Paroquia de Nossa Senhora das Candeias Mourão

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Esta semana as eucaristias são:- Terça-feira - 19h- Quinta-feira - 19h - Sábado ( Dia de Santa Maria ) - 11:30 ( Igreja ...
09/08/2026

Esta semana as eucaristias são:

- Terça-feira - 19h
- Quinta-feira - 19h
- Sábado ( Dia de Santa Maria ) - 11:30 ( Igreja Matriz )
- Domingo 11:30

P.S. - Não haverá missa vespertina no sábado

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano AÉ nos momentos de crise que a fé amadureceTensões, conflitos, incompreensões acompanha...
09/08/2026

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano A

É nos momentos de crise que a fé amadurece

Tensões, conflitos, incompreensões acompanham sempre as relações Igreja/mundo, mas tornaram-se mais evidentes com o advento do empirismo e do racionalismo, que caraterizaram o pensamento dos séculos XVII e XVIII. A visão puramente naturalista do mundo, bem como a confiança incondicional na razão, pareceram minar os fundamentos da própria fé e do sobrenatural.
Ditada pela suspeita e pelo medo, a resposta imediata dos crentes não foi serena, e o movimento de purif**ação das ideias, da linguagem e das práticas religiosas sofreu atrasos, paragens, repensamentos e involuções. Hoje, já se podem evidenciar as grandes mudanças que, estimuladas pelas provocações seculares, se realizaram, sobretudo, após o Concílio Vaticano II. Do estudo e da meditação da palavra de Deus, finalmente na mão dos cristãos, emerge e é dada ao mundo, não obstante algumas contradições, uma imagem de Deus liberta de categorias arcaicas, um povo rosto do homem, uma Igreja mais evangélica e a proposta de uma sociedade baseada em valores autênticos.
Já no tempo do profeta Elias tinha acontecido algo de semelhante, como nos relata a primeira leitura. Uma mudança de mentalidade ainda maior foi pedida por Jesus aos seus discípulos, como veremos no trecho do evangelho. O caminho da conversão não está ainda concluído. Não só pelos sinais dos tempos, mas também pelas críticas severas dos não-crentes, o Espírito convida os cristãos a projetarem o olhar, a mente e o coração para lá dos horizontes limitados e mesquinhos nos quais o receio de crescer os mantém prisioneiros.
«Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho a percorrer» – disse o anjo do Senhor a Elias, em fuga para o deserto. O profeta levantou-se, comeu, bebeu, e «reconfortado com aquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus».
Este famoso relato, do dom do pão e da água por parte do anjo a Elias, é seguido pela revelação do Senhor narrada na primeira leitura.
No trecho evangélico a cena repete-se: os discípulos, alimentados com o pão oferecido por Jesus recebem agora a ordem de se porem em movimento, de entrarem no barco e dirigirem-se para a outra margem. Como Elias, também a eles os espera uma velação do Senhor.
Há vários pormenores estranhos neste episódio. Não é fácil encontrar uma razão para a ordem dada por Jesus: por que é que os manda partir sozinhos? Onde vão àquela hora? Por que não vai com eles? Como é que precisam de tantas horas para atravessar o lago? Não parece ser devido ao mau tempo, já que Ele sobe tranquilo ao monte para rezar e f**a lá até de madrugada. Mas o mais surpreendente é a pretensão de Pedro em querer caminhar sobre as águas e – tratando-se de um nadador experimentado – o seu receio em afundar.
Estes detalhes singulares fazem desconfiar o exegeta. São um convite a olhar o trecho com circunspeção, porque não se trata do relato de prodígio, mas de uma página de teologia redigida com imagens bíblicas.
Algumas destas imagens são bem conhecidas. A escuridão da noite, que está presente, com a sua carga de signif**ados negativos, em numerosos textos do Antigo Testamento. Lembramos, por exemplo, o salmista que, durante a noite, grita ao Senhor sem encontrar sossego. É com esta escuridão que os discípulos se devem confrontar. Caindo a noite, Jesus «obriga-os» a entrar no barco e a dirigirem-se «para a outra margem». Fica-se com a impressão de que eles não queriam, de que preferiam f**ar ao lado do Mestre, mas Ele, após os ter nutrido com o seu pão, quer que partam, que empreendam sozinhos a perigosa viagem. O alimento que lhes deu representa a sua palavra e a sua pessoa presente no sacramento da Eucaristia. Nutridos por este duplo pão, eles têm a força necessária para levar até ao fim a perigosa travessia.
Se Jesus estivesse visivelmente presente no barco, as trevas dissipar-se-iam; a escuridão, porém, é densa.
Ao cair da tarde – digamo-lo já – indica, na linguagem simbólica do evangelista, a conclusão da jornada de Jesus, é o fim da sua vida, é o momento em que Ele «sobe ao monte» sozinho, em que se afasta das multidões e entra definitivamente no mundo de Deus. É por isso que os discípulos estão na escuridão. A escuridão é a imagem da desorientação, da dúvida que surge até mesmo no crente mais convicto. Há momentos em que até mesmo quem é animado por uma fé sólida se sente só, em que faz a experiência angustiante do silêncio de Deus, e em que então se pergunta se as suas opções, os seus sacrifícios, o seu empenho para o bem têm sentido.
Depois há o vento contrário. Os israelitas tinham a experiência do «furação que se levantou do outro lado do deserto» conhecem o «vento leste, que destroça as naus» e o «vento de tempestade» que levanta as ondas e rebenta com os barcos arrastando-os para o abismo, e faz os marinheiros cambalearem como ébrios».
O autor da Carta aos Efésios utiliza esta imagem para descrever o raciocínio insensato do homem, a mentalidade deste mundo, oposta à de Cristo. Lembra ele aos cristãos das suas comunidades: «Deixámos de ser crianças, batidos pelas ondas e levados por qualquer vento de doutrina, ao sabor do jogo dos homens».

