Historial do Ramo de Pinhões da Festa do Espirito Santo-Soure
Festas do Espirito Santo - 300 MIL PINHÕES
"São necessários cerca de 300 mil pinhões, para enfeitar o andor que sai à rua na festa do Espírito Santo. Uma iniciativa antiga que a população se esforça por não deixar morrer. É que, se isso acontecer, o ramo é enterrado e nunca mais volta a ser enfeitado. A tradição é antiga e mobi
liza dezenas de pessoas da freguesia que, durante meses, andam numa verdadeira azáfama a apanhar pinhas e a juntar muitos, muitos pinhões. Com efeito, a comissão de festas, composta por cinco casais, e grande parte da população, junta-se, ao domingo à tarde, para preparar os pinhões que vão enfeitar o andor, ou “ramo” como lhe chamam. Um processo que requer muita paciência e «dá muito trabalho». Em Novembro as pinhas são apanhadas e ficam a secar até Janeiro, altura em que começa o trabalho de recolha dos pinhões. As pinhas são queimadas e abertas para se retirarem os pinhões que são partidos, escolhidos e limpos e enfiados em linha de um metro cada. São necessários cerca de 300 mil pinhões e 800 metros de fio» Começa então todo o trabalho de enrolar os fios de pinhões no “ramo” que, enfeitado ainda com duas pombas (uma delas também em pinhão) sai à rua durante a procissão, «representando o Espírito Santo». No último dia da festa são eleitos os mordomos do próximo ano, a quem é entregue o “ramo” que é desmanchado e oferecido à população. Distribui-se as fiadas de pinhões e uma fatia de bolo por todas as pessoas que contribuíram para a realização da festa. «É uma festa muito antiga e muito pouco conhecida. Pelo que investiguei existe, pelo menos, há 350 anos», afirma a comissão de festas. Mas certo será, pelo menos, que a tradição se tem cumprido ano após ano. Até porque, «diz-se que quando não houver ninguém para agarrar no “ramo” ele enterra-se no cemitério e acaba», até hoje, isso nunca aconteceu.