Centro Rosacruz Max Heindel

Centro Rosacruz Max Heindel Centro português autorizado pela “The Rosicrucian Fellowship - An International Association of Christian Mystics”

02/08/2026

AMOR UNIVERSAL
"As fronteiras religiosas, raciais, de cor ou de nacionalidade não têm lugar no Reino de Cristo. Devemos aprender a considerar todos os seres humanos como nossos irmãos, sem olharmos a distinções, e esforçar-nos por cultivar o mesmo amor, compaixão e ternura por todos os que sofrem, independentemente do lugar onde nasceram." – Max Heindel
É uma bela afirmação. Inspira-nos e desperta em nós um ideal elevado. Mas basta olharmos para o mundo à nossa volta para percebermos o enorme desafio que representa viver de acordo com estas palavras.
Desde muito cedo aprendemos a identificar-nos com um país, uma cultura, uma religião, uma ideologia ou um grupo social. É natural que sintamos um maior apego àquilo que nos é próximo. O problema surge quando esse sentimento de pertença nos impede de reconhecer a humanidade daqueles que consideramos diferentes.
Vivemos diariamente rodeados de notícias que, consciente ou inconscientemente, reforçam essa divisão. Um acidente numa cidade da Europa ou da América, ou a morte de um soldado desses países, pode ocupar grande parte de um noticiário. Entretanto, milhares de vítimas em África, no Médio Oriente ou na Ásia são frequentemente resumidas a alguns segundos de emissão ou a simples estatísticas.
No entanto, por detrás de cada número existe um rosto, uma família, uma história interrompida, sonhos que jamais se concretizarão. O sofrimento não conhece nacionalidades. A dor de uma mãe que perde um filho é a mesma em qualquer continente. As lágrimas não têm passaporte.
Perante Cristo, nenhuma vida vale mais do que outra. A alma humana não possui nacionalidade, cor da pele ou estatuto social. Essas são características da personalidade transitória; a essência espiritual é comum a todos. Quando esquecemos esta verdade, começamos a desumanizar aqueles que não pertencem ao nosso grupo, e esse é um dos primeiros passos para a intolerância, o racismo e a violência.
Mesmo em tempo de guerra, quando as circunstâncias parecem obrigar-nos a escolher um lado, devemos esforçar-nos por não perder a compaixão. Podemos compreender razões políticas ou históricas, mas isso não deve endurecer o coração. Do outro lado também existem homens e mulheres separados das suas famílias, crianças privadas dos seus pais, jovens com sonhos interrompidos por decisões que nunca lhes pertenceram. E aqueles que se deixam dominar pelo ódio, pelo fanatismo ou pela crueldade existem, infelizmente, em todos os povos.
O verdadeiro trabalho espiritual consiste precisamente em contrariar esta tendência tão humana para dividir o mundo entre "nós" e "eles". A Fraternidade Universal não significa ignorar as diferenças culturais ou negar as identidades de cada povo. Significa reconhecermos que essas diferenças são secundárias perante aquilo que verdadeiramente somos: membros da mesma família humana e filhos do mesmo Deus.
Este ideal pode parecer distante. Basta observarmos o estado do mundo para sentirmos algum desânimo. Mas todas as grandes transformações começaram na consciência de algumas pessoas que decidiram viver de forma diferente. A Fraternidade Universal não nascerá de decretos, nem de tratados internacionais; nascerá da transformação interior de cada ser humano.
Talvez nunca consigamos mudar o mundo inteiro. Mas podemos mudar a forma como olhamos para os outros. Podemos recusar alimentar o preconceito, evitar julgamentos precipitados e lembrar-nos, sempre que vemos o sofrimento de alguém, que aquela pessoa poderia ser um irmão, um filho ou um amigo nosso. Na verdade, do ponto de vista espiritual, já o é.
Se cada um de nós der esse pequeno passo, por mais modesto que pareça, estará a aproximar a humanidade do ideal Rosacruz. E, embora hoje esse ideal ainda pareça distante, chegará o dia em que a Fraternidade Universal deixará de ser apenas uma aspiração para se tornar uma realidade vivida.
António Neves
01 Agosto 2026

