Centro Rosacruz Max Heindel

Centro Rosacruz Max Heindel Centro português autorizado pela “The Rosicrucian Fellowship - An International Association of Christian Mystics”

17/09/2026

TRANSIÇÃO PARA O FUTURO
Porque será que, nos últimos tempos, assistimos a um crescimento tão significativo dos nacionalismos e do racismo?
Sabemos, pela Filosofia Rosacruz, que os animais ainda são regidos por um Espírito de Grupo, que os auxilia no seu processo de evolução, integração e sobrevivência no Mundo Físico, embora alguns deles comecem, aos poucos, a apresentar características individualizadas.
Nós, seres humanos, já há muito nos autonomizámos e possuímos um Espírito individualizado. No entanto, para nos auxiliar nesse processo evolutivo, surgiram outras entidades, denominadas Espíritos de Raça.
Nalguns países ou regiões, esses Espíritos de Raça encontram-se ainda bastante enraizados nas pessoas. As tradições que passam de geração em geração, as celebrações, tanto religiosas como pagãs, o tipo de religião praticada e até o fanatismo desportivo contribuem para que muitas pessoas permaneçam ligadas a determinados conceitos e atitudes, criando defesas perante aquilo que é novo ou diferente.
Sabemos, pelos ensinamentos de Max Heindel, que na futura Era de Aquário, para a qual caminhamos, muitos desses "limites" serão progressivamente ultrapassados. A evolução espiritual permitirá que aprendamos a ver em cada ser humano um irmão, independentemente da sua origem, do seu país, da sua religião ou da sua família.
Temos, pois, de nos ir libertando desses espartilhos e aprender a pensar num mundo mais universal, mais igualitário e, consequentemente, mais sereno e pacífico.
Mas, se olharmos para a realidade do mundo actual, ficamos com a percepção de que esse caminho ainda será longo e atribulado.
Voltemos, então, à pergunta inicial: se o futuro será um mundo mais igualitário, com menos barreiras, sem fronteiras e sem divisionismos, por que razão assistimos a este recrudescimento dos nacionalismos e do racismo?
Pois, nos mundos invisíveis, a que a maior parte de nós ainda não tem acesso, também se travam grandes "batalhas", tal como nos sugere o conhecido axioma hermético: «Tal como em cima, também em baixo; tal como em baixo, também em cima».
Poderemos então admitir que os Espíritos de Raça começam a sentir a perda da sua influência? À medida que as pessoas se vão autonomizando das crenças e tradições antigas e passam a agir cada vez mais de acordo com a sua própria sensibilidade e consciência, o Espírito individual vai, aos poucos, sobrepondo-se aos fanatismos, às limitações impostas pelo país de nascimento e às chamadas "características da raça".
Se assim for, poderemos compreender o recrudescimento dos nacionalismos e do racismo não necessariamente como um retrocesso, mas como uma reacção a um processo de transformação. Perante uma humanidade que começa a libertar-se de antigas formas de identificação colectiva, essas forças de agregação poderão procurar reforçar os vínculos que ainda as mantêm unidas.
É uma hipótese que nos permite olhar para a realidade actual com alguma esperança.
Por isso, prefiro pensar que este recrudescimento do racismo e dos nacionalismos, em vez de representar simplesmente um retrocesso civilizacional, poderá também ser interpretado como um sinal de que o mundo está a atravessar uma profunda fase de transição. Talvez essas forças sintam que a humanidade caminha numa direcção em que a sua influência se torna progressivamente menos necessária, à medida que cada ser humano aprende a reconhecer em si próprio uma natureza espiritual que está para além das fronteiras, das raças, das religiões e das nacionalidades.
Esta fase de transição poderá ainda trazer algumas surpresas desagradáveis e até dolorosas. Mas, se acreditarmos que a evolução humana obedece a um propósito maior, resta-nos manter a confiança, fazer a nossa parte e procurar não alimentar as forças que nos dividem.
Afinal, como diz o velho provérbio, por vezes «Deus escreve direito por linhas tortas».
António Neves
15-09-2026

