06/06/2026
6 de junho Sãozinha de Alenquer
Filha de Alfredo da Silva Pimentel, natural de Gavião, e de Maria Luísa Fróis da Silva Gil Ferrão de Pimentel, natural de Alenquer, Maria da Conceição Ferrão de Pimentel, conhecida pelo nome de Sãozinha de Alenquer, nasceu a 1 de Fevereiro de 1923, no Largo da Sé Nova em Coimbra. Embora a mãe de Sãozinha desejasse que o baptismo fosse o mais rápido possível, só a 12 de Abril se pode realizar a cerimónia, na igreja paroquial de Gavião, em atenção à sua avó paterna que vivia nesta vila.
Por parte da mãe, a Sãozinha descendia, pelo lado da avó materna, de duas famílias fidalgas: a dos Pessoas a dos Amorins, que viriam a fixar-se em Alenquer. A ascendência paterna vinha da união de duas famílias nobres: os Pimentel e os Teixeira. Da nobre estirpe dos Pimentéis descendem D. Nuno Álvares Pereira, a Sereníssima Casa de Bragança e grande parte das Casas Reais europeias. Da família dos Teixeira, uma das mais antigas e ilustres de Espanha, deriva D. Tafez Serracin, rico-homem e senhor de Lanhoso, da casa militar do Conde D. Henrique e descendente de D. Favila, Rei das Astúrias. Um dos descendentes desta família, Serafim Maria Pimentel de Teixeira, natural de Alvaiázere viria a casar-se com Maria Capitolina Conceição e Silva Pimentel, natural de Gavião, que viriam a ser os avós paternos de Sãozinha, estando agora explicada a sua ligação à vila de Gavião. Menina rica, filha única, bonita, aluna distinta, condecorada com muitas medalhas pelos seus triunfos escolares, piedosa, pura como um anjo. Precoce e inteligente, sempre preocupada com o próximo, Sãozinha teve uma infância igual à de tantas outras crianças, mas cedo aprendeu a viver os sofrimentos dos outros, dos pais e dos estranhos. Quando em Abril do ano de 1929, Sãozinha ingressou na escola em Abrigada, Alenquer, onde sempre viveu com os pais, já sabia soletrar e escrever o seu nome. Receando os pais pô-la em contacto com outras crianças, esta aluna exemplar, tão precoce no raciocínio respondeu-lhes que
Gostaria de estudar junto às mais pobres, pois, como a respeitavam, não diriam nomes feios ao pé dela e, se os dissessem saberia ensinar-lhes que era pecado.
Sempre se fez notar pela sua delicadeza, pudor e extrema religiosidade. O seu amor a Jesus, Nossa Senhora e Santa Terezinha foi uma constante ao longo da sua vida e manifestou-se desde muito novinha.
Até quando a família ia a banhos para a Praia de Santa Cruz a Sãozinha embora fosse uma criança alegre, tinha sempre uma extrema preocupação para que, com a sua conduta, não desagradasse a Jesus.
Sofria uma grande tristeza : seu pai, médico distinto, não praticava a religião. Quanto sacrifícios e orações ofereceu pela sua conversão a filha querida ! Sobretudo no Natal e Páscoa pedia e esperava tão grande graça. No Natal de 1939, o último que passou na terra, desabafa com a mãe :
Ainda não foi desta que o paizinho recebeu Nosso Senhor e eu estava tão cheia de esperança, e nem sequer foi beijar o Menino Jesus como os outros !
Para arrancar ao Céu tão grande graça faz o maior de todos os sacrifícios : oferece a sua vida pela conversão do Pai. Aceitou o Senhor a heroica oferta. Depois de dois meses de atroz sofrimento, morre aos 17 anos de idade no hospital de S. Luís, em Lisboa, aos 6 de Junho de 1940. Esmagado pela dor, continuava empedernido seu pai, até que chegou o dia da graça.
Aprouve a Deus -- escreve o Doutor Alfredo Pimentel -- que a missa do 30° dia, em sufrágio de alma da Sãozinha fosse rezada, justamente na igreja de São Francisco, em Alenquer, onde ela fizera a sua Primeira Comunhão, no dia mais feliz da sua vida. Ali, depois de evocar, com o coração retalhado de saudade, a doce figura da minha filha, as suas virtudes heroicas, a sua candura e simplicidade, toda a sua vida de amor e abnegação, revi, com a alma repassada de amargura, todo o meu passado de indiferença religiosa e compreendi que, para além da vida terrena, outra vida, mais perfeita e mais bela, nos espera no seio de Deus. Então, quase instintivamente, abeirei-me do confessionário e fiz com humildade a minha confissão aos pés do confessor, preparando-me assim para receber comovidamente a Sagrada Comunhão. Sãozinha, a minha querida Filha, acabava de ver realizado o que tão ardentemente pedia ao Senhor ! Desde então procuro, com a graça de Deus, cumprir todos os meus deveres de cristão.
O processo da sua beatificação decorre no Tribunal da Santa Sé.
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