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/amor-universal/

17/07/2026

QUANDO FALAR É INÚTIL CALAR É SABEDORIA

A sabedoria de Cristo é muitas vezes associada ao silêncio harmonioso, compreensivo e equilibrado, perante o desafio constante do quotidiano na nossa esfera de influência, em que o silêncio é mais poderoso que argumentos e justificações que possamos dar.
Quando perdoas, desarmas por completo aquele que te ofendeu ou prejudicou. Quando perdoas elevas-te acima do homem comum, e aos poucos sentes cada vez mais a frequência de Deus em ti. Basta que te abstraias do mundo material para sentires a sua cálida presença, para poderes aos demais distribuir quanto tens de coragem e benquerença!
A Luz de Cristo projecta-se sempre nas pessoas que vivem diariamente, de acordo com os seus ensinamentos. Este é o tempo para amar o nosso próximo, com mais intensidade, para perdoar, porque para quem ama qualquer sacrifício é alegria! Toda a relação em que nos colocamos em primeiro lugar está condenada ao fracasso, é tão simples quanto isso. No entanto, pouco a pouco, vamo-nos apressando devagar, vivendo de acordo com o nosso Eu superior, e ao fazermos uma reflexão interior, notaremos o nosso progresso dia a dia.
Permitam-me que cite Abraham Lincoln, o presidente americano responsável pela abolição da escravatura no seu país. “Não costumo dizer nada, a não ser quando as minhas palavras podem ser úteis. Possuo um verdadeiro sentido de Presença e da Providência de Deus! Foi precisamente este sentimento que o ajudou a manter-se calmo frente ao perigo e comedido perante o êxito.
2026-07-16
António Ferreira

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/quando-falar-e-inutil-calar-e-sabedoria/

01/07/2026

O QUE NECESSITAMOS PARA O NOSSO DESENVOLVIMENTO
Só há dois tipos de pessoas, as que sabem e as que não sabem o Caminho da Evolução.
As que sabem o Caminho da Evolução, despertaram para a vida espiritual. E nesta fase, o que importa são as nossas escolhas. Agimos ou não, de acordo com a Evolução?
A Filosofia Rosaccruz é uma Filosofia Cristã, como tal, se agirmos de acordo com a evolução devemos imitar o Cristo, até que Ele nasça em nós, como diz S. Paulo em Gálatas 4:19.
E Ele só nascerá em nós quando O imitarmos e cumprirmos o novo Mandamento que nos deu - “Amai-vos como eu vos Amei” João 13:34, e para isso, é preciso amar os outros, mas amar como Ele nos amou é amar até conseguirmos sacrificar-nos pelos outros, e até morrer. Claro que estamos longe deste Amor, mas o importante é que comecemos a interiorizar a situação.
Cada vez mais, encaro Deus como Energia que se manifesta em várias frequências, na Natureza. Todas as Leis da Natureza, as que conhecemos e as que desconhecemos, são as Leis de Deus. Essa Energia, de acordo também com a Bíblia, é Luz, é Amor e é Espírito.
De acordo com a Lei da Atracção e da Repulsão, atraímos energia com a qual temos afinidade, e repelimos a energia que nos é contrária.
Todos já passámos por situações felizes e infelizes, e parece um paradoxo, quando falamos que se formos positivos e optimistas atraímos só o que nos é semelhante, e não é isso que acontece, porque a vida é uma aventura complexa e com muitas interacções.
E temos livre-arbítrio, podemos escolher. Normalmente fazemos más escolhas, porque na realidade, somos dois, somos o nosso Eu Superior, o Amoroso Cristo em formação e somos o Eu inferior, os nossos instintos, emoções e intelecto. É mais fácil preocuparmo-nos com o que os outros são, o que têm, o que fazem, com medo das desgraças que se avizinham no futuro, do que tentarmos olhar em volta e ajudar quem precisa.
Max Heidel diz que “Os Anjos do Destino dão a cada um e a todos o que necessitam para o seu desenvolvimento.”
Isto significa que as situações adversas que nos acontecem, não podem ser más. São, isso sim, oportunidades de aprendizagem e crescimento.
Na minha experiência, sempre que me acontece algo negativo, faço uma reflexão pessoal, e tento ver o que estou a fazer mal, e o que posso melhorar na minha atitude. E tento alterar o meu comportamento. Com esta reflexão, a adversidade acaba por perder intensidade.
Creio absolutamente, que a solução de todos os nossos problemas passa por pensar e viver uma vida positiva. Apreciar a beleza da natureza. Ser melhor em cada dia que passa. Não nos inquietarmos com o que não podemos mudar e darmos atenção ao que podemos. Focarmos a nossa atenção no nosso aperfeiçoamento e isso implica estar sempre disponível para ajudar os outros. Pois como diz Mateus 6:31,34 “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”.
1 Julho 2026
Fátima Capela

texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/o-que-necessitamos-para-o-nosso-desenvolvimento/

16/06/2026

GUERRA OU PAZ

Muitas vezes contemplamos com profunda tristeza os conflitos e as guerras que ainda assolam a humanidade. Perante o sofrimento de tantos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo, somos levados a refletir sobre a verdadeira causa dessas discórdias e sobre o caminho que poderá conduzir a humanidade à paz duradoura.
A Filosofia Rosacruz ensina-nos que a evolução humana depende do despertar da consciência espiritual. O mundo necessita voltar os seus olhos para Deus e reconhecer no Cristo o mais elevado ideal de amor, fraternidade e serviço. Enquanto os homens colocarem a sua confiança nas armas, na força material, nos nacionalismos exacerbados e nos interesses de raça, continuarão a afastar-se da verdadeira finalidade da existência.
Somos chamados a estar no mundo, mas sem nos deixarmos dominar pelos valores transitórios do mundo. Devemos substituir o espírito de separação pelo espírito de união, a competição pela cooperação e o ódio pelo amor fraterno. Cada pensamento elevado, cada oração sincera e cada ato de boa vontade contribuem para a construção de uma atmosfera espiritual mais harmoniosa para toda a humanidade.
Por isso, elevemos as nossas preces pelos que se encontram envolvidos em guerras e conflitos. Enviemos pensamentos de paz, compreensão e fraternidade, rogando a Deus que ilumine os seus corações e os conduza ao caminho do amor. Que possam compreender a inutilidade da violência e despertar para valores mais elevados, libertando-se dos condicionamentos dos Espíritos de Raça e reconhecendo que todos os seres humanos são membros de uma única família universal.
Trabalhemos igualmente para a concretização da grande Fraternidade Universal, inspirados pelo nobre ideal: “O mundo é a minha pátria e fazer o bem é a minha religião.” Quando este princípio for vivido por um número crescente de pessoas, as fronteiras que hoje dividem os homens começarão a perder a sua força e a humanidade avançará para uma nova era de compreensão mútua.
Lembremo-nos também daqueles que, em consequência das guerras, deixam o plano físico em circunstâncias dolorosas e desarmoniosas. Que as nossas orações os acompanhem, para que encontrem auxílio, paz e orientação na sua jornada pelos mundos invisíveis.
Contudo, não nos compete julgar ou tomar partido de forma apaixonada por qualquer dos lados envolvidos. A Lei da Consequência, expressão perfeita da justiça divina, atua continuamente sobre todos os seres. Aqueles que promovem, alimentam ou beneficiam das guerras inevitavelmente criam causas que produzirão efeitos futuros, proporcionando-lhes as experiências necessárias ao seu aprendizado e evolução espiritual.
Confiemos, portanto, na sabedoria de Deus e na perfeição das Suas leis. Que cada um de nós seja um instrumento de paz, de amor e de fraternidade, contribuindo silenciosamente para a elevação da consciência humana e para o advento de um mundo mais harmonioso, onde o ideal Crístico possa finalmente florescer nos corações de todos.
António Neves
15-06-2026

