06/09/2026
Cada vez mais vemos dirigentes espirituais a incentivar filhos a “cuidarem-se sozinhos”, muitas vezes à distância, com orientações dadas por mensagens, jogos de búzios ou outros oráculos.
Na minha opinião, precisamos refletir seriamente sobre isto.
Ser Pai ou Mãe de Santo não deveria ser apenas jogar búzios, passar uma orientação e receber por isso. Cuidar de um filho espiritual exige presença, responsabilidade, acompanhamento, afeto e conhecimento da caminhada daquela pessoa.
Quando se escolhe ter centenas de filhos, mas não se consegue conhecer verdadeiramente cada um deles, ouvir as suas dificuldades e acompanhar o seu desenvolvimento, devemos perguntar: onde termina a missão espiritual e começa apenas a quantidade?
Um oráculo orienta, mas não substitui presença.
Uma mensagem ajuda, mas não substitui acompanhamento.
E a tecnologia pode facilitar a comunicação, mas não pode tornar-se a responsável pela vida espiritual de ninguém.
A inteligência artificial pode ajudar a escrever, pesquisar ou organizar ideias — mas não incorpora uma entidade, não conhece o axé de uma casa, não substitui um guia espiritual e muito menos deve responder no lugar da espiritualidade.
Ser dirigente não é apenas ter filhos. É cuidar dos filhos que se aceita ter.
Talvez seja melhor cuidar de poucos com verdade, presença e responsabilidade do que dizer que se cuida de centenas sem sequer existir proximidade.
Espiritualidade não deveria ser facilidade nem negócio disfarçado de missão. Deve existir compromisso, fundamento, respeito e, acima de tudo, responsabilidade com quem deposita a sua confiança numa casa e num dirigente.
Quem aceita ser chamado de Pai ou Mãe também precisa compreender o peso espiritual dessas palavras. 🙏