10/06/2026
ENCONTRO COM OS MEMBROS DO PARLAMENTO ESPANHOL
DISCURSO DO SANTO PADRE
Congresso dos Deputados (Madrid) , 8 de junho de 2026
EXCERTOS… PARA POLÍTICOS E NÃO SÓ…
… se a vida deixar de ser reconhecida como um valor fundamental, que futuro podem ter as nossas sociedades? Pode chamar-se plenamente justa uma comunidade que deixa na sombra a criança ainda não nascida, o idoso, o doente, quem sofre em silêncio ou quem depende inteiramente do cuidado dos outros? A defesa da vida humana não é uma questão parcial nem um interesse confessional: é uma meta de civilização. Toda a vida humana deve ser reconhecida e guardada desde a sua concepção até ao seu ocaso natural, em cada circunstância da sua existência. Quando esta certeza se obscurece, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas e a lei perde o seu significado mais profundo: servir e proteger cada pessoa. Por isso, a grandeza moral de uma nação manifesta-se, acima de tudo, na sua capacidade de acompanhar, proteger e amar aquelas vidas que atravessam maior fragilidade.
… reveste particular importância a família, realidade humana primeira e fundamento natural da comunidade. No lar entrelaçam-se as gerações e transmite-se uma memória viva que dá continuidade interior à sociedade. Lá onde a família é apoiada, fortalece-se também a estabilidade espiritual e social das nações. A família será sempre a primeira escola de humanidade onde se aprende, antes de qualquer outro lugar, a gramática elementar da convivência: receber a vida, cuidar do outro, perdoar, servir e pertencer.
… O mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta em múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança recíproca. Neste contexto, a paz apresenta-se como uma aspiração política e, mais ainda, como uma verdadeira exigência moral. Reclama uma palavra pública que respeite quem pensa de modo diferente, instituições postas ao serviço do encontro, uma memória histórica que busque a verdade e a reconciliação e uma vida social capaz de sustentar a amizade cívica e o respeito mútuo em meio à discrepância.
…A liberdade sobre a qual se edifica o Estado contemporâneo, se for autêntica, reconhece a dimensão religiosa do ser humano, respeita-a e tutela-a juridicamente; e evita que alguém tenha de renunciar a contribuir para a sociedade em que vive por causa da sua fé.
… a legítima autonomia da ordem temporal nunca deve ser interpretada como hostilidade perante o fenómeno religioso. A fé não pretende impor-se mediante privilégios nem coerções; todavia, também não pode ser relegada ao silêncio como se fosse irrelevante para a vida pública.
… Uma lei não alcança a sua verdadeira grandeza pelo mero facto de ter sido formalmente aprovada; alcança-a quando, além de ser válida na sua forma, pode comparecer perante a dignidade da pessoa e sair desse exame sem se envergonhar.
… a par das respostas técnicas e das reformas legais, é necessária também uma renovação moral.