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/transicao-para-o-futuro/

03/09/2026

INTOXICAÇÃO DIGITAL
Muitos jovens são vítimas disto! Se lhes tirarmos os telemóveis, muitos terão sintomas de abstinência, tal como aqueles que dependem de dr**as para continuar. Como a ansiedade, a impaciência, a não tolerância, o tédio porque não têm nada que fazer e nada os satisfaz. São aquilo a que chamamos de alienados.
No entanto, nós sabemos mais que isso! Vivemos mais tempo, 80 anos, o dobro dos romanos, e mesmos assim, a mente humana está mais stressada por excesso de informação, em que oitenta anos passaram como se fossem vinte anos no passado. O nosso sistema não é só uma fábrica de dados, aos poucos vai-se transformando numa fábrica de doidos!
Estamos a viver mais tempo em termos biológicos e a morrer mais cedo. Esta dependência é uma forma de violência contra a saúde emocional dos jovens, já que vão precisar cada vez mais disso para sentirem algum, pouco prazer.
Os japoneses adoptaram no pós segunda guerra mundial, a melhoria contínua nas fábricas, sob a sigla de Lean Management, que se estendeu para além da fábrica e que nós poderemos adoptar nas nossas vidas diárias.
Penso que no fim de um dia de trabalho, esta forma de melhoria contínua é capaz de nos modelar o caracter, ficando mais relaxados, transformando-nos em melhores seres humanos. Esta é a regra de ouro do processo Lean Management, que poderemos adoptar em cada dia. Este será sempre um regime de vida, que poderá modificar a nossa participação na sociedade e tornar-nos melhores seres humanos na nossa esfera de influência.

3 Setembro 2026
António Ferreira

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/intoxicacao-digital/

15/08/2026

A VIRTUDE DO DESAPEGO
Há tempos, ouvi uma conversa interessante: um católico praticante, dizia que não precisava de dinheiro, tinha o necessário, Jesus Cristo também não foi rico. Um amigo que é ateu, respondeu-lhe que por seu lado, queria ter muito dinheiro, pois assim poderia ajudar muita gente.
Fiquei surpreendida, e na realidade nunca tinha pensado no assunto, mas parece-me que a mais acertada é a resposta do ateu.
Embora me pareça que a era do consumismo das coisas está a desvanecer-se, a nossa relação com o dinheiro, ainda é muito complicada. Em vez de gastarmos o dinheiro apenas naquilo que precisamos ou em actividades que nos dêem alegria, juntamo-lo, com medo que venham dificuldades.
Como sabemos, os pensamentos são coisas e o facto de pensarmos que podemos vir a ter problemas é meio caminho andado para eles aparecerem realmente.
O dinheiro é energia e a energia, seja ela física, mental ou emocional, é como um fluxo constante: quando circula, gera movimento, transformação e crescimento. Quando não é utilizada, tende a estagnar.
Tudo o que possuímos ficará cá quando morrermos. Todos sabemos, mas temos tendência a ignorar.
Especialmente os que se encontram no caminho, são testados de vez em quando. Ou porque têm que fazer mudanças e têm que se libertar de coisas, ou porque têm que fazer partilhas e têm que fazer concessões, ou porque surge algum extra e têm forçosamente que gastar dinheiro. Mas o desapego não se refere apenas a bens materiais, mas também a pessoas, e tanto a vida com as relações são efémeras.
A maneira como se encara a situação de perda e as opções que se tomam, são reveladoras do nosso apego ou desapego.
Desapegar não significa abandonar tudo, dar tudo o que temos, significa sim, mudar a relação que temos com as coisas e as pessoas. Reconhecer que tudo é transitório — e que deve ser usado para que tenhamos uma vida confortável e possamos contribuir para o bem comum.
Max Heindel diz que - o aspirante à vida superior deve consagrar-se a uma vida de serviço e deve estar desejoso de renunciar a todas as suas posses terrestres, embora transitoriamente as retenha como um depósito sagrado para fazer o bem.
Como estudantes da Filosofia Rosacruz, devemos considerar que para sermos verdadeiramente livres e seguirmos o nosso caminho, temos que cultivar o desapego e a simplicidade. Devemos perder o medo do futuro e confiar que Deus é Grande e nos dará o que precisarmos, na altura certa.
“E chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois ,,, e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, senão apenas um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro no cinto…” Marcos 6:8,9
Max Heindel dizia que desde que deixou de se preocupar com inquietações de ordem material, os seus recursos alargaram-se, e exorta-nos a viver pela fé.
Se conseguirmos distanciar-nos das coisas, e nos desfizermos de tudo o que é assessório e não precisamos, passamos a dar maior valor ao que é fundamental. Se deixarmos de ter medo do futuro, desfrutaremos do momento presente.
Aproveitemos as oportunidades de ser útil aos outros, ofereçamos o nosso tempo aos amigos e à família e façamos actividades que nos dêm Alegria!
E tudo o resto virá por acréscimo.

