28/02/2026
No primeiro domingo do mês de março, quando o inverno começa lentamente a inclinar-se diante da promessa da primavera, a comunidade reúne-se em oração para recordar os pais que já partiram desta vida. Não os recordamos como quem fala de um passado fechado, mas como quem contempla uma presença transformada. A morte levou-os do nosso olhar, mas não lhes retirou a dignidade eterna de serem pais.
Um pai não deixa de o ser quando o seu coração deixa de bater na terra. Tal como uma estrela que desaparece do horizonte ao cair da noite e, no entanto, continua a brilhar no firmamento, também o amor de um pai permanece vivo para além da fronteira da morte. O corpo pode descansar no silêncio da terra, mas a paternidade continua a pulsar no mistério da eternidade.
Os filhos continuam a caminhar na vida com a marca invisível das mãos que os ensinaram a andar. Nos conselhos que ecoam na memória, no exemplo que permanece como um farol em noites de dúvida, nos gestos aprendidos no quotidiano simples da família, o pai continua presente. É como uma raiz profunda que permanece escondida sob a terra, mas sustenta a árvore que cresce e dá fruto.
A fé ensina-nos que a morte não é um muro, mas uma porta. Não é um ponto final, mas uma vírgula no grande livro da vida que Deus escreve com cada um de nós. Por isso rezamos pelos nossos pais falecidos. Se já contemplam a luz do Céu, unimo-nos à sua alegria. Se ainda caminham para essa plenitude, as nossas orações são como velas acesas que iluminam o caminho da sua esperança.
Neste mês dedicado aos pais, a nossa memória torna-se um altar. Sobre ele colocamos a gratidão, as lágrimas discretas, as saudades que não se apagam. Cada recordação é como uma flor depositada diante de Deus. E cada oração sobe como incenso, perfumando o céu com o amor dos filhos.
Porque um pai nunca deixa de ser pai. Mesmo quando o silêncio da morte parece ter falado mais alto, o amor continua a falar mais forte. E assim acreditamos — com a confiança humilde dos que rezam — que aqueles que nos ensinaram a viver na terra continuam agora a interceder por nós junto de Deus, na eterna casa do Pai.