24/05/2026
Optchá 🧡
Texto completo: Os Ciganos na Umbanda são entidades que trabalham no plano neutro, entidades que chegam com o fresco de uma aragem e partem com um simples sopro.
São leves, quase imperceptíveis quando comparados a outras linhas, mas deixam em nós uma sensação profunda de paz, alegria e união.
É toda uma ancestralidade que viveu, que perdeu, que recomeçou, que atravessou mundos e tempos e mais bonito ainda é sentir e perceber que são parte da nossa família espiritual.
O povo cigano é considerado um povo nómada, mas não no sentido romântico que as pessoas imaginam ou que a maioria conhece.
Eles são nómadas porque aprenderam que ficar parado é mais sofredor do que tentar seguir um caminho.
E é isso que eles nos ensinam, a não aceitar uma vida que não nos serve, a não nos contentarmos com o mínimo, a não confundirmos conforto com felicidade.
Eles mostram que estagnação é a forma lenta de desistir e que cada pessoa tem dentro de si um caminho que ainda não teve coragem de pisar. Que às vezes é só ir, mesmo que não seja confortável, quem não sabe ao que vai não cria expectativas, apenas vai.
A ancestralidade cigana fala muito sobre isso, sobre a coragem de mudar, sobre a honestidade de admitir que queremos mais,
sobre a força de seguir mesmo quando o medo aparece.
Eles lembram-nos que sonhar não é um luxo.
Sonhar é uma característica humana que nos empurra para fora do lugar onde a estagnação insiste em ficar, mas nós somos os responsáveis por admitir na nossa vida.
E a verdade é simples, se não sonharmos, nada acontece, mas se sonharmos e acreditarmos já é um passo gigante.
O povo cigano não nos promete caminhos fáceis, promete caminhos vivos, promete movimento, verdade, escolhas, promete que, se dermos um passo, por mais pequenino que seja, já é uma vitória!
E é isto que faz deles a nossa família espiritual, não é o brilho, não são as cores, não são os símbolos, mas a forma como nos lembram que ainda temos vida e ter vida é uma oportunidade gigante para viver.
Mesmo não vendo ou acreditando, nunca caminhámos sós.