12/08/2026
Nesta terça-feira, partilhamos as palavras do Papa Leão XIV, proferidas no Angelus do dia 9 de agosto de 2026, na Praça de São Pedro.
“Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, o Evangelho fala-nos de Jesus que, caminhando sobre as águas do mar da Galileia, vai ter com os discípulos no meio de uma tempestade (cf. Mt 14, 22-33).
Após o milagre dos pães e dos peixes (cf. Mt 14, 13-21), o Mestre obriga os seus discípulos a embarcar e ir adiante para a outra margem, enquanto Ele se retira num monte, sozinho, para rezar. Longe da costa, porém, encontram-se à mercê do vento e têm dificuldade em avançar. Depois de uma experiência bem-sucedida, na qual tinham sido protagonistas de um sinal prodigioso, encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário.
No final da noite, Jesus vai ao encontro deles sobre as águas agitadas, e, assustados, confundem-no com um fantasma (v. 26). Mas Ele diz-lhes: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» (v. 27). A presença do Senhor muda tudo: Pedro chega mesmo a dar alguns passos sobre as ondas em direção a Ele; depois assusta-se, começa a afundar e Jesus salva-o. Quando o Mestre entra no barco, a tempestade acalma e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» (v. 33).
Para chegar a este ponto, não lhes bastou assistir a um milagre, nem ter tido bom êxito diante das pessoas: tiveram de passar pela experiência da própria fraqueza, reconhecendo nela a presença de Deus. Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade.
Um dia, mais tarde, Jesus dir-lhes-á: «Se tiverdes fé e não duvidardes […], se disserdes a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar”, assim acontecerá» (Mt 21, 21). E foi precisamente isso que eles experimentaram no lago: a paz de Cristo, que tinha estado na montanha a rezar, alcançou-os no meio da fúria das águas.
Com efeito, este milagre ensina-nos algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos do sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros; depois, a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar. Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida – através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra –, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho.
Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, Ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé (cf. Lc 1, 45).”