CAPELA E CULTO A SÃO FÉLIX
A Capela de São Félix, que se ergue no alto do monte que ostenta o mesmo nome, já em 1161, numa carta de doação da freguesia da Estela ao Convento de São Bento de Tibães, era assim citada: «in Villa Stella et habet jacentum ipsa hereditas alpe Santi Felicis (…) des laundos in mare et des Nabalis in Contariz», servindo o monte de marco natural para localizar a doação. Ex
istiu um castro no alto do monte, do qual nada, ou quase nada, se pode verificar da sua longínqua existência. Estávamos na pré-história. Posteriormente, a fisionomia do monte foi-se modificando, embora continue, em nossos tempos, como monte sem vegetação de grande porte. A transformação ficou a dever-se ao facto de se aproveitar a sua altura para nele se instalarem os moinhos de vento, que hoje são somente motivo de atracção turística. Como ponto de referência natural, ele sempre foi usado para balizar terras e milhas marítimas, como acontece hoje, pelo seu marco geodésico de primeira classe. O nome de São Félix, dado a este monte, não sofreu algum desgaste até ao dia de hoje, o mesmo acontecendo com a devoção popular, embora o Santo tenha deixado de ser padroeiro em muitos lugares. Já em 1617, o povo de Laundos era devoto de São Félix, a avaliar pelas doações que fazia à sua Ermida, como se pode verificar pelo Livro de Capítulos, arquivado nesta paróquia. Era uma capelinha tradicional dos cimos dos montes, sem torre e com um pequeno sino emoldurado num arco de granito, no alto da parede sul. Essa Ermida devia ser um pouco mais ou menos como um nicho, porque, no ano de 1845, foi acrescentada e reformada e, deste modo, novamente benzida, por ordem e com licença do Arcebispo Primaz de Braga. Nos anos trinta do século XX, ergueu-se a Capela, com o tamanho mais ou menos actual, benzida, em 2 de Agosto de 1930, com a autorização do Arcebispo, D. Manuel Vieira de Matos. Como era costume acontecer nos séculos anteriores à nossa nacionalidade, serviu este monte para lugar de contemplação de alguma alma mística eremita. Esta Capela ganhou dois altares setecentistas, provenientes da igreja de São Pedro de Rates, aquando da reforma daquele Monumento Nacional. São Félix é invocado para vários males. Contudo, o povo crente coloca em São Félix a esperança de ver resolvidos os problemas causados por males desconhecidos. O modo de pagar as promessas é variado: romaria de joelhos, pela Rua de São Félix acima; oferta de ovos ou dinheiro pedidos de porta em porta; dádiva de frangos ou coelhos pretos; romarias à meia-noite, quando o mal é mais aflitivo… Talvez ande um pouco de superstição um tanto ou quanto misturada com a fé cristã! Em 1980, deu-se a primeira das obras de restauro definitivo da Capela. Efectivamente, procedeu-se ao alargamento da Capela em forma de “T” e ao aproveitamento dos baixos do altar-mor para servir de sacristia e de sala de arrumos. Por fim, a Confraria de São Félix fez desaparecer os três arcos em ogiva, passando para aí a fachada principal da Capela. Com tudo isso lucrou o espaço interior. Também se sentiu beneficiada pelo arranjo que sofreu o seu monte, graças ao seu benemérito, o Dr. Manuel Moreira Giesteira. Resumo feito pelo falecido pároco de Laúndos, P.e Dinis Lopes.