Paróquia de Pombeiro

Paróquia de Pombeiro Página Oficial da Paróquia de Santa Maria de Pombeiro, Vigararia de Felgueiras, Diocese do Porto Bem vindos! Cá vos esperamos.

Saúdo com muita estima todos os que chegam a esta página. Como se saúda quem bate à porta, quem procura e, finalmente, encontra. Por aqui entrará na Paróquia de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras, onde pode achar-se um mundo de sentimentos e propósitos, esforços e persistências, que assinalam o melhor que se realiza nesta terra, para alimentar a esperança e construir a solidariedade e a paz. E, c

omo sempre acontece quando a realidade é densa e fértil, quem vem à procura de algo acaba por encontrar muito mais. Cá vos espera Aquele que nos recebe a todos!

31/05/2026
Início da visita de nossa senhora pelas ruas da nossa paróquia
31/05/2026

Início da visita de nossa senhora pelas ruas da nossa paróquia

04/04/2026

Homilia de Sábado Santo
Há uma noite que atravessa toda a Escritura. Uma noite longa, feita de promessas e quedas, de fidelidade de Deus e de infidelidade do homem. As leituras que escutámos são como fragmentos dessa história: Deus cria o mundo e confia-o ao homem, e o homem perde-se; Deus chama Abraão e pede-lhe confiança, e o coração humano oscila entre fé e medo; Deus abre o mar para libertar o seu povo, e, pouco depois, esse mesmo povo murmura, esquece, volta atrás. É sempre a mesma história: Deus permanece fiel… e o homem tantas vezes não.
Mas, apesar de tudo, há uma linha que nunca se quebra. Deus não desiste. Mesmo quando o homem falha, mesmo quando se afasta, mesmo quando se perde, Deus continua a procurar, a chamar, a abrir caminhos onde parecia não haver saída. E esta noite — a noite santa da Vigília Pascal — é o momento em que percebemos que toda essa história não era apenas um conjunto de episódios dispersos, mas um caminho que conduzia a um ponto decisivo: a ressurreição de Cristo.
E, no entanto, o Evangelho começa ainda no escuro. “Depois do sábado, ao romper do primeiro dia da semana…” Ainda é madrugada, ainda há silêncio, ainda há peso no coração. As mulheres vão ao túmulo não para encontrar vida, mas para cuidar de um corpo morto. Levam consigo o luto, a desilusão, o fim de uma esperança. Para elas, tudo acabou. E talvez este seja o primeiro ponto que nos aproxima profundamente deste Evangelho: também nós conhecemos momentos assim, momentos em que parece que tudo terminou, em que aquilo em que acreditávamos se desmoronou, em que a esperança se tornou frágil. E é precisamente aí que Deus intervém.
São Mateus fala de um grande terramoto. Não é apenas um fenómeno natural; é um sinal. Algo está a mudar radicalmente. O anjo desce, remove a pedra, senta-se sobre ela. Aquilo que parecia fechado, definitivo, irreversível — abre-se. E a primeira palavra que ecoa é esta: “Não tenhais medo.” Porque a ressurreição começa por tocar o lugar mais profundo do coração humano: o medo.
O anjo diz: “Sei que procurais Jesus, o crucif**ado. Não está aqui; ressuscitou.” Esta frase é essencial. Não diz apenas “Jesus vive”, como se fosse uma ideia vaga; diz: “o crucif**ado ressuscitou.” Ou seja, aquele que sofreu, aquele que foi rejeitado, aquele que morreu na cruz — é o mesmo que agora vive. A ressurreição não apaga a cruz; transforma-a. E isto é decisivo para a nossa fé: Deus não elimina o sofrimento como se nunca tivesse existido; entra nele e abre-o à vida.
As mulheres partem com uma mistura de sentimentos que o evangelista descreve com uma beleza rara: “com temor e grande alegria.” Não é uma alegria superficial, fácil; é uma alegria que nasce no meio do espanto, quase tremida, ainda a tentar compreender o que aconteceu. E, no caminho, acontece o inesperado: Jesus vem ao encontro delas. Não esperam, não procuram — Ele toma a iniciativa.
E a primeira palavra de Jesus é simples: “Alegrai-vos.” Não é uma ordem pesada, não é uma exigência moral; é um convite que nasce da realidade nova que Ele traz. Depois, diz: “Não temais.” Como se soubesse que o coração humano precisa de tempo para acreditar que a morte não tem a última palavra.

Elas aproximam-se, abraçam-Lhe os pés, prostram-se. Este gesto é profundamente concreto. Não é uma visão distante, não é uma experiência espiritual vaga. É um encontro real. Tocam, reconhecem, adoram. E aqui está o centro de tudo: o cristianismo não nasce de uma ideia, mas de um encontro com um vivo. E, no entanto, este encontro não f**a fechado nelas. Jesus envia-as: “Ide anunciar aos meus irmãos…” A ressurreição não é algo para guardar; é algo para comunicar. Porque quando a vida vence a morte, não pode f**ar em silêncio.
E agora, inevitavelmente, este Evangelho desce à nossa vida. Também nós trazemos connosco noites. Noites de cansaço, de dúvidas, de perdas, de feridas que parecem não fechar. Também nós, muitas vezes, caminhamos como aquelas mulheres: com gestos de fidelidade, sim, mas com o coração pesado, sem esperar grande coisa. E é precisamente aí que este Evangelho nos encontra.
“Não está aqui.” Isto não é apenas sobre um túmulo em Jerusalém. É sobre todas as situações da nossa vida onde pensamos que tudo acabou. É sobre todas as pedras que julgamos definitivas. Deus continua a abrir caminhos onde nós vemos apenas fim. Mas há algo ainda mais exigente: reconhecer que Aquele que ressuscita é o mesmo que foi crucif**ado. Ou seja, que as nossas feridas, as nossas quedas, os nossos fracassos não são apagados magicamente, mas podem ser transformados. Nada, absolutamente nada, é tão perdido que Deus não possa tocar e renovar.
Talvez, no fundo, a pergunta desta noite seja simples e decisiva: acreditamos que a vida pode nascer onde parecia impossível? Acreditamos que Deus continua a agir, mesmo quando não vemos, mesmo quando não sentimos? Porque a ressurreição não é apenas um acontecimento do passado. É uma possibilidade aberta no presente. Uma possibilidade de recomeço, de transformação, de vida nova. E talvez o maior milagre desta noite não seja apenas que Cristo ressuscitou, mas que Ele continua a vir ao nosso encontro, a dizer-nos, como às mulheres: “Não temais… alegrai-vos.”
Porque, no fim de tudo, é isto que f**a: Deus é mais fiel do que a nossa infidelidade, mais forte do que a morte, mais persistente do que qualquer noite. E quem se deixa encontrar por Ele descobre que a última palavra nunca é o fim… mas a vida.

04/04/2026
Cerimónias de Sábado Santo
04/04/2026

Cerimónias de Sábado Santo

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