27/07/2026
SOBRE O QUE DEVO VESTIR NA CASA DO SENHOR
Caríssimos irmãos e irmãs, sinto necessidade de escrever mais uma palavrinha sobre a indumentária que devemos utilizar ao visitar locais sagrados ou religiosos.
Verifiquei que várias pessoas alegam que não existe nenhum documento da Igreja a exigir um preceito próprio sobre o vestuário a usar nos lugares de culto da Igreja Católica, inclusive, li relatos a dizerem que o catecismo da Igreja Católica (CIC), nada relata sobre isso, muito menos o direito canónico. Muito bem, é verdade, a Igreja nunca sentiu uma necessidade de se pronunciar abertamente sobre isso deixando as orientações para os costumes locais, na verdade, subentende-se que a Igreja acredita que para os seus fiéis o modo de se apresentar diante do Senhor não é meramente uma questão de etiqueta social, mas uma expressão externa de reverência interior diante do Santíssimo Sacramento. A Igreja ensina que o corpo é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6,19), e por isso o modo como nos vestimos deve refletir o respeito devido ao mistério sagrado que celebramos. A importância deste tema reside na necessidade de distinguir o sagrado do profano, preparando o coração e o corpo para o encontro com Deus. Vestir-se adequadamente para a igreja é um ato de caridade para com os outros fiéis, evitando escândalos ou distrações que possam prejudicar a piedade alheia. Além disso, a tradição católica sempre valorizou a modéstia como virtude cristã, que se manifesta também na escolha das vestes para o culto divino.
De facto, não existe documentação direta sobre este assunto, mas a base da Igreja e de todos os seus documentos é a Palavra de Deus, isto é, a Sagrada Escritura, portanto vamos elaborar uma pequena fundamentação, ou seja, não esgotando todas as passagens que possam ser ligadas ao vestuário:
Genesis 3, 21: “O Senhor Deus fez a Adão e à sua mulher túnicas de peles e vestiu-os.”
É o próprio Deus, por amor e perdão, que lhes faz as veste para se cobrirem. Depois do pecado o homem perde a inocência, passa a conhecer o mal, por isso, a necessidade de tapar perante o bem supremo.
Deuteronómio 22, 5: “Uma mulher não poderá usar coisas de homem e um homem não poderá vestir-se com roupas de mulher, porque o Senhor, teu Deus, abomina quem assim procede.”
Uma plena distinção entre homem e mulher e, inteiramente específico que cada s**o tem a sua indumentária. É certo, que em muitos debates tem-se tentado ignorar esta passagem ou desvalorizá-la, mas meus amigos é a Palavra de Deus, por isso, está sempre atual e não muda perante os gostos e ideologias
1 Reis 19, 12-14: “Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna. Disse-lhe, então, uma voz: «Que fazes aqui, Elias?» Ele respondeu: «Ardo em zelo pelo Senhor, Deus do universo, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e mataram os teus profetas. Só eu escapei; mas agora também me querem matar a mim.”
Elias tapa o rosto, ou seja, cobre-se em reverência e respeito ao Senhor. Não está o Santíssimo Sacramento nas igrejas? Sou superior a Elias? Não sinto necessidade de respeito pelo meu Deus? Nem vergonha da minha pequenez e do meu pecado?
Isaías 6:2: “Os serafins estavam diante dele, cada um tinha seis asas; com duas asas cobriam o rosto, com duas asas cobriam o corpo, com duas asas voavam.”
Reverência e Humildade: O ato de esconder a face mostra que a criatura reconhece a sua pequenez perante a santidade pura e perfeita de Deus. Reconhecimento que são criaturas: Mesmo sendo seres celestiais elevados e sem pecado, os serafins continuam a ser criaturas. Cobrir o corpo é um ato de submissão que reconhece a distância infinita entre a criatura e o Deus Criador.
Sofonias 1, 8: “No dia do sacrifício do Senhor, castigarei os ministros, os príncipes reais e todos os que se vestem com trajes estrangeiros.”
Este texto evidencia-nos que Deus verdadeiramente se importa com o modo em que me visto para estar diante dEle.
Romanos 12, 1: “Por isso, vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Seja este o vosso verdadeiro culto, o espiritual.”
Embora São Paulo não nos dê uma descrição de vestuário, deixa-nos de forma evidente que o corpo do cristão deve ser para maior glória de Deus, obrigatoriamente inclui a forma como nos devemos vestir.
1 Coríntios 6, 19-20: “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque o recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.”
O nosso corpo é pertença de Deus, deste modo, roupas curtas, indecentes ou provocadoras não podem combinar com quem quer honrar verdadeiramente o Senhor.
1 Timóteo 2, 9: “Do mesmo modo, as mulheres usem trajes decentes, adornem-se com pudor e modéstia, sem tranças, nem ouro, nem pérolas, ou vestidos sumptuosos (…)”
É pedido que saibamos vestir-nos com modéstia e controle de sensualidade, pois a verdadeira beleza está no interior da mulher e do homem e no temor de Deus.
1 Pedro 3, 3-4: “Que o vosso adorno não seja o exterior - arranjo do cabelo, jóias de ouro, roupa vistosa - mas, sim, o interior, que está oculto no coração, o adorno duradouro de uma alma mansa e serena; este é o adorno de maior valor aos olhos de Deus.”
A beleza do interior sobrepõe-se à beleza física, que é passageira e deteriorável. Na realidade, posso ter um corpo esbelto, sentir-me confiante para o exibir e sentir-me desejado, mas interiormente posso estar na maior podridão e longe de Deus.
Não quis ser muito maçador, penso que quem quer, consegue entender.
Lógico que todo aquele que não pratica os valores de fé cristã comprometida e séria irá achar que a Palavra de Deus não se coaduna com os tempos de hoje, isto é, vão alegar que são expressões próprias daquele tempo, que não podemos levar tudo à letra, os tempos são diferentes, por isso, temos de atualizar e suavizar a Palavra de Deus. É certo, que os tempos são outros, é verdade que temos de atualizar a Palavra de Deus para os nossos dias, mas não nos esqueçamos que a Palavra é eterna, Deus não muda, deste modo, não muda o que está escrito para nos ensinar.
Padre Rafael Rocha.