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A Os que estão saciados também tem fome«O Senhor salva os oprimidos e dá pão aos que tê...
02/08/2026

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

Os que estão saciados também tem fome

«O Senhor salva os oprimidos e dá pão aos que têm fome» são as palavras com que o israelita piedoso professa a sua fé na providência. O mesmo diz Maria no seu canto de louvor: «aos famintos encheu de bens».
Mas como podem ser verdadeiras estas afirmações se um quarto da humanidade vive em condições de miséria absoluta, se em cada dia morrem de fome dezenas de milhar de crianças, se milhões de pessoas procuram comida na lixeira? Deus, que veste os lírios do campo e alimenta os pássaros do céu, ter-se-á talvez esquecido dos seus filhos? Por que é que o Pai não ouve a oração de quem todos os dias lhe pede «o pão nosso de cada dia nos dai hoje»?
Os indigentes têm fome, mas também os que vivem na abundância estão tristes, frustrados, sós; a gratif**ação de possuir dura poucos dias, ou até mesmo poucas horas, e depois volta a ansiedade, e o vazio interior obriga a procurar desesperadamente outros bens. Querer ter mais não sacia, mas aumenta a fome, e desencadeia um vórtice de morte sem saída.
Esta espiral pode ser interrompida. É possível encontrar o pão que sacia e o banquete onde abunda o vinho da alegria, mas há só um caminho para lá chegar, não há atalhos. As estradas que passam pelas boutiques, pelas ourivesarias e pelos antiquários são vistas como «vias da felicidade», mas são enganadoras. O caminho milagreiro, aquele de quem convida a suplicar por intervenções sobrenaturais, é igualmente ilusório; o Senhor não tem intenções de se substituir ao homem.
Há, porém, um prodígio que Ele promete, e que é realizado pela sua palavra: lá onde o Evangelho é acolhido, os corações desintoxicam-se do egoísmo e desabrocha a solidariedade e a partilha. Quando emergem estes sentimentos, a fome de pão desaparece e é saciada a sede de amor.