15 Agosto 2026
Fátima Capela

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/a-virtude-do-desapego/

02/08/2026

AMOR UNIVERSAL
"As fronteiras religiosas, raciais, de cor ou de nacionalidade não têm lugar no Reino de Cristo. Devemos aprender a considerar todos os seres humanos como nossos irmãos, sem olharmos a distinções, e esforçar-nos por cultivar o mesmo amor, compaixão e ternura por todos os que sofrem, independentemente do lugar onde nasceram." – Max Heindel
É uma bela afirmação. Inspira-nos e desperta em nós um ideal elevado. Mas basta olharmos para o mundo à nossa volta para percebermos o enorme desafio que representa viver de acordo com estas palavras.
Desde muito cedo aprendemos a identificar-nos com um país, uma cultura, uma religião, uma ideologia ou um grupo social. É natural que sintamos um maior apego àquilo que nos é próximo. O problema surge quando esse sentimento de pertença nos impede de reconhecer a humanidade daqueles que consideramos diferentes.
Vivemos diariamente rodeados de notícias que, consciente ou inconscientemente, reforçam essa divisão. Um acidente numa cidade da Europa ou da América, ou a morte de um soldado desses países, pode ocupar grande parte de um noticiário. Entretanto, milhares de vítimas em África, no Médio Oriente ou na Ásia são frequentemente resumidas a alguns segundos de emissão ou a simples estatísticas.
No entanto, por detrás de cada número existe um rosto, uma família, uma história interrompida, sonhos que jamais se concretizarão. O sofrimento não conhece nacionalidades. A dor de uma mãe que perde um filho é a mesma em qualquer continente. As lágrimas não têm passaporte.
Perante Cristo, nenhuma vida vale mais do que outra. A alma humana não possui nacionalidade, cor da pele ou estatuto social. Essas são características da personalidade transitória; a essência espiritual é comum a todos. Quando esquecemos esta verdade, começamos a desumanizar aqueles que não pertencem ao nosso grupo, e esse é um dos primeiros passos para a intolerância, o racismo e a violência.
Mesmo em tempo de guerra, quando as circunstâncias parecem obrigar-nos a escolher um lado, devemos esforçar-nos por não perder a compaixão. Podemos compreender razões políticas ou históricas, mas isso não deve endurecer o coração. Do outro lado também existem homens e mulheres separados das suas famílias, crianças privadas dos seus pais, jovens com sonhos interrompidos por decisões que nunca lhes pertenceram. E aqueles que se deixam dominar pelo ódio, pelo fanatismo ou pela crueldade existem, infelizmente, em todos os povos.
O verdadeiro trabalho espiritual consiste precisamente em contrariar esta tendência tão humana para dividir o mundo entre "nós" e "eles". A Fraternidade Universal não significa ignorar as diferenças culturais ou negar as identidades de cada povo. Significa reconhecermos que essas diferenças são secundárias perante aquilo que verdadeiramente somos: membros da mesma família humana e filhos do mesmo Deus.
Este ideal pode parecer distante. Basta observarmos o estado do mundo para sentirmos algum desânimo. Mas todas as grandes transformações começaram na consciência de algumas pessoas que decidiram viver de forma diferente. A Fraternidade Universal não nascerá de decretos, nem de tratados internacionais; nascerá da transformação interior de cada ser humano.
Talvez nunca consigamos mudar o mundo inteiro. Mas podemos mudar a forma como olhamos para os outros. Podemos recusar alimentar o preconceito, evitar julgamentos precipitados e lembrar-nos, sempre que vemos o sofrimento de alguém, que aquela pessoa poderia ser um irmão, um filho ou um amigo nosso. Na verdade, do ponto de vista espiritual, já o é.
Se cada um de nós der esse pequeno passo, por mais modesto que pareça, estará a aproximar a humanidade do ideal Rosacruz. E, embora hoje esse ideal ainda pareça distante, chegará o dia em que a Fraternidade Universal deixará de ser apenas uma aspiração para se tornar uma realidade vivida.
António Neves
01 Agosto 2026

