19/02/2026
Ontem, quarta-feira de Cinzas iniciou-se o tempo da Quaresma.
Tempo de silêncio, introspecção e de reconciliação.
Aqui vos deixo a mensagem do nosso pároco para este Tempo.
Neste tempo santo da Quaresma, a Igreja convida a caminhar com o coração voltado para o Senhor, renovando a fé, fortalecendo a esperança e praticando a caridade. Inspirados pelo lema que nos orienta pastoralmente em Diocese: “Pacientes na tribulação” (cf. Rm 12,12), somos chamados a viver este tempo como uma verdadeira escola de confiança em Deus, um tempo de escuta e de discernimento maturado na profundidade do coração.
Toda a Quaresma é uma longa e profunda celebração do Mistério Pascal do Senhor, fonte inesgotável e perene de salvação e de toda a vida cristã. A participação na Páscoa de Jesus foi o que de mais decisivo aconteceu na nossa vida. Na verdade, nascemos de novo, no dia do nosso Batismo. Essa vida nova, vida em Cristo morto e Ressuscitado consolidou-se no sacramento da Confirmação que nos garante o dom permanente do Espírito Santo e nutre-se em cada dia na Eucaristia, saboreando o Pão entregue para a vida do mundo até atingirmos a plenitude da vida na Casa do Pai. Agora, durante 40 dias somos chamados a uma caminhada, a uma peregrinação interior em que guiados pela Palavra, somos convidados a abrir o nosso coração ao Senhor.
Ser cristão é viver por Cristo, viver com Cristo, viver em Cristo! E para nos encontrarmos com Jesus Cristo precisamos de “descentrarmo-nos” de nós próprios, de nos “esvaziarmos”, de mudarmos o coração. Numa palavra: conversão! Convertermo-nos significa abandonarmos as obras contrárias à vontade divina, as obras do pecado e abrirmo-nos aos planos de Deus. É acreditarmos na Boa Nova, isto é, descobrirmos em Cristo a realização do plano de Deus e aderirmos a Ele e à sua mensagem com todo o coração, não obstante as dificuldades e seduções que encontramos no caminho.
Iluminados pela força vivificante do Evangelho, aceitemos como cristãos saborear o dom da Palavra, que Deus oferece como alimento vigoroso para darmos fecundidade à nossa fé, profundidade à esperança e plenitude ao nosso amor. Precisamos fazer de Deus e de Cristo a opção fundamental da nossa vida.
A Carta aos romanos, ensina que a tribulação se vence com a paciência. Esta não é resignação passiva, mas perseverança ativa. É permanecer firmes mesmo quando o peso da cruz parece maior que nossas forças. A tribulação faz parte da condição humana, mas, iluminada por Cristo, torna-se caminho de amadurecimento e santificação. Contemplando Jesus Cristo no deserto, vemos que Ele enfrentou a tentação, o sofrimento e a solidão com fidelidade ao Pai. A sua vitória nos encoraja a enfrentar as nossas próprias lutas com coragem e serenidade. A paciência nasce da certeza de que Deus caminha connosco e jamais nos abandona.
Peçamos a intercessão da Virgem Maria, que permaneceu firme ao pé da cruz do Senhor, exemplo sublime de confiança, paciência e esperança. Que ela, Mãe da Consolação, nos ensine a esperar no Senhor mesmo nas horas mais difíceis da nossa vida.
Que este tempo quaresmal possa nos conduzir a uma Páscoa verdadeiramente renovada, certos de que, após a cruz, sempre floresce a ressurreição e a vida!