20/05/2024
𝗔𝘀 𝗰𝗼𝗻𝗾𝘂𝗶𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹
Comemoram-se este ano os 50 anos do 25 de abril, uma data assinalada em todo o país com muito entusiasmo e alegria, valorizando a importância das conquistas de abril. Estes 50 anos de democracia e liberdade foram determinantes para uma grande melhoria nas áreas da saúde, da educação, da economia, da cultura, do desporto, do setor social e para termos um país mais próspero e com menos desigualdades. Chegados aqui podemos e devemos agradecer a todas as pessoas que tiveram a coragem de pensar, preparar e realizar a revolução dos cravos. Os desafios que temos pela frente não são menos desafiantes e menos determinantes para o nosso desenvolvimento, a Conferência Episcopal Portuguesa emitiu uma Nota Pastoral, no dia 11 de abril de 2024, sobre as comemorações dos cinquenta anos do 25 de abril, da qual destaco:
“...Passado meio século, podemos e devemos reconhecer tudo quanto se conseguiu de positivo no Portugal democrático, a começar pela liberdade política, o fim da guerra em África e a dedicação cívica de tantos, das autarquias ao Estado, da vida nacional à integração europeia. Estabilizada a situação no novo quadro constitucional, muito se conseguiu para responder a várias necessidades da altura ou depois surgidas – e muita participação houve também por parte de católicos politicamente comprometidos e de instituições de solidariedade social ligadas à Igreja.
Este mesmo impulso solidário, que ganhámos em cinquenta anos de vida democrática, é o que nos levará a todos, cidadãos dum país entretanto enriquecido com populações advindas doutros espaços e culturas, a atingir novas metas nos campos da família, da habitação e do trabalho, da educação e da saúde e de tudo o que garanta uma vida digna a quantos somos hoje e seremos amanhã. Vida devidamente respeitada e acompanhada em todas as suas fases e circunstâncias, da conceção à morte natural.
Retomemos as intenções dos autores do “25 de Abril”, no sentido da democratização do país, do fim da guerra e do desenvolvimento geral. Intenções que nos continuam a reclamar nos dias de hoje.
No que à democracia diz respeito, necessário é que ela conte com a liberdade e a responsabilidade dos cidadãos, devidamente respeitados e estimulados para o incremento do bem comum. Tal apenas se consegue quando da família à escola e à vida social aprendamos a concertar a legítima diversidade de opiniões com a finalidade comum do bem de todos.
No que à paz diz respeito, lembremos que ela é fruto da justiça, dando a cada um o que lhe é devido para viver e conviver dignamente. Isto mesmo a nível pessoal e também de grupos sociais, étnicos ou povos, todos com direito à respetiva identidade e autonomia. Quanto ao desenvolvimento, lembremos que ele se ativa em cada pessoa, respeitada e atendida no que requer para ser livre, criativa e responsável nas diversas projeções do seu ser. Esta finalidade do desenvolvimento de todos e de cada um constitui o verdadeiro objetivo da ação política e não pode garantir-se quando ela encubra ambições de entidades ou grupos, económicos ou ideológicos, nacionais ou internacionais que sejam. Neste momento comemorativo do “25 de Abril” também os quatro princípios permanentes da Doutrina Social da Igreja – dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade – nos levarão a prosseguir na senda então aberta.”