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/amor-universal/

17/07/2026

QUANDO FALAR É INÚTIL CALAR É SABEDORIA

A sabedoria de Cristo é muitas vezes associada ao silêncio harmonioso, compreensivo e equilibrado, perante o desafio constante do quotidiano na nossa esfera de influência, em que o silêncio é mais poderoso que argumentos e justificações que possamos dar.
Quando perdoas, desarmas por completo aquele que te ofendeu ou prejudicou. Quando perdoas elevas-te acima do homem comum, e aos poucos sentes cada vez mais a frequência de Deus em ti. Basta que te abstraias do mundo material para sentires a sua cálida presença, para poderes aos demais distribuir quanto tens de coragem e benquerença!
A Luz de Cristo projecta-se sempre nas pessoas que vivem diariamente, de acordo com os seus ensinamentos. Este é o tempo para amar o nosso próximo, com mais intensidade, para perdoar, porque para quem ama qualquer sacrifício é alegria! Toda a relação em que nos colocamos em primeiro lugar está condenada ao fracasso, é tão simples quanto isso. No entanto, pouco a pouco, vamo-nos apressando devagar, vivendo de acordo com o nosso Eu superior, e ao fazermos uma reflexão interior, notaremos o nosso progresso dia a dia.
Permitam-me que cite Abraham Lincoln, o presidente americano responsável pela abolição da escravatura no seu país. “Não costumo dizer nada, a não ser quando as minhas palavras podem ser úteis. Possuo um verdadeiro sentido de Presença e da Providência de Deus! Foi precisamente este sentimento que o ajudou a manter-se calmo frente ao perigo e comedido perante o êxito.
2026-07-16
António Ferreira

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/quando-falar-e-inutil-calar-e-sabedoria/

01/07/2026

O QUE NECESSITAMOS PARA O NOSSO DESENVOLVIMENTO
Só há dois tipos de pessoas, as que sabem e as que não sabem o Caminho da Evolução.
As que sabem o Caminho da Evolução, despertaram para a vida espiritual. E nesta fase, o que importa são as nossas escolhas. Agimos ou não, de acordo com a Evolução?
A Filosofia Rosaccruz é uma Filosofia Cristã, como tal, se agirmos de acordo com a evolução devemos imitar o Cristo, até que Ele nasça em nós, como diz S. Paulo em Gálatas 4:19.
E Ele só nascerá em nós quando O imitarmos e cumprirmos o novo Mandamento que nos deu - “Amai-vos como eu vos Amei” João 13:34, e para isso, é preciso amar os outros, mas amar como Ele nos amou é amar até conseguirmos sacrificar-nos pelos outros, e até morrer. Claro que estamos longe deste Amor, mas o importante é que comecemos a interiorizar a situação.
Cada vez mais, encaro Deus como Energia que se manifesta em várias frequências, na Natureza. Todas as Leis da Natureza, as que conhecemos e as que desconhecemos, são as Leis de Deus. Essa Energia, de acordo também com a Bíblia, é Luz, é Amor e é Espírito.
De acordo com a Lei da Atracção e da Repulsão, atraímos energia com a qual temos afinidade, e repelimos a energia que nos é contrária.
Todos já passámos por situações felizes e infelizes, e parece um paradoxo, quando falamos que se formos positivos e optimistas atraímos só o que nos é semelhante, e não é isso que acontece, porque a vida é uma aventura complexa e com muitas interacções.
E temos livre-arbítrio, podemos escolher. Normalmente fazemos más escolhas, porque na realidade, somos dois, somos o nosso Eu Superior, o Amoroso Cristo em formação e somos o Eu inferior, os nossos instintos, emoções e intelecto. É mais fácil preocuparmo-nos com o que os outros são, o que têm, o que fazem, com medo das desgraças que se avizinham no futuro, do que tentarmos olhar em volta e ajudar quem precisa.
Max Heidel diz que “Os Anjos do Destino dão a cada um e a todos o que necessitam para o seu desenvolvimento.”
Isto significa que as situações adversas que nos acontecem, não podem ser más. São, isso sim, oportunidades de aprendizagem e crescimento.
Na minha experiência, sempre que me acontece algo negativo, faço uma reflexão pessoal, e tento ver o que estou a fazer mal, e o que posso melhorar na minha atitude. E tento alterar o meu comportamento. Com esta reflexão, a adversidade acaba por perder intensidade.
Creio absolutamente, que a solução de todos os nossos problemas passa por pensar e viver uma vida positiva. Apreciar a beleza da natureza. Ser melhor em cada dia que passa. Não nos inquietarmos com o que não podemos mudar e darmos atenção ao que podemos. Focarmos a nossa atenção no nosso aperfeiçoamento e isso implica estar sempre disponível para ajudar os outros. Pois como diz Mateus 6:31,34 “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”.
1 Julho 2026
Fátima Capela

texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/o-que-necessitamos-para-o-nosso-desenvolvimento/

