28/09/2026
OS FRUTOS QUE DEUS ESPERA DA SUA VINHA
A imagem da vinha atravessa a Palavra do próximo domingo como uma história de amor. Deus não é um proprietário distante que simplesmente exige resultados. É aquele que prepara a terra, planta, cuida, protege e espera. A vinha é fruto da sua solicitude.
Essa vinha somos nós. É a comunidade cristã, é a Igreja, é cada pessoa chamada a acolher o amor de Deus e a transformá-lo em vida.
Mas existe uma pergunta que a Palavra nos coloca com particular força: que frutos estamos a produzir?
Deus não procura apenas palavras bonitas, boas intenções ou uma fé vivida de forma exterior. Espera frutos concretos: amor, paz, justiça, bondade, misericórdia, fidelidade e respeito pela dignidade de cada pessoa. A fé torna-se verdadeira quando passa pelas nossas mãos, pelas nossas escolhas e pela maneira como nos relacionamos com os outros.
A parábola de Jesus introduz também uma advertência. A vinha pode ser recebida como dom, mas podemos cair na tentação de nos apropriarmos dela. Quando aquilo que Deus nos confia passa a ser usado apenas em benefício próprio, deixamos de ser cuidadores e tornamo-nos donos.
Também hoje existe o risco de uma Igreja, de uma comunidade ou de cada um de nós se esquecer de que a vinha não nos pertence. Os dons que recebemos — a fé, o tempo, os talentos, as responsabilidades, os bens, as relações — não são apenas para nós. São oportunidades para produzir frutos que alimentem a vida dos outros.
Por isso, a Palavra deste domingo não nos convida a olhar apenas para os outros e perguntar se estão a dar bons frutos. Convida-nos primeiro a olhar para dentro.
Que fruto nasce da minha presença junto dos outros?
Onde estou, levo paz ou conflito?
Levo esperança ou desânimo?
Construo justiça ou alimento a indiferença?
Sei perdoar e usar de misericórdia?
As minhas palavras e atitudes revelam o amor de Deus?
São perguntas simples, mas profundamente exigentes.
Paulo aponta-nos um caminho: procurar aquilo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável e digno de louvor. Não se trata de uma perfeição impossível. Trata-se de permitir que Deus transforme progressivamente o nosso coração para que a nossa vida se torne fértil.
Uma vinha viva não produz frutos de um dia para o outro. É preciso cuidar, podar, esperar e confiar. Também a nossa vida precisa desse cuidado. Há ramos que precisam de ser podados: o egoísmo, a arrogância, a indiferença, o ressentimento, a injustiça. E há frutos que precisam de ser cultivados: a capacidade de escutar, de perdoar, de servir, de repartir e de amar.
No fundo, a pergunta essencial deste domingo é muito concreta:
Se Deus viesse hoje procurar os frutos da sua vinha, o que encontraria em mim?
Que a nossa comunidade não seja apenas uma vinha bonita por fora, mas uma vinha fecunda. Que nela cresçam gestos de amor, de reconciliação, de justiça e de misericórdia. E que, através da nossa vida, outros possam experimentar que Deus continua a cuidar da sua vinha.
Somos a vinha de Deus.
Recebemos o seu amor.
Agora somos chamados a dar fruto.
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