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/guerra-ou-paz/

02/06/2026

Cartas aos Estudantes - Revisitadas
De quando em vez tenho por norma reler as Cartas aos Estudantes e recordo que o seu conteúdo é eminentemente prático e que deve ser usado no dia a dia. Estas cartas são conversas íntimas em que Max Heindel nos adverte para as ciladas, os enganos e os perigos ao longo do caminho, e que não nos deixará esmorecer nem desistir ao sermos confrontados com os inevitáveis desânimos da vereda iniciática.
As cartas são muito terra a terra, e têm por objectivo conhecer as leis cósmicas que sustêm e governam a existência humana e aplicá-las no nosso quotidiano. A leitura assídua das cartas desenvolve um significado mais profundo, não nos limitando à sua roupagem exterior, mas descobrindo a alma das mesmas.
O ser humano como elo de união entre as duas margens do abismo: a do homem natural, habitante da Terra, e a do homem espiritual, que habita as esferas superiores. Se quisermos na realidade desenvolver o corpo alma, temos que nos esforçar para que isso suceda.
Por isso, hoje venho convidá-los a reler um livro, que embora com poucas páginas, é vasto em sabedoria — Cartas aos Estudantes, de Max Heindel.
Ao abrirmos este livro pela primeira vez, somos como viajantes que chegam a uma nova terra: tudo é novidade, e absorvemos o que conseguimos naquele momento. Mas a cada releitura, não é apenas o texto que reencontramos — é a nós mesmos, num novo estágio de compreensão.
Max Heindel, na sua linguagem clara e ao mesmo tempo profundamente espiritual, não escreve para o intelecto apenas, mas para a alma. As suas cartas são convites à disciplina interior, à prática do altruísmo e ao cultivo de uma visão mais ampla da vida. Ao relê-las, percebemos que certas frases que antes pareciam simples agora revelam camadas ocultas, como se fossem sementes que germinam no tempo certo.
Uma passagem que antes parecia distante pode, de repente, falar directamente ao nosso momento presente.
Além disso, reler as Cartas aos Estudantes é um exercício de reconexão com o propósito. No meio da correria do dia a dia, esquecemo-nos facilmente dos ideais mais elevados. Estas cartas funcionam como lembretes para reacendermos a chama da perseverança, da paciência e da fé no caminho evolutivo.
Portanto, não encaremos a releitura como repetição, mas como uma renovação. Cada retorno ao texto é uma nova conversa com Max Heindel — e, mais ainda, uma nova conversa connosco próprios.
Que possamos, então, abrir novamente estas páginas com o coração receptivo, permitindo que cada palavra seja um espelho e uma luz para o nosso caminhar.
Boas leituras!
2 Junho 2026
António Ferreira

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/cartas-aos-estudantes-revisitadas/

15/05/2026

CARPE DIEM
Acredito que “cada um tem o que merece”. Parece afrontoso perante a condição actual do mundo, com a guerra da Ucrânia, o extermínio que os Israelitas fazem à população de Gaza e do Líbano, sem que ninguém se inquiete.
Será que a população desses países merece o que lhe está a acontecer? Parece realmente desumana esta afirmação. No entanto, sabemos que há uma Lei natural de Causa e Efeito a funcionar. Max Heindel diz-nos também que as guerras funcionam muitas vezes como uma limpeza espiritual, com grandes oportunidades de serviço. É nisso que desejamos acreditar.
A minha vida está a mudar em paralelo com o mundo, porque agora sou parte da geração mais velha. Até aqui a doença e a morte andavam longe, agora já são os meus amigos que sofrem enfartes, AVCs, e morrem. Não é que me sinta velha, mas cada dia tomo mais consciêcia da fragilidade humana. Os que estão a sofrer em Gaza, no Lísbano, na Ucrânia…, mas também os que não conseguem ter mobilidade, os que ficam dementes, todos os dependentes. Temos o que merecemos, e Saturno, no seu segundo retorno vem-nos cobrar dos nossos incumprimentos.
A vida é efémera, as nossas condições podem mudar num segundo. Este pensamento, traz-me à memória uma história de berlindes, que se gastam ao ritmo da passagem dos dias. Quantos dias nos faltam ainda viver? Como queremos viver os dias que ainda nos faltam?
Estas perguntas levam à principal – o que é realmente importante para nós?
Não se trata da nostalgia da idade, é que depois de várias doenças e mortes de amigos, cheguei à conclusão, que o mais importante é Viver o Dia – Carpe Diem.
O passado já foi, o futuro, é completamente incerto, por isso o que vale a pena é apostar no presente.
Todos os dias é um novo dia! Uma nova oportunidade de aperfeiçoamento.
Para nós, aspirantes Rosacrucianos, deve ser uma aposta na melhoria contínua.
-Melhorar como pessoa: ser mais paciente, mais grato, mais generoso, mais presente.
- Melhorar nas relações: ouvir mais, julgar menos, perdoar com mais facilidade.
- Melhorar no propósito: alinhar as nossas acções com aquilo que realmente importa, e com as nossas convicções.
Usar bem o tempo – com a família, com os amigos, a fazer o bem e a fazer trabalhos que nos dêm alegria.
Todos os dias de manhã devemos perguntar-nos – o que posso fazer hoje para ser melhor do que ontem? O que posso fazer para ser mais útil aos outros?
Todos os dias à noite devemos ser gratos e perguntar-nos - como aproveitei o meu dia? Vivi o dia ou deixei-o passar?
Carpe Diem deve ser uma escolha diária, um modo de vida com presença, gratidão e propósito, para que o nosso Futuro não seja tão assustador como é o de Gaza, do Líbano e da Ucrânia neste momento.
14 Maio 2026
Fatima Capela