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A1ª LeituraNo Antigo Testamento, o “sonho” aparece, com alguma frequência, como uma for...
26/07/2026

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

1ª Leitura
No Antigo Testamento, o “sonho” aparece, com alguma frequência, como uma forma privilegiada de Deus comunicar com os homens e de lhes indicar os seus caminhos. No nosso texto, aparece-nos também um sonho: os catequistas deuteronomistas vão utilizar este recurso literário para apresentar Salomão como “o escolhido” de Deus, a quem Jahwéh comunica os seus projectos e a quem confia a condução do seu Povo.
O “sonho” de Salomão está estruturado na forma de um diálogo entre Deus e Salomão. Há, em primeiro lugar, uma interpelação de Deus (“que posso Eu dar-te?”); e há, depois, uma resposta de Salomão: consciente da grandeza da sua tarefa e das suas próprias limitações, o jovem rei pede a Deus que lhe dê um coração “sábio” para governar com justiça. A prece do rei é atendida e Deus concede a Salomão uma “sabedoria” inigualável (na continuação – que, todavia, o nosso texto de hoje já não apresenta – Deus acrescenta ainda outros três dons: a riqueza, a glória e a longa vida – cf. 1 Re 3,13-14).
Em termos religiosos, qual a mensagem que os autores deuteronomistas pretendem deixar com esta “ficção”?
Antes de mais, o nosso texto deixa claro que, em Israel, o rei é o “instrumento de Deus”, o intermediário entre Deus e o seu Povo. É através da pessoa do rei que Deus governa, que intervém na vida do seu Povo e o conduz pela história.
Depois, o texto mostra que Salomão não concebeu o seu papel como um privilégio pessoal que podia ser usado em benefício próprio, mas sim como um ministério que lhe foi confiado por Deus. Salomão tinha consciência de que a autoridade é um serviço que deve ser exercido com “sabedoria” e que o objectivo final desse serviço é a realização do bem comum.
Finalmente (e é talvez o aspecto mais signif**ativo para o tema da liturgia deste domingo), os autores deuteronomistas sublinham a “qualidade” da resposta de Salomão: ele não pede riqueza nem glória, mas pede as aptidões necessárias e a capacidade para cumprir bem a missão que Deus lhe confiou. Salomão aparece aqui como o modelo do homem que sabe escolher as coisas importantes e que não se deixa distrair por valores efémeros.
Dizer que a súplica de Salomão “agradou ao Senhor” (vers. 10) é propor aos israelitas que optem pelos valores eternos, duradouros e essenciais.

2ª Leitura
Esse projecto não é um acontecimento casual, mas algo que, desde sempre, está previsto nos planos de Deus.
Aos que aderem a esse projecto, Deus chama-os a identif**arem-se com o seu filho Jesus, liberta-os do egoísmo e do pecado e fá-los, com Jesus, chegar à vida nova e plena (justif**ação).
Neste contexto, Paulo fala “daqueles” que Deus “conheceu” de antemão, que “predestinou” para viverem à imagem de Jesus, que “chamou”, que “justificou” e que “glorificou”. No entanto, estes versículos não devem ser entendidos no sentido de que a salvação que Deus oferece se destine apenas a um grupo de predestinados, que Deus escolheu de entre os homens de acordo com critérios que nos escapam… A teologia paulina é clara a este respeito: o projecto salvador de Deus está aberto a todos aqueles que querem acolhê-l’O. O que Paulo sublinha aqui é que se trata de um dom gratuito de Deus e que esse dom está previsto desde toda a eternidade.

