Comunidade de São Paulo do Viso (Paróquia Senhora do Porto)

Comunidade de São Paulo do Viso (Paróquia Senhora do Porto) A igreja de S. Paulo do Viso foi Inaugurada em 17 de Março de 1985, num formato que recorda uma tenda A Igreja de S. Paulo (ali benzida por D.

Paulo do Viso (da paróquia da Senhora do Porto), fundada pelo Padre António Inácio Gomes (falecido em Outubro de 2005) que, a partir de Fevereiro de 1980, iniciou a campanha Vamos construir a igreja de S. Paulo do Viso foi inaugurada no dia 17 de Março de 1985, tendo então a celebração sido presidida por D. Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo Bispo do Porto. O espaço de culto começou por ser um pavilhão pré-fabricado até que, em terreno cedido pela Câmara, se construiu a actual igreja, num formato que recorda uma tenda, projecto da autoria do Arq. Vasco Morais Soares, que ocupou o espaço do antigo pavilhão. Paulo do Viso foi Igreja jubilar no Ano Paulino e recebeu duas imagens: a de S. Manuel Clemente) e a da Senhora do Rosário, ambas da autoria da escultora Ana Carvalho. Nesse ano recebeu peregrinações de vários pontos da Diocese e ali se realizou o encerramento da celebração do ano Paulino pelas paróquia das cidade do Porto.

19/09/2026
19/09/2026

Quando meditares

Quando meditares, sê como uma montanha,
firme no silêncio,
enraizado na eternidade.
Não faças nada: senta-te e permanece,
e colherás o fruto que brota da tua oração.

Quando meditares, sê como uma flor,
sempre voltada para o sol.
O seu caule, qual coluna vertebral,
ergue-se bem direito.
Abre-te, disponível para acolher tudo sem medo,
e a luz não te faltará no caminho.

Quando meditares, sê como um oceano,
sereno nas suas profundezas.
As suas ondas vêm e vão.
Mantém o coração em paz
e os pensamentos passarão por si sós.

Quando meditares, recorda a tua respiração:
é por ela que vivemos.
Vem de Deus e a Deus regressa.
Une a palavra da oração ao sopro da vida
e nada te separará do Doador da vida.

A montanha ensina-nos o sentido da eternidade;
a flor, ao murchar, o sentido do efémero;
o oceano ensina a guardar a paz diante da tempestade.
E o amor ensina-nos sempre o Amor...

Irmão Serafim do Monte Athos
(adaptado pelo irmão Jan Bereza, OSB)

12/09/2026

A Liberdade do Espírito: O Caminho dos Profetas Vivos

"A nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida quotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo acontece com normalidade, mas na verdade a fé se vai desgastando e degenerando em mesquinhez".

(Cardeal Joseph Ratzinger)

«Jesus chorou sobre Jerusalém: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintainhos sob as asas, e tu não quiseste!" (Mt 23,37). Ele não chorou pela incredulidade, mas pela resistência; não pela ignorância, mas pelos corações endurecidos. Esse choro atravessa a história sempre que a Palavra é ouvida, mas não acolhida; sempre que se prefere a segurança do templo ao risco do Reino.

Os profetas foram enviados para dizer a verdade do presente; por isso, foram rejeitados. Jesus não teve meias palavras: "Ai de ti, Jerusalém, que matas os profetas" (Mt 23,37). E criticou severamente aqueles que «constroem sepulcros aos profetas», ao mesmo tempo que neutralizam a sua palavra viva (cf. Mt 23,29). O profeta morto não incomoda; o vivo, sim. É por isso que o honram quando já não pode falar.

Jesus não se refugiou em túmulos nem em memórias piedosas. Percorreu as estradas, tocou nos doentes, comeu com os excluídos e permitiu que a vida rompesse com a norma. Quando o acusaram de violar a lei, Ele respondeu com com uma frase que continua a interpelar todas as religiões: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado" (Mc 2,27). Ali revelou-se o coração de Deus: tudo o que não dá vida não vem d’Ele.

Muitos crentes têm carregado, ao longo dos anos, fardos que não provêm do Evangelho. Jesus já o tinha denunciado: "Atam cargas pesadas e põem nas sobre os ombros dos outros" (Mt 23,4). Hoje, muitos procuram simplesmente o que Ele prometeu: "Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei" (Mt 11,28). Não procuram uma fé extraordinária, mas uma fé autêntica, capaz de sustentar a vida sem medo nem tutela permanente.

