22/04/2025
NOTA DE IMPRENSA 0125
FALECEU O PAPA FRANCISCO
A Rumos Novos – Católic@s LGBTQIA+ em Ação manifesta a sua profunda tristeza pelo falecimento de Sua Santidade, o Papa Francisco, cuja liderança espiritual foi marcada por gestos de acolhimento, humildade e diálogo, ainda que muitas vezes recebidos com resistência. O Papa Francisco tocou milhões de fiéis em todo o mundo, especialmente aqueles e aquelas da comunidade LGBTQIA+ e foi um farol de esperança para muitos.
Embora tenhamos tido divergências em relação a algumas das suas posições sobre questões LGBTQIA+, apreciamos os seus esforços na promoção de uma Igreja mais inclusiva, acolhedora e misericordiosa, inclusive no que diz respeito à comunidade LGBTQIA+. As suas palavras de empatia, como "Quem sou eu para julgar?", ainda que recebidas com resistência por parte de setores mais conservadores da Igreja, são sinais de esperança para muitos e muitas que há tanto tempo se sentem à margem e, esperamos, plantaram sementes importantes para um futuro de maior empatia, esperança e respeito.
A Rumos Novos – Católic@s LGBTQIA+ em Ação apelas a todos e todas que o legado de Francisco de empatia e respeito nos inspire a continuar a luta pela dignidade e pelos direitos de todas as pessoas, especialmente dos fiéis LGBTQIA+, no seio da Igreja, valorizando o amor e a aceitação integral, acima de tudo. Unimo-nos em luto e gratidão pela sua vida e ensinamentos. Embora tenhamos tido divergências em relação a algumas das suas posições sobre questões LGBTQIA+, apreciamos os seus esforços em promover uma Igreja mais inclusiva e acolhedora.
Apesar dos seus esforços, De ter adotado uma maior abertura e uma abordagem de acolhimento e respeito em relação à comunidade LGBTQIA+ de fé, Francisco manteve inalterada a doutrina tradicional
da Igreja Católica no que concerne às pessoas LGBTQIA+ de fé:
• Em 2013, Francisco declarou: "Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?". Uma mensagem na linha de acolhimento do pecador, mas não do pecado.
• Em janeiro de 2023, o Papa afirmou que, embora a homossexualidade seja considerada pecado pela Igreja, não deveria ser criminalizada. Ele defendeu que a Igreja acolha a comunidade LGBTQIA+, embora tenha considerado pecaminosa a condição, e se oponha a leis que criminalizam a homossexualidade.
• Em novembro de 2023,
o Vaticano esclareceu que pessoas
transexuais podem ser batizadas e atuar
como padrinhos ou madrinhas, desde que cumpram
os requisitos estabelecidos pela Igreja.
• Em dezembro de 2023, o Vaticano publicou a declaração Fiducia supplicans,
autorizando padres a concederem bênçãos a pessoas vivendo uniões de facto do mesmo s**o
e a casais heterossexuais em situações consideradas "irregulares" pela Igreja. Estas bênçãos são, no entanto, informais e individualizadas e não fazem parte da liturgia oficial, não se equiparam ao sacramento do matrimónio, que continua reservado à união entre homem e mulher, nem tão pouco ao reconhecimento dessas uniões como estando de acordo com os ensinamentos da Igreja.
Apesar destas iniciativas de uma inclusão não integral, o Papa Francisco também reiterou as posições tradicionais da Igreja. Assim em abril de 2024, foi aprovada a declaração Dignitas Infinita, que classifica as cirurgias de redesignação sexual e a teoria de género como graves violações à dignidade humana. Ele próprio afirmou que a condição homossexual é uma condição pecaminosa.
Desta forma, o Papa Francisco procurou equilibrar, através de uma linguagem nova e não de uma reforma doutrinária, o acolhimento pastoral com a doutrina católica, infelizmente, não conseguiu alterar os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica respeitantes às pessoas LGBTQIA+ de fé.
Neste momento de luto, estendemos os nossos sentimentos a todos e todas os irmãos e irmãs e a todos aqueles que foram tocados pelo trabalho do Papa Francisco.
A Rumos Novos – Católic@s LGBTQIA+ em Ação espera que a memória de Francisco seja uma bênção e fonte de esperança para as profundas mudanças de que a Igreja necessita.