16/06/2026

GUERRA OU PAZ

Muitas vezes contemplamos com profunda tristeza os conflitos e as guerras que ainda assolam a humanidade. Perante o sofrimento de tantos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo, somos levados a refletir sobre a verdadeira causa dessas discórdias e sobre o caminho que poderá conduzir a humanidade à paz duradoura.
A Filosofia Rosacruz ensina-nos que a evolução humana depende do despertar da consciência espiritual. O mundo necessita voltar os seus olhos para Deus e reconhecer no Cristo o mais elevado ideal de amor, fraternidade e serviço. Enquanto os homens colocarem a sua confiança nas armas, na força material, nos nacionalismos exacerbados e nos interesses de raça, continuarão a afastar-se da verdadeira finalidade da existência.
Somos chamados a estar no mundo, mas sem nos deixarmos dominar pelos valores transitórios do mundo. Devemos substituir o espírito de separação pelo espírito de união, a competição pela cooperação e o ódio pelo amor fraterno. Cada pensamento elevado, cada oração sincera e cada ato de boa vontade contribuem para a construção de uma atmosfera espiritual mais harmoniosa para toda a humanidade.
Por isso, elevemos as nossas preces pelos que se encontram envolvidos em guerras e conflitos. Enviemos pensamentos de paz, compreensão e fraternidade, rogando a Deus que ilumine os seus corações e os conduza ao caminho do amor. Que possam compreender a inutilidade da violência e despertar para valores mais elevados, libertando-se dos condicionamentos dos Espíritos de Raça e reconhecendo que todos os seres humanos são membros de uma única família universal.
Trabalhemos igualmente para a concretização da grande Fraternidade Universal, inspirados pelo nobre ideal: “O mundo é a minha pátria e fazer o bem é a minha religião.” Quando este princípio for vivido por um número crescente de pessoas, as fronteiras que hoje dividem os homens começarão a perder a sua força e a humanidade avançará para uma nova era de compreensão mútua.
Lembremo-nos também daqueles que, em consequência das guerras, deixam o plano físico em circunstâncias dolorosas e desarmoniosas. Que as nossas orações os acompanhem, para que encontrem auxílio, paz e orientação na sua jornada pelos mundos invisíveis.
Contudo, não nos compete julgar ou tomar partido de forma apaixonada por qualquer dos lados envolvidos. A Lei da Consequência, expressão perfeita da justiça divina, atua continuamente sobre todos os seres. Aqueles que promovem, alimentam ou beneficiam das guerras inevitavelmente criam causas que produzirão efeitos futuros, proporcionando-lhes as experiências necessárias ao seu aprendizado e evolução espiritual.
Confiemos, portanto, na sabedoria de Deus e na perfeição das Suas leis. Que cada um de nós seja um instrumento de paz, de amor e de fraternidade, contribuindo silenciosamente para a elevação da consciência humana e para o advento de um mundo mais harmonioso, onde o ideal Crístico possa finalmente florescer nos corações de todos.
António Neves
15-06-2026