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/carpe-diem/

12/05/2026

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02/05/2026

MESTRES ESPIRITUAIS E A PACIÊNCIA DO DISCÍPULO
Um dos maiores desafios enfrentados por qualquer movimento espiritual autêntico
é lidar com a impaciência natural do ser humano. A grande maioria das pessoas: ou
querem colher onde não semearam; ou não têm a paciência necessária para o
tempo da colheita e querem resultados imediatos. A ansiedade leva-os a procurar
atalhos no caminho evolutivo, esquecendo-se que o crescimento espiritual é um
processo de maturação interior, e não uma conquista instantânea. A pressa é um
dos maiores obstáculos à verdadeira iniciação.
A evolução do espírito humano segue leis tão exatas quanto as leis da natureza
física. Assim como uma semente precisa de tempo, luz e cuidado para germinar,
crescer e frutificar, também a alma humana necessita de experiências, disciplina e
perseverança para desabrochar. Não há atalhos seguros nesse processo. Todo o
desenvolvimento forçado resulta em desequilíbrio. O estudante que busca “asas”
antes de ter fortalecido a sua estrutura interna corre o risco de se perder nos
domínios do autoengano ou de cair vítima de influências destrutivas, sejam
psicológicas ou espirituais.
Muitos, impacientes por alcançar faculdades superiores ou visões clarividentes,
procuram “mestres indivíduais” que prometem realizações rápidas. Esse impulso é
compreensível, mas perigoso. Na perspectiva Rosacruz, o verdadeiro Mestre jamais
se impõe, nem cobra pelo ensinamento. Ele orienta o discípulo a despertar as suas
próprias forças internas e a tornar-se um colaborador consciente das leis divinas.
Os falsos mestres, ao contrário, alimentam a ilusão de que é possível comprar ou
acelerar o progresso espiritual — uma ideia tão absurda quanto imaginar aprender
todas as ciências em poucos meses, sem estudo nem prática gradual. É como se,
em vez de irmos para uma escola a começar no primeiro ano e acabar na faculdade,
muitos anos depois e com muitas exames pelo meio, arranjássemos um professor
particular que em poucos meses nos ensinasse tudo o que queríamos e
precisássemos saber. Sinceramente, acham que é isso é possível?
Ninguém se forma sem antes passar pelas etapas preparatórias. As leis da
evolução exigem esforço contínuo e aprendizagem progressiva. A pressa do
estudante espiritual é, portanto, uma forma refinada de egoísmo — a vontade de
obter para si o que só pode ser conquistado para o bem de todos. O verdadeiro
discípulo é aquele que, compreendendo o ritmo da vida, trabalha humildemente,
dia após dia, sabendo que cada gesto de bondade, cada pensamento puro e cada
acto de serviço irá contribuir para edificar, silenciosamente, o templo interno da
alma.
Portanto, o caminho seguro é o da autoconquista. Isso significa aprender, pela
experiência, a purificar os pensamentos, a disciplinar os desejos e usar o amor
como força transmutadora. Não há progresso verdadeiro enquanto o estudante não
dominar o seu mundo interno. As faculdades espirituais são o resultado natural de
uma vida pura e altruísta, e não um prêmio externo concedido por algum mestre. O
poder espiritual não deve ser buscado por curiosidade ou vaidade, mas como meio
de servir melhor à humanidade.
Na Fraternidade Rosacruz, os Mestres não interferem no livre-arbítrio humano nem
distribuem poderes conforme caprichos pessoais. Eles observam e auxiliam à
distância, quando percebem sinceridade, persistência e pureza de propósito. A sua
presença é silenciosa, mas constante para aqueles que trilham o caminho do
serviço desinteressado. Só quando o discípulo demonstra estar preparado — pela
rectidão de vida e pela dedicação amorosa à humanidade — é que o Mestre se
revela, e mesmo assim, de modo subtil, espiritual, e nunca espectacular.
Em síntese, o verdadeiro caminho espiritual é uma longa escola de autodomínio e
paciência. As “asas” que o estudante tanto deseja não crescem repentinamente;
elas formam-se aos poucos, a cada renúncia, a cada prova superada com fé e
serenidade. O Mestre exterior nada pode fazer se o discípulo interior ainda dorme.
Cabe a cada um o esforço persistente de acordar, de iluminar-se por dentro, para
então compreender que o verdadeiro guia espiritual não está fora, mas no âmago
do seu próprio ser — essa centelha divina que, um dia, tornará cada homem um
cooperador consciente no grande plano evolutivo de Deus.