O profeta não clama de fora; escuta a partir de dentro. Recolhe-se em oração para discernir, não para fugir. O próprio Jesus, na noite decisiva, disse: "Não se faça a minha vontade, mas a Tua" (Lc 22,42). A oração verdadeira não adormece: desperta. E dessa escuta nasce uma palavra que ilumina o presente e o julga à luz do Reino.

Ao longo dos séculos, a Igreja foi-se acorrentando a grilhões que a impedem de se mover com a liberdade do Evangelho. Criou teorias e sistemas que, mais do que brotar da Escritura, parecem destinados a assegurar a própria continuidade. Jesus não morreu para apoiar uma instituição religiosa nem para apaziguar um Deus irado através de um sacrifício expiatório, mas tal como morreram os profetas: para dar testemunho da verdade. Foi fiel até ao fim, e essa fidelidade conduziu-o à cruz.

Não estava ocupado a fundar uma instituição, nem a instituir um sacerdócio separado, nem a consolidar estruturas sagradas como fins em si mesmas. Anunciou um Reino que ultrapassava todas as formas fechadas e colocava a pessoa no centro.

Jesus foi profundamente religioso — não no sentido cultual ou institucional, mas na profundidade de quem vive radicalmente voltado para Deus e para o ser humano. E, como tantos profetas antes e depois d'Ele, enfrentou a resistência de um sistema religioso que se defendia a si mesmo.

Hoje, a Igreja poderia, se quisesse, responder com coragem às urgências pastorais do seu povo. Poderia abrir novos caminhos. Mas não quer. Teima. Prefere preservar funções, controlos e seguranças, mesmo que o povo fique sem pão. E assim se repete a velha acusação profética: "Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim" (Is 29,13).

Aqui revela-se uma ferida antiga: a dificuldade da Igreja em confiar na ação de Deus na consciência dos crentes. No entanto, Jesus foi claro: "O Reino de Deus está dentro de vós" (Lc 17,21). E deu um passo decisivo ao afirmar: "Já não vos chamo servos… mas a vós chamei-vos amigos" (Jo 15,15). A amizade pressupõe confiança, diálogo e responsabilidade partilhada. A fé adulta não é rebeldia: é fruto do Espírito.

Quando a instituição se coloca acima do Evangelho, quando substitui a confiança pelo medo e o discernimento pelo controlo, deixa de escutar a voz que diz: «Não endureçais o vosso coração» (Sl 95,8). Então cumpre-se a advertência de Jesus: "Toda a planta que meu Pai não plantou será arrancada." (Mt 15,13). Não por castigo, mas porque o que não nasce do Espírito não pode dar fruto. "Pelos seus frutos os conhecereis." (Mt 7,16).

Hoje, mais do que nunca, percebe-se que um cristianismo clerical e paternalista está em declínio. A Igreja é, antes de mais, o povo de Deus, não os hierarcas que se consideram donos da fé e dos crentes. Estes fazem parte da Igreja, mas não são a Igreja, longe disso; a sua autoridade não pode substituir a liberdade e a consciência de todo o batizado...»

Excertos da carta de José Carlos Enríquez Díaz ao teólogo espanhol Andrés Torres Queiruga
(Traduzido e adaptado por Paulo Costa)

Fonte: https://www.facebook.com/20531316728/posts/10154009990506729/

Imagem: série "The Chosen"

11/09/2026
04/09/2026

A Vocação que nos habita

Há em cada ser humano uma sede que só o Amor pode preencher.

O ser humano só encontra a sua plena realização quando cresce à imagem d'Aquele que o criou. Essa vocação encontra a sua plenitude quando reconhecemos Aquele que nos chama pelo nome. Em cada pessoa habita uma força silenciosa que a impele a tornar-se semelhante Àquele que a criou.

A palavra de Santo Agostinho permanece hoje tão atual como no seu tempo:

"Fizeste-nos para Ti e o nosso coração permanece inquieto enquanto não repousar em Ti."

Há sempre, no coração humano, uma atração por quem vai mais longe, vive mais fundo e abre novos horizontes.

Quem vive verdadeiramente experimenta sempre a fome de um "mais".