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/guerra-ou-paz/

02/06/2026

Cartas aos Estudantes - Revisitadas
De quando em vez tenho por norma reler as Cartas aos Estudantes e recordo que o seu conteúdo é eminentemente prático e que deve ser usado no dia a dia. Estas cartas são conversas íntimas em que Max Heindel nos adverte para as ciladas, os enganos e os perigos ao longo do caminho, e que não nos deixará esmorecer nem desistir ao sermos confrontados com os inevitáveis desânimos da vereda iniciática.
As cartas são muito terra a terra, e têm por objectivo conhecer as leis cósmicas que sustêm e governam a existência humana e aplicá-las no nosso quotidiano. A leitura assídua das cartas desenvolve um significado mais profundo, não nos limitando à sua roupagem exterior, mas descobrindo a alma das mesmas.
O ser humano como elo de união entre as duas margens do abismo: a do homem natural, habitante da Terra, e a do homem espiritual, que habita as esferas superiores. Se quisermos na realidade desenvolver o corpo alma, temos que nos esforçar para que isso suceda.
Por isso, hoje venho convidá-los a reler um livro, que embora com poucas páginas, é vasto em sabedoria — Cartas aos Estudantes, de Max Heindel.
Ao abrirmos este livro pela primeira vez, somos como viajantes que chegam a uma nova terra: tudo é novidade, e absorvemos o que conseguimos naquele momento. Mas a cada releitura, não é apenas o texto que reencontramos — é a nós mesmos, num novo estágio de compreensão.
Max Heindel, na sua linguagem clara e ao mesmo tempo profundamente espiritual, não escreve para o intelecto apenas, mas para a alma. As suas cartas são convites à disciplina interior, à prática do altruísmo e ao cultivo de uma visão mais ampla da vida. Ao relê-las, percebemos que certas frases que antes pareciam simples agora revelam camadas ocultas, como se fossem sementes que germinam no tempo certo.
Uma passagem que antes parecia distante pode, de repente, falar directamente ao nosso momento presente.
Além disso, reler as Cartas aos Estudantes é um exercício de reconexão com o propósito. No meio da correria do dia a dia, esquecemo-nos facilmente dos ideais mais elevados. Estas cartas funcionam como lembretes para reacendermos a chama da perseverança, da paciência e da fé no caminho evolutivo.
Portanto, não encaremos a releitura como repetição, mas como uma renovação. Cada retorno ao texto é uma nova conversa com Max Heindel — e, mais ainda, uma nova conversa connosco próprios.
Que possamos, então, abrir novamente estas páginas com o coração receptivo, permitindo que cada palavra seja um espelho e uma luz para o nosso caminhar.
Boas leituras!
2 Junho 2026
António Ferreira

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/cartas-aos-estudantes-revisitadas/

15/05/2026

CARPE DIEM
Acredito que “cada um tem o que merece”. Parece afrontoso perante a condição actual do mundo, com a guerra da Ucrânia, o extermínio que os Israelitas fazem à população de Gaza e do Líbano, sem que ninguém se inquiete.
Será que a população desses países merece o que lhe está a acontecer? Parece realmente desumana esta afirmação. No entanto, sabemos que há uma Lei natural de Causa e Efeito a funcionar. Max Heindel diz-nos também que as guerras funcionam muitas vezes como uma limpeza espiritual, com grandes oportunidades de serviço. É nisso que desejamos acreditar.
A minha vida está a mudar em paralelo com o mundo, porque agora sou parte da geração mais velha. Até aqui a doença e a morte andavam longe, agora já são os meus amigos que sofrem enfartes, AVCs, e morrem. Não é que me sinta velha, mas cada dia tomo mais consciêcia da fragilidade humana. Os que estão a sofrer em Gaza, no Lísbano, na Ucrânia…, mas também os que não conseguem ter mobilidade, os que ficam dementes, todos os dependentes. Temos o que merecemos, e Saturno, no seu segundo retorno vem-nos cobrar dos nossos incumprimentos.
A vida é efémera, as nossas condições podem mudar num segundo. Este pensamento, traz-me à memória uma história de berlindes, que se gastam ao ritmo da passagem dos dias. Quantos dias nos faltam ainda viver? Como queremos viver os dias que ainda nos faltam?
Estas perguntas levam à principal – o que é realmente importante para nós?
Não se trata da nostalgia da idade, é que depois de várias doenças e mortes de amigos, cheguei à conclusão, que o mais importante é Viver o Dia – Carpe Diem.
O passado já foi, o futuro, é completamente incerto, por isso o que vale a pena é apostar no presente.
Todos os dias é um novo dia! Uma nova oportunidade de aperfeiçoamento.
Para nós, aspirantes Rosacrucianos, deve ser uma aposta na melhoria contínua.
-Melhorar como pessoa: ser mais paciente, mais grato, mais generoso, mais presente.
- Melhorar nas relações: ouvir mais, julgar menos, perdoar com mais facilidade.
- Melhorar no propósito: alinhar as nossas acções com aquilo que realmente importa, e com as nossas convicções.
Usar bem o tempo – com a família, com os amigos, a fazer o bem e a fazer trabalhos que nos dêm alegria.
Todos os dias de manhã devemos perguntar-nos – o que posso fazer hoje para ser melhor do que ontem? O que posso fazer para ser mais útil aos outros?
Todos os dias à noite devemos ser gratos e perguntar-nos - como aproveitei o meu dia? Vivi o dia ou deixei-o passar?
Carpe Diem deve ser uma escolha diária, um modo de vida com presença, gratidão e propósito, para que o nosso Futuro não seja tão assustador como é o de Gaza, do Líbano e da Ucrânia neste momento.
14 Maio 2026
Fatima Capela

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/carpe-diem/

12/05/2026

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