, condenado.
Mas um Padre aproximou-se. Não para o julgar. Não para o desculpar. Mas para lhe devolver um olhar de homem para homem.

— Quando chegas à prisão — disse-lhe suavemente — deves pensar em como vieste aqui parar. Mas depois… não podes f**ar só nesse pensamento. Tens de te perguntar: e quando sair daqui, o que vou fazer da minha vida?

O rapaz baixou os olhos.
O Padre prosseguiu:

— Não és apenas o erro que cometeste. Não és apenas a noite que te engoliu. Tu és aquilo que decides construir daqui para a frente. Mesmo quando tudo parece fechado, mesmo quando os outros já não acreditam, tu podes ser persistência, tu podes ser coragem. Tu podes ser o homem que abre caminho onde só há muros.

As palavras batiam fundo.
Era a primeira vez que alguém lhe dizia que ele não era apenas a sua queda.
Que a prisão podia ser mais do que castigo — podia ser claridade.

— Aqui — continuou o Padre — tens de aprender, trabalhar, preparar-te para voltar lá fora. A prisão não existe só para punir, mas para transformar. Para que voltes ao mundo com ferramentas, com dignidade, com família, com saúde. A punição não salva ninguém. Mas a esperança, sim.

O jovem respirou fundo. Dentro de si, algo que estava adormecido começou a acordar.
Talvez fosse fé. Talvez fosse apenas a vontade teimosa de não se perder para sempre.

E o Padre concluiu, quase em sussurro:

— Lembra-te: tu não és a tua prisão. Tu és o caminho que vais escolher quando as portas se abrirem.

Endereço

Paróquia De São Bartolomeu De Tadim, Largo De São Bartolomeu
Tadim
4705-671

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Centro de Escuta de Tadim publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Compartilhar

Categoria