17/09/2026
TRANSIÇÃO PARA O FUTURO
Porque será que, nos últimos tempos, assistimos a um crescimento tão significativo dos nacionalismos e do racismo?
Sabemos, pela Filosofia Rosacruz, que os animais ainda são regidos por um Espírito de Grupo, que os auxilia no seu processo de evolução, integração e sobrevivência no Mundo Físico, embora alguns deles comecem, aos poucos, a apresentar características individualizadas.
Nós, seres humanos, já há muito nos autonomizámos e possuímos um Espírito individualizado. No entanto, para nos auxiliar nesse processo evolutivo, surgiram outras entidades, denominadas Espíritos de Raça.
Nalguns países ou regiões, esses Espíritos de Raça encontram-se ainda bastante enraizados nas pessoas. As tradições que passam de geração em geração, as celebrações, tanto religiosas como pagãs, o tipo de religião praticada e até o fanatismo desportivo contribuem para que muitas pessoas permaneçam ligadas a determinados conceitos e atitudes, criando defesas perante aquilo que é novo ou diferente.
Sabemos, pelos ensinamentos de Max Heindel, que na futura Era de Aquário, para a qual caminhamos, muitos desses "limites" serão progressivamente ultrapassados. A evolução espiritual permitirá que aprendamos a ver em cada ser humano um irmão, independentemente da sua origem, do seu país, da sua religião ou da sua família.
Temos, pois, de nos ir libertando desses espartilhos e aprender a pensar num mundo mais universal, mais igualitário e, consequentemente, mais sereno e pacífico.
Mas, se olharmos para a realidade do mundo actual, ficamos com a percepção de que esse caminho ainda será longo e atribulado.
Voltemos, então, à pergunta inicial: se o futuro será um mundo mais igualitário, com menos barreiras, sem fronteiras e sem divisionismos, por que razão assistimos a este recrudescimento dos nacionalismos e do racismo?
Pois, nos mundos invisíveis, a que a maior parte de nós ainda não tem acesso, também se travam grandes "batalhas", tal como nos sugere o conhecido axioma hermético: «Tal como em cima, também em baixo; tal como em baixo, também em cima».
Poderemos então admitir que os Espíritos de Raça começam a sentir a perda da sua influência? À medida que as pessoas se vão autonomizando das crenças e tradições antigas e passam a agir cada vez mais de acordo com a sua própria sensibilidade e consciência, o Espírito individual vai, aos poucos, sobrepondo-se aos fanatismos, às limitações impostas pelo país de nascimento e às chamadas "características da raça".
Se assim for, poderemos compreender o recrudescimento dos nacionalismos e do racismo não necessariamente como um retrocesso, mas como uma reacção a um processo de transformação. Perante uma humanidade que começa a libertar-se de antigas formas de identificação colectiva, essas forças de agregação poderão procurar reforçar os vínculos que ainda as mantêm unidas.
É uma hipótese que nos permite olhar para a realidade actual com alguma esperança.
Por isso, prefiro pensar que este recrudescimento do racismo e dos nacionalismos, em vez de representar simplesmente um retrocesso civilizacional, poderá também ser interpretado como um sinal de que o mundo está a atravessar uma profunda fase de transição. Talvez essas forças sintam que a humanidade caminha numa direcção em que a sua influência se torna progressivamente menos necessária, à medida que cada ser humano aprende a reconhecer em si próprio uma natureza espiritual que está para além das fronteiras, das raças, das religiões e das nacionalidades.
Esta fase de transição poderá ainda trazer algumas surpresas desagradáveis e até dolorosas. Mas, se acreditarmos que a evolução humana obedece a um propósito maior, resta-nos manter a confiança, fazer a nossa parte e procurar não alimentar as forças que nos dividem.
Afinal, como diz o velho provérbio, por vezes «Deus escreve direito por linhas tortas».
António Neves
15-09-2026
Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/transicao-para-o-futuro/