Evangelho
O texto do Evangelho deste domingo pode ser dividido em três partes. Em cada uma delas, há aspectos e questões que convém pôr em relevo e ter em conta.
Na primeira parte, temos duas parábolas – a parábola do tesouro escondido no campo e a parábola da pérola preciosa (vers. 44-46). Ambas desenvolvem o mesmo tema e apresentam ensinamentos semelhantes.
A questão principal abordada nesta primeira parte é a da descoberta do valor e da importância do Reino. Quer a parábola do tesouro escondido, quer a parábola da pérola preciosa, sugerem que o Reino proposto por Jesus (esse mundo de paz, de amor, de fraternidade, de serviço, de reconciliação que Jesus veio anunciar e oferecer) é um “tesouro” precioso, que os seguidores de Jesus devem abraçar, antes de qualquer outro valor ou proposta. Os cristãos são, antes de mais, aqueles que encontraram algo de único, de fundamental, de decisivo: o Reino. Ora, quando alguém encontra um “tesouro” como esse, deve elegê-lo como a riqueza mais preciosa, o fim último da própria existência, o valor fundamental pelo qual se renuncia a tudo o resto e pelo qual se está disposto a pagar qualquer preço. Provavelmente, Mateus está a sugerir a esses cristãos a quem o seu Evangelho se destina (adormecidos numa fé morna, inconsequente, pouco exigente) que é preciso redescobrir e optar decisivamente por esse valor mais alto, que deve dar sentido às suas vidas – o Reino. O cristão é confrontado, a par e passo, com muitos valores e opções; mas deve aperceber-se de que o Reino é o valor mais importante.
Na segunda parte, Mateus apresenta o Reino na imagem de uma rede que, lançada ao mar, apanha diversos tipos de peixes (vers. 47-50). Na versão apresentada por Mateus, a parábola apresenta um ensinamento semelhante ao da parábola do trigo e do joio (sobre a qual meditamos no passado domingo): o Reino não é um condomínio fechado, onde só há gente escolhida e santa, mas é uma realidade onde o mal e o bem crescem simultaneamente. Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele não quer a morte do pecador; por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para amadurecer as suas opções e para fazer as suas escolhas (no Evangelho de Tomé, a versão é diferente: conta a história de um pescador “sábio” que pesca vários peixes, mas f**a só com o maior e lança os outros ao mar. Aí, portanto, a parábola da rede e dos peixes apresenta uma mensagem que vai na linha das parábolas do tesouro descoberto no campo e da pérola preciosa. Alguns autores pensam que a versão apresentada no Evangelho de Tomé constitui a versão primitiva da parábola da rede e dos peixes).
A referência que Mateus faz (mais uma vez) ao juízo final é uma forma de exortar os irmãos da sua comunidade no sentido de escolherem decididamente o Reino e porem em prática as propostas de Jesus.
Na terceira parte do Evangelho que nos é proposto, Mateus apresenta um breve diálogo entre Jesus e os discípulos (vers. 51-52).
Neste diálogo temos uma espécie de conclusão de todo o capítulo. Mateus sugere que o verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que & ldquo;compreende”. Ora, “compreender”, na teologia mateana, signif**a “prestar atenção” e comprometer-se com o ensinamento proposto. Os cristãos são, pois, convidados a descobrir a realidade do Reino, a entender as suas exigências, a comprometerem-se com os seus valores. A referência ao “escriba” que “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” pode referir-se aos judeus, conhecedores profundos do Antigo Testamento (o “velho”), convidados agora a reflectirem essas velhas promessas à luz das propostas de Jesus (o “novo”). É nessa dialéctica sempre exigente e questionante que o verdadeiro discípulo encontra o caminho para o Reino; e, depois de encontrar esse caminho, deve comprometer-se com ele de forma decisiva, exigente, empenhada.

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano AA impaciência do homem e a calma de DeusA obra criadora teve início com a separação da...
19/07/2026

