06/06/2026
EVANGELHO DE HOJE, X DOMINGO DO TC, ANO A (Mt 9, 9-13)
“Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus ia a passar,
quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus, muitos publicanos e pecadores
vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos.
Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que o vosso Mestre
come com os publicanos e os pecadores?»
Jesus ouviu-os e respondeu:
«Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas sim os doentes.
Ide aprender o que signif**a:
‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos,
mas os pecadores».
Palavra da salvação”.
No Evangelho de hoje, S. Mateus narra-nos como Jesus o chamou e a festa que fez, para celebrar esse facto, convidando Jesus e os seus amigos.
Mateus era cobrador de impostos, e foi aí que Jesus o foi chamar, dizendo-lhe: “Segue-Me”. E “ele levantou-se e seguiu Jesus”. Tão simples! Renunciando aos seus bens, seguiu “Aquele que via totalmente desprovido de riquezas. É que o Senhor chamava-o exteriormente com a sua palavra, mas iluminava-o de um modo interior para que O seguisse, infundindo na sua mente a luz da graça espiritual, para que pudesse compreender que Aquele que na terra o afastava dos negócios temporais, lhe podia dar no Céu tesouros incorruptíveis”, diz S. Beda Venerável.
Logo de seguida, Mateus conta-nos: “Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus, muitos publicanos e pecadores vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos”.
Comenta S. Beda Venerável: “A conversão de um publicano deu a muitos publicanos e pecadores um exemplo de penitência e perdão. Foi, na verdade, um belo e feliz precedente: aquele que havia de ser apóstolo e doutor das gentes, atraiu consigo ao caminho da salvação, logo no primeiro momento da sua conversão, um grupo de pecadores. Deste modo, já desde os primeiros indícios da sua fé, começou o ministério da evangelização que mais tarde havia de desempenhar, quando chegasse á perfeição das suas virtudes”.
De facto, é esta a força do encontro com Cristo: quem O encontra f**a tão feliz que não pode guardá-lo só par si! Mateus, que pela sua profissão era odiado pelo povo, encontra Jesus que o ama como é! Haverá maior alegria!
Os “fiscais” do tempo, os fariseus, que desprezavam os publicanos e pecadores, comentam, imediatamente, a atitude, para eles escandalosa, de Jesus para com os publicanos e pecadores: “Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?”. Esta é a murmuração contante dos fariseus e dos escribas contra Jesus: “Este acolhe os pecadores e come com eles” (Lc 15, 2).
Jesus, que ouviu, respondeu-lhes: “Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que signif**a: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Jesus retoma o que diz a primeira leitura deste domingo, do profeta Oseias, o profeta da misericórdia: “Eu quero a misericórdia e não o sacrifício, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos” (Os 6, 6). O “sacrifício”, os “holocaustos” são os ritos religiosos realizados no templo, a prática religiosa, desligada do amor a Deus e aos irmãos.
Os fariseus vivem uma prática religiosa (“sacrifício”) de fachada, desprovida de misericórdia para com as pessoas. Jesus, porém, prefere a misericórdia para com os pecadores, qual reflexo da misericórdia do Pai. Ele veio chamar os pecadores (e quem não é pecador? Somos todos) ao arrependimento e não os justos, como os fariseus, “que consideravam justos e desprezavam os outros” (Lc 18, 9). São os doentes (pecadores) que precisam de médico e não os que têm saúde. Mateus era um destes doentes, um destes pecadores, mas foi tocado pelo olhar misericordioso de Jesus, como bem o exprime o quadro de Caravaggio.
No Evangelho de Lucas, neste mesmo episódio, a pergunta dos fariseus e dos escribas insere os discípulos na mesma atitude de Jesus: “Porque comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?” (Lc 5, 30). Segundo Lucas, os discípulos já tinham aprendido com Jesus a misericórdia para com os pecadores. Com seria bom que também nos acusassem disso!
Jesus, Nosso Senhor, amou-nos (e ama-nos) e deu (e dá) a vida pelos pecadores, que somos todos nós, e ressuscitou para nos perdoar, como nos lembra, hoje a segunda leitura: “foi entregue à morte por causa das nossas faltas e ressuscitou para nossa justif**ação” (Rm 4, 25). Se Jesus nos amou assim, “quando éramos ainda pecadores” (Rm 5, 8) – e quando ainda somos! – amemos também os nossos irmãos pecadores. Só assim seremos discípulos de Jesus, cristãos!
Concluímos com a oração pós-comunhão da Eucaristia de hoje: “Senhor, que nos fizestes participar na alegria de São Mateus ao receber à sua mesa o Salvador, alimentai-nos sempre com o pão de Cristo, que veio chamar à salvação não os justos, mas os pecadores”.
Bom domingo, na alegria de Jesus nos ter vindo chamar a nós, pecadores, e na alegria de, como Jesus, amar os pecadores!