Prá Frente Santo Tirso

Prá Frente Santo Tirso O movimento independente "P'rá Frente Santo Tirso!" foi criado, pela vontade de quase 3.000 eleitores tirsenses para concorrer às eleições para a CM e AM.

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24/03/2026

Está em impressão mais uma edição do "Ecos de Negrelos".
Leia e divulgue este jornal regional, de Negrelos e do concelho de Santo Tirso, que fará 105 anos no próximo dia 2 de Abril.

31/03/2025

Artigo publicado no jornal "Ecos de Negrelos", na edição de Abril de 2024.

ALERTA POPULAÇÃO DE MONTE CÓRDOVA!

Estão de volta os graves problemas causados pela pedreira e britadeira do Lajedo.

Esta britadeira e pedreira, existente no lugar do Lajedo em Monte Córdova, paredes meias com muitas residências, começou a ser explorada por volta de 1978 e, a partir daí, não deu sossego, nem saúde, nem segurança aos moradores na aldeia, e também aos moradores das aldeias vizinhas como os dos lugares da Igreja, de Casais, de Cortinhas, de Quinchães, de Pereiras e de Valinhas.
Em 1994, depois das terraplanagens feitas no terreno pela empresa, os moradores fizeram, pela primeira vez, um abaixo assinado que entregaram a todas as entidades que podiam fazer parar o processo, mas sem qualquer resultado.
Em 1998 a pedreira e a britadeira entraram em funcionamento e, apesar de estar implantada numa zona de salvaguarda estricta do P.D.M., tinha todas as licenças necessárias para seu funcionamento, mas contrariadas por vários pareceres técnicos desfavoráveis conseguidos pela população.
A partir daqui cresceu a onda de protestos, liderados por Luís Carneiro, em representação de uma Comissão de Luta e pela Junta de Freguesia, cujo presidente era o independente Armindo Silva, eleito pela lista LIMC.
Pela Junta de Freguesia e pela população foram feitas exposições e pedidas audiências às mais diversas entidades governamentais e autárquicas do concelho. No entanto, a pedreira e a britadeira continuaram em actividade, e a população procedeu a cortes da estrada de acesso à pedreira e boicotou os referendos sobre a despenalização do ab**to e sobre a regionalização.
A actividade da pedreira e da britadeira continuaram a provocar estragos causados pelos tiros de dinamite utilizados para o rebentamento da pedra, rachando paredes, e lançando estilhaços que partiam as telhas das casas, onde até a louça caía abaixo dos móveis e armários com a vibração dos tiros. A estas graves perturbações, num claro desrespeito pelos direitos, liberdades e garantias dos moradores, que perderam o direito ao sossego devido aos barulhos dos tiros na pedreira e do trabalhar da britadeira, também passou a existir estado de insegurança das pessoas e dos seus bens, a tal ponto que as pessoas deixaram de procurar lenha no monte e as crianças deixaram de poder brincar ao ar livre, como consequência dos riscos que corriam.
Este caos em que se transformaram estas aldeias, inseridas numa zona tranquila e com um clima de excepção, e de um modo geral toda a freguesia, muito procurada por pessoas das cidades para construírem residências de lazer e descanso, passou também a ser prejudicial para a saúde dos moradores pelas poeiras que passaram a formar-se como consequência da exploração da pedra e pelo funcionamento da britadeira, poeiras que passaram também a destruir culturas e matas densamente arborizadas, e a poluir com resíduos de lamas o rio Leça que passa a cerca de 200 metros.
A Junta de Freguesia, que sempre se manteve ao lado da população, argumentava também que uma estrada que a empresa concessionária fez, para ter um melhor acesso à pedreira, invadiu terrenos particulares, o que motivou uma queixa dos proprietários no tribunal, e também porque o traçado da estrada violava o Plano Director Municipal, por ter sido aberta através de uma reserva ecológica, e ainda que as licenças tivessem sido passadas por técnicos que desconheciam o local da exploração e o seu impacto nos vizinhos e na freguesia no seu todo.
Por seu lado, Joaquim Couto, na altura presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, argumentava que, havendo queixas, a fiscalização devia ser chamada, mas, por outro lado, garantia que estando tudo licenciado a Câmara não tinha poderes para fiscalizar ou suspender a laboração da empresa, e que lhe parecia haver por detrás de tudo isto uma concorrência entre pedreiras. Esta série de problemas sem fim, que prejudicavam de forma evidente a população de Monte Córdova, levou a que os representantes da população solicitassem à Comissão Política Concelhia do CDS/PP de então, liderada por Henrique Pinheiro Machado, para que fizesse chegar o eco dos seus protestos ao Dr. Paulo Portas, presidente do Partido.
Estas diligências tiveram êxito e, no dia 30 de Janeiro de 1999, o Dr. Paulo Portas, veio a Monte Córdova para analisar localmente a situação e ouvir as razões da população que estava a ser prejudicada no seu bem-estar e qualidade de vida.
Garantindo que veio a Monte Córdova sem quaisquer intuitos partidários, Paulo Portas comprometeu-se, junto da população, a escrever uma carta à Ministra do Ambiente, alertando-a para as justas reivindicações da população, e a levar o assunto até à Assembleia da República, através dos deputados do partido naquele hemiciclo.
No entanto, e apesar de todas as diligências encetadas, a pedreira e a britadeira continuaram a laborar até 2015, ano em que a empresa concessionária entrou em insolvência e encerrou.

***

Recentemente a Pedreira do Lajedo foi adquirida pela empresa Edilages, S.A., que está a proceder a trabalhos para a reactivar, tendo adquirido mais terrenos, procedido à vedação da área da pedreira com uma rede alta e, à limpeza e devastação arbórea dos terrenos da área a ser explorada, construiu um grande armazém de apoio, e já tem no terreno várias máquinas escavadoras e uma britadeira.
Chegados a este ponto, muito próximo da entrada em laboração da Pedreira e Britadeira do Lajedo, muitos cordovenses estranham que não seja dada uma explicação à população sobre este reactivar de uma exploração altamente prejudicial para uma grande parte de população e da freguesia de Monte Córdova.

E, sobretudo, estranham que até hoje não tenha sido explicado qual a área em que se vai fazer a exploração da pedreira, e quais os seus acessos. Tanto mais quanto se sabe, pela experiência anterior, que a entrada em funcionamento da pedreira e da britadeira vai causar grandes transtornos aos habitantes, grandes prejuízos nas explorações agrícolas, numa produção intensiva de mirtilos no lugar de Pereiras, e na vegetação arbórea circundante.
E entendem que este silêncio sobre a entrada em funcionamento da pedreira e britadeira, sem que se acautele o presente e o futuro (pela garantia de um plano de recuperação de toda a área que será explorada), leva a pensar que poderá acontecer o mesmo que aconteceu com a anterior empresa, que entrou em insolvência e não procedeu à recuperação dos terrenos com a plantação de árvores nos locais onde foi devastado o arvoredo existente.
Aqui f**a este alerta! Um alerta pertinente no recomeço da exploração do Pedreira e Britadeira do Lajedo, que vai ter, inevitavelmente, repercussões na saúde, no bem-estar, e na qualidade de vida das pessoas de Monte Córdova!

Henrique Pinheiro Machado

Endereço

Rua Do Professor Henrique Pinheiro, 6
Santo Tirso
4795-682

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