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

A impaciência do homem e a calma de Deus

A obra criadora teve início com a separação da luz das trevas; o firmamento foi posto para separar as águas que estão por cima do céu das que se encontram na terra; Deus disse: «Haja luzeiros no firmamento dos céus, para separar o dia da noite». No fim destas separações, o autor sagrado comenta: «Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa».
Desde aquele dia, o homem – talvez pelo medo inconsciente de que os opostos possam de novo fundir-se e voltar a trazer o caos, a desordem que tornava impossível a vida – é levado instintivamente a levantar paliçadas e a estabelecer uma separação entre bons e maus, entre o que é puro e o que é impuro, entre santos e ímpios, entre os amigos de Deus e os seus inimigos. Alguns textos da Bíblia, interpretados superficialmente, parecem aprovar tais discriminações: «Sede santos para mim, porque Eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos para serdes o meu povo».
No mundo que saiu bom das mãos de Deus, a presença do mal continua a ser um enigma, um elemento de perturbação que o homem não suporta, e então, impaciente como os servos da parábola, pergunta-se: «De onde vem o joio?» É invalido pelo frenesi de resolver imediatamente as tensões que experimenta, e acaba por recorrer a remédios que são piores que o mal: torna-se impiedoso e intolerante consigo mesmo e com os outros, castiga de forma cruel, desencadeia guerras santas e deixa-se levar por aquela ira que «não deixa fazer o que é justo aos olhos de Deus».
Desta forma comete dois erros: não aceita serenamente a realidade do mundo onde o bem e o mal estão destinados a conviver, e confunde a estação do crescimento com a da colheita.
À parábola do trigo e do joio seguem-se outras duas, mais breves, chamadas «gémeas» porque contêm a mesma mensagem: a desproporção entre o pequeno início e o inesperado resultado final. Um grão de mostarda, quase invisível, dá origem a um arbusto capaz de atingir os quatro metros de altura; poucas gramas de fermento fazem levedar cinquenta quilos de farinha. O contraste é enorme!
Não se trata de um convite a g***r o prestígio presente e a saborear os triunfos futuros da Igreja que, composta inicialmente por um grupo pouco qualif**ado de pescadores e de pessoas impuras e pecadoras, se tornou uma estrutura respeitada, temida, apreciada, capaz de se fazer notar e de se impor. Não é sequer um anúncio da cristianização progressiva e imparável de todo o mundo.
Assim como acontecia com a parábola precedente, que exortava à paciência e à confiança, estas duas são um convite ao optimismo, derivante da certeza que no Espírito e na palavra de Cristo – mesmo se insignif**antes aos olhos do mundo – está presente a força irresistível de Deus.
O evangelista conclui as três parábolas com uma reflexão sobre o objetivo que Jesus quis atingir com elas: desvendar o projeto que, desde o início da criação, Deus tem para o mundo.

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano AAté mesmo no pecador mais calejado está presente o terreno fértil e recectivo à Palavr...
12/07/2026

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

Até mesmo no pecador mais calejado está presente o terreno fértil e recectivo à Palavra de Deus.

Que confiança oferece a palavra do homem?
Não muita. Desconsolado e desiludido, o salmista dizia: «A lealdade desapareceu de entre os filhos dos homens. Mentem uns aos outros, na sua língua só há engano, só há duplicidade no seu coração». Hoje em dia, a palavra continua a não ter muito valor: não se acredita em promessas, só há garantias de cumprimento quando os acordos são escritos e assinados; «factos, não palavras» é uma expressão que muitas vezes se ouve.
É também assim a Palavra de Deus?
No primeiro capítulo do Génesis é repetido 10 vezes este refrão: «Deus disse… e assim aconteceu». «A palavra do Senhor criou os céus. Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo foi criado». A sua palavra não é como a do homem; é viva e ef**az, faz aquilo que anuncia, não mente nem desilude.
Através de visões, êxtases, arrebatamentos, transes paroxísmicos; a espiritualidade bíblica põe em primeiro lugar a escuta, porque está certa de poder depositar uma confiança absoluta na palavra do Senhor.
«Escuta, Israel» – é a oração preferida pela piedade judaica. «Ouvi a palavra do Senhor» – recomendam os profetas. «O Senhor não se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua palavra» – «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas abriste-me os ouvidos para escutar» afirma o salmista.
Na Bíblia, escutar não signif**a receber uma comunicação ou uma informação, mas aderir a uma proposta, acolher, guardar no próprio coração e pôr em prática. Equivale a depositar confiança em Deus.
Quem escuta a sua palavra com estas disposições, é bem-aventurado.