Mesmo quando alguém O nega ou procura esquecê-Lo, permanece no mais íntimo do seu coração uma nostalgia de Deus.

Quando alguém afirma que deseja ser verdadeiramente ele mesmo, está — talvez sem o saber — a responder a essa vocação interior que o impele a tornar-se tudo aquilo para que foi criado.

Porque todo o desejo verdadeiramente humano encontra a sua nascente naquele Deus que habita em nós.

Há muito que me impressiona a afirmação de um psicólogo russo: nunca existirão duas mães que amem da mesma maneira.

E recordo a palavra de um teólogo alemão: não existem duas imagens iguais de Cristo no coração dos crentes.

Somos únicos, originais e irrepetíveis, mas atravessados pela mesma corrente de Vida e de Amor.

O cristianismo revela toda a sua verdade quando é vivido não apenas como um conjunto de crenças, mas como comunhão com Cristo, que nos introduz na dinâmica do amor.

Por isso, a fé cristã é muito mais do que a adesão a um credo: é o encontro com uma Pessoa viva, cuja presença continua a transformar a história.

Mas, para entrar em verdadeira comunhão com o outro, não basta reconhecer que ele é diferente nem aceitar, em teoria, a riqueza da sua singularidade.

É preciso acolhê-lo como um mistério, deixando que a corrente do Amor nos una naquilo que cada um tem de único e irrepetível.

Juan Arias (adaptado)

01/09/2026

Deixa Deus ser Deus

Quando te retirares para a oração,
entra de mãos vazias.

Deixa para trás o que fizeste,
o que ficou por fazer
e o que ainda virá.

Não sobrecarregues este momento
com planos, preocupações ou lembranças.

Deixa passar todos os pensamentos,
bons ou maus.

Se não sentires necessidade,
não rezes em voz alta.

Mas, se disseres alguma coisa,
não te detenhas no número de palavras,
no seu significado
ou na sua beleza.

Seja um salmo,
um hino,
uma antífona
ou qualquer outra oração:
não é aí que está o essencial.

Também não te preocupes
com o silêncio da tua oração,
nem com o facto de ser pronunciada em voz alta.

Não examines aquilo que pedes,
nem se o teu pedido é particular
ou universal.

Esvazia a mente de tudo.

Conserva apenas uma intenção nua
voltada para Deus.

Não a vistas com ideias
sobre quem Deus é
ou sobre aquilo que faz.

Limita-te a reconhecer
que Ele é.

Deixa Deus ser Deus.

Não procures alcançá-lo
com a tua inteligência.

Confia apenas
que Deus é Deus.

Que essa confiança
seja o fundamento da tua oração.

Quando esta intenção nua
se enraíza na fé,

a mente e o coração recolhem-se
num único e simples movimento de amor.

É como se Lhe dissesses:

«Senhor,
ofereço-me a Ti.

Não procuro compreender-Te.

Recebo-Te
tal como és.

Nada mais.»

Não permitas que os teus pensamentos
te afastem deste caminho,
só porque deixaram de encontrar
o alimento
a que estavam habituados.

Eles vão reclamar.

Vão tentar convencer-te
a regressar
às longas reflexões sobre ti mesmo.

Não cedas.

Não os alimentes.

Por mais úteis
ou espirituais
que essas reflexões pareçam,
fragmentam o coração
e desviam-no
da simplicidade de Deus.

Nada se compara
à atenção sem imagens,
quando, em silêncio,
te ofereces inteiramente a Deus.

Permanece aí.

No mais fundo
da tua alma.

Não recues.

Permanece nesta simplicidade,
mesmo quando a tua mente
te sugerir
um caminho mais elevado.

Deus encontra-se
precisamente aqui.

Porque é na simplicidade
que Deus une a alma a Si.

A mente já não vive dispersa,
mas repousa inteiramente n'Ele.

Ele é a origem do teu ser,
como é a origem
de toda a criação.

N'Ele
vives,
te moves
e és.

Não procures
mais do que isto.

Permanece.

Texto traduzido e adaptado a partir de Carmen Acevedo Butcher, "The Cloud of Unknowing: A New Translation (segunda parte: The Book of Privy Counseling)".

Endereço

Rua Do Padre Francisco Rangel, 101
Porto
4250-215PORTO

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Sábado 18:00 - 20:00
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