António Neves
01-05-202

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/mestres-espirituais-e-a-paciencia-do-discipulo/

17/04/2026

DEJÁ VUE
Na última semana revi o filme Dejá Vue, que tem como protagonista Denzel Washington, filme esse que me trouxe de novo à memória e me fez reflectir sobre o que são os mundos paralelos. Aprecio sempre que o vejo o facto, de o homem ter influência no mundo e no desenrolar dos acontecimentos subsequentes. No filme eles podem puxar os eventos que aconteceram há quatro dias e meio para trás, e ter uma influência sobre esses factos, produzindo um desfecho diferente.
Tenho para mim, que o livre-arbítrio é o progresso do espírito no tempo. E que à medida que vamos evoluindo, o ser humano vai tendo maior escopo nas decisões que toma como espírito individual que é.
De acordo com a nossa filosofia há três tipos de destino que nós geramos sob a lei de Causa e Efeito através dos nossos actos, nomeadamente:
1 - O Destino que criamos, como por exemplo, quando uma pessoa comete um crime que devido à sua natureza não pode ser expiado na vida actual. Mesmo que seja condenado e vá para a prisão, esta não o tornará mais pacífico e bondoso; antes pelo contrário, tornar-se-á mais agressivo. Esta pessoa deverá aprender a não tirar a vida ao seu semelhante, destruindo o seu corpo, mas deve, sobretudo, aprender a servi-lo. O caso não ficará resolvido, até que ele tenha futuramente a oportunidade de compensar a vítima.
2 - O segundo tipo de destino refere-se ao que acontece no nosso dia a dia, e pagamos à medida da nossa conduta: se comermos em excesso sofremos de indigestão; se bebermos de mais danificamos o fígado: se caminharmos no meio da estrada somos atropelados, etc.
3 - O terceiro tipo é o Destino Maduro, resultado das nossas acções em vidas passadas, e independentemente de qualquer tentativa da nossa parte para alterar esse destino e revertê-lo, este não pode sofrer interferência, e realizar-se-á, independentemente do que fizermos.
O ser humano possui livre-arbítrio, é o criador do seu próprio destino, a sua conduta durante o dia é o reflexo do que ele faz para ser melhor cada dia que passa! Só aí ele poderá clamar: Sou mestre do meu destino e o capitão da minha alma!

António Ferreira
16/04/2026

Texto publicado em https://centro-rosacruz.pt/deja-vue/

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11/04/2026

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