Os quatro tipos de terreno
A aplicação da analogia à vida da comunidade tem por finalidade ajudar os discípulos a identif**arem as dificuldades que a palavra de Deus encontra em cada um. A escassez de resultados não depende da semente ou do semeador, mas do tipo de terreno.
Há antes de mais um coração duro, que o é – como o terreno de um caminho – porque muitas pessoas o calcaram. Representa o coração impenetrável à palavra de Cristo porque assimilou o modo de pensar deste mundo, adaptou-se à moral corrente, fez seus os valores propostos pelos homens. Este é o maligno, o demónio devastador que se insinua nos pensamentos e nos sentimentos tornando-os mesquinhos, frívolos, enchendo-os de propostas de vida insensatas, de raciocínios desajuizados.
Há depois um coração inconstante, que se entusiasma facilmente, mas que depois, passados poucos dias, volta a ser o que era. É como uma pedra coberta por uma pequena camada de terra: lança-se uma semente, esta germina, mas seca logo.
Há também um coração inquieto que se agita por problemas deste mundo, que vai atrás do sucesso e da riqueza, que alimenta sonhos mesquinhos. Estas preocupações são como os espinhos: sufocam a semente da palavra.
Por fim, há um coração bom, no qual o Evangelho produz frutos em abundância.
Não se trata de quatro categorias de pessoas, mas de quatro atitudes interiores que se encontram, em proporções diferentes, em cada pessoa. É inútil que o evangelizador, para lançar a preciosa semente da palavra, fique à espera de encontrar o terreno ideal, aquele perfeitamente fecundo. Terra boa, espinhos, pedras e terra árida sempre estarão juntos. Para alguns, isto poderá ser motivo de desencorajamento, mas para os verdadeiros apóstolos, para os catequistas autênticos isto será um estímulo para uma sementeira ainda mais abundante. Muitos esforços serão vãos, mas um dia, pontualmente, a espiga irá aparecer, em cada pessoa.

A VIDA É UMA ENORME INCERTEZAPor mais seguros que nos sintamos em relação a alguma questão da nossa vida, isso será semp...
05/07/2026

A VIDA É UMA ENORME INCERTEZA

Por mais seguros que nos sintamos em relação a alguma questão da nossa vida, isso será sempre mais sinal de emoção do que de razão. Ninguém pode sentir-se seguro aqui.
A fé é um dom que muitas vezes confundimos com uma espécie de negação da realidade. Cada um de nós é chamado a fazer mais do que esperar, colocando os seus talentos e as suas forças ao serviço do bem.
A realidade ultrapassa-nos, mas nunca seremos meros espectadores. Somos chamados a ser autores e atores nas muitas peças que compõem os nossos dias.
Com um palco cheio de pessoas, cada um a decidir por si só o que faz, muitos são os encontros e desencontros, os atropelos e os desentendimentos. Como se isso não bastasse, a existência é, em si mesma, imprevisível; o palco, as luzes e tudo o que não é humano parecem também ter vontade própria.
A existência é uma enorme viagem por um mar que tão depressa nos oferece a maior paz como logo a seguir nos revela que afinal nem a nossa vida conseguimos agarrar com força suficiente.
A esperança, tal como o desespero, faz sentido. No entanto, cabe-nos escolher o que esperar. É tão certo que os males de agora passarão como que outros, hoje desconhecidos, virão. Assim também é certo que os bens de que usufruímos hoje se perderão, mas que outros, que hoje nem conseguimos imaginar, estão a caminho da nossa vida!
Os sonhos fazem sempre sentido, mais ainda se nos dispusermos a trabalhar e a lutar para que se concretizem!

D. Francisco Senra Coelho celebra 40 anos de sacerdócio e 12 anos de episcopadoHoje dia 29 de junho de 2026, solenidade ...
29/06/2026

D. Francisco Senra Coelho celebra 40 anos de sacerdócio e 12 anos de episcopado

Hoje dia 29 de junho de 2026, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a Arquidiocese de Évora une-se em ação de graças pelos 40 anos de ordenação sacerdotal e 12 anos de ordenação episcopal de D. Francisco José Senra Coelho, pastor que tem dedicado a sua vida ao serviço de Deus, da Igreja e do povo que lhe foi confiado.

Nascido a 12 de março de 1961, em Lourenço Marques (atual Maputo, Moçambique), D. Francisco Senra Coelho realizou o seu percurso formativo entre Braga e Évora, ingressando em 1980 no Seminário Maior de Évora, onde concluiu os estudos teológicos. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1986, na Igreja dos Salesianos, em Évora, por D. Maurílio de Gouveia.

Ao longo de quatro décadas de ministério presbiteral, distinguiu-se pelo seu dinamismo pastoral, proximidade às comunidades e dedicação à formação cristã. Exerceu diversas responsabilidades pastorais e arquidiocesanas, destacando-se como pároco, assistente espiritual de vários movimentos eclesiais, membro do Conselho Presbiteral, cónego capitular da Sé Metropolitana de Évora e colaborador da comunicação social católica, nomeadamente através da Rádio Voz do Alentejo e da Rádio Renascença.

Reconhecendo a sua entrega pastoral e capacidade de liderança, o Papa Francisco nomeou-o Bispo Auxiliar de Braga em abril de 2014. A sua ordenação episcopal teve lugar na Sé de Évora, em 29 de junho desse mesmo ano, data que passou a marcar de forma singular a sua vida ministerial.

Após quatro anos de serviço na Arquidiocese de Braga, foi nomeado Arcebispo de Évora pelo Papa Francisco em 26 de junho de 2018, regressando à Igreja particular onde havia sido formado, ordenado sacerdote e exercido grande parte do seu ministério. Tomou posse da Arquidiocese a 2 de setembro de 2018.

O seu ministério episcopal tem sido marcado por um forte apelo à comunhão eclesial, à corresponsabilidade dos leigos, à sinodalidade e à missão. Desde a sua entrada na Arquidiocese de Évora, convocou toda a Igreja diocesana para um renovado impulso missionário, promovendo uma Igreja próxima das pessoas, atenta às periferias humanas e geográf**as, comprometida com a construção do bem comum e aberta aos desafios do tempo presente.

Entre as marcas mais signif**ativas do seu magistério destacam-se a valorização da fraternidade como caminho de evangelização, a atenção aos jovens, a defesa da dignidade da pessoa humana, o incentivo a uma pastoral de proximidade e a promoção de uma Igreja acolhedora, transparente e em permanente saída missionária. Merece igualmente destaque o empenho que tem dedicado ao fortalecimento da vida consagrada na Arquidiocese de Évora, procurando atrair novas congregações e comunidades religiosas para o território diocesano. Esta preocupação, assumida como uma das prioridades do seu ministério, tem contribuído para revitalizar o tecido da vida religiosa diocesana, enriquecendo a missão evangelizadora da Igreja e respondendo às necessidades pastorais das comunidades.

Ao celebrar 40 anos de sacerdócio e 12 anos de episcopado, a Arquidiocese de Évora reconhece e agradece o testemunho de um pastor que tem procurado servir com generosidade, simplicidade e esperança, inspirando sacerdotes, consagrados e leigos a viverem o Evangelho com autenticidade.

Neste dia jubilar, elevamos a Deus a nossa ação de graças pelo dom da sua vida e do seu ministério, pedindo que continue a conceder a D. Francisco Senra Coelho saúde, sabedoria e renovado ardor apostólico para prosseguir a missão que lhe foi confiada ao serviço da Igreja.

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM– Ano A Quem tem um coração grande não se contenta com uma casa pequenaNo início da sua vida p...
28/06/2026

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM– Ano A

Quem tem um coração grande não se contenta com uma casa pequena

No início da sua vida pública, ao longo do lago da Galileia, Jesus suscitou muito entusiasmo e obteve um sucesso notável; mas bem cedo começaram os conflitos, as incompreensões e as hostilidades. Muitos discípulos, desconcertados com as suas propostas, perderam a coragem e abandonaram-no. Até mesmo os seus familiares se mostraram sempre um pouco desconfiados. Com Ele ficou apenas um grupo muito pequeno de discípulos pertencentes às clases mais pobres e desprezadas da sociedade judaica.
O nosso trecho constitui o epílogo de um capítulo carregado de tensões e polémicas. Iniciou com a crise de fé do Baptista que enviou alguns discípulos a perguntarem a Jesus: «És Tu aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?»; continuou com o pesado juízo de Jesus sobre a sua geração e com as ameaças: «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida!».
A meio do período de vida pública, o balanço tinha que ser considerado desilusivo. Perante um tal fracasso, nós teríamos deixado cair os braços; porém, Jesus alegra-se e bendiz o Pai por tudo o que aconteceu.
A exclamação solene com que inicia o Evangelho de hoje é uma das poucas orações de Jesus reatadas pelos Evangelhos: «Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos».
Os sábios e os inteligentes são muitas vezes citados juntos na Bíblia e, com frequência, em sentido negativo. São aqueles que professam estar em busca da sabedoria, que pensam até ter o monopólio dela, enquanto, de facto, se limitam a dar cabo da cabeça com coisas sem importância e gostam de se entreter em disquisições vãs. Contra eles, o profeta Isaías dissera: «Ai dos que se têm por sábios e que se julgam espertos». Jesus não diz que estão fora da salvação, limita-se a constatar um facto: os pobres, os humildes, as pessoas marginalizadas foram as primeiras a acolher a sua Palavra de libertação. É normal – diz Ele – que isto aconteça, porque são os pequenos quem, mais do que os outros, necessitam da ternura de Deus, têm fome e sede de justiça, choram, vivem no luto e esperam que o Senhor intervenha para lhes levantar a cabeça e enchê-los de alegria. São bem-aventurados porque chegou para eles o Reino de Deus. E depois acrescenta: este facto faz parte do projeto do Pai: «Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado».
Está profundamente radicada a convicção de que Deus é amigo apenas dos bons e dos justos, que prefere quem se comporta bem e suporta com dificuldade quem peca. Este é o Deus criado pelos «Sábios» e pelos «inteligentes», é o produto da lógica e dos critérios humanos. O Pai de Jesus, pelo contrário, vai buscar aquelas pessoas que nós deitámos ao lixo, prefere quem é desprezado, que não é tido em conta por mais ninguém, os pecadores públicos e as prostitutas, porque são as pessoas que mais necessitam do seu amor. Os ricos, os que estão saciados, quem é orgulhoso do próprio saber, esses não sentem a necessidade deste Pai, conservam zelosamente o seu Deus. Também eles chegarão à salvação, certamente, mas somente quando se tornarem «pequenos». O problema é que poderão chegar atrasados, perdendo um tempo precioso.
A segunda parte do trecho contém uma importante afirmação de Jesus: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.»
Na Bíblia, o verbo conhecer não signif**a ter encontrado ou contactado algumas vezes uma pessoa, quer dizer «ter tido dessa pessoa uma experiência mais profunda». É utilizado, por exemplo, para indicar a relação íntima que há entre marido e mulher.
Um conhecimento pleno do Pai só é possível ao Filho. Todavia, Ele pode comunicar esta sua experiência a quem quiser. Quem terá a disposição certa para acolher a sua revelação? Os pequenos, naturalmente.
A última parte do trecho refere-se à opressão que os «pequenos», o povo simples da terra, os pobres, sofrem por parte dos «sábios e inteligentes».
A Lei de Deus é sem dúvida um jugo, e o sábio Sirácide recomendava ao filho: «mete os teus pés nos seus grilhões, e o teu pescoço nas suas correntes; inclina o teu ombro e carrega-a …e acharás nela, finalmente o teu repouso».
«Aprendei de mim» signif**a simplesmente: não sigais os mestres que agem como patrões das vossas consciências, que pregam um Deus que não está ao lado dos pobres, dos pecadores, dos últimos, e ensinam uma religião que, com as suas minúcias e os seus absurdos, rouba a alegria.
O trecho do Evangelho de hoje é motivo de reflexão, quer do ponto de vista pessoal quer comunitário. Qual é o Deus em que acreditamos: é o dos «sábios» ou aquele que nos revelou Jesus? A nossa comunidade, para quem é sinal de esperança: para quem está convencido de merecer os primeiros lugares ou para quem se sente indigno de atravessar a soleira da porta da igreja?

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