Ordinariato Castrense Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança

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Jornadas Pastorais do Episcopado: O desafio da Inteligência Artificial à luz da Fé ⛪🤖Concluíram-se hoje, em Fátima, as J...
16/06/2026

Jornadas Pastorais do Episcopado: O desafio da Inteligência Artificial à luz da Fé ⛪🤖

Concluíram-se hoje, em Fátima, as Jornadas Pastorais do Episcopado Português. O segundo dia foi marcado por uma profunda reflexão sobre como a Igreja deve acolher e habitar a nova realidade da Inteligência Artificial (IA), mantendo sempre no centro a dignidade da pessoa humana.

💡 Os temas em destaque:

🔹 Espiritualidade na era da IA: A Doutora Eugénia Abrantes lembrou-nos que a dimensão espiritual — a capacidade de amar, criar sentido e viver a presença de Deus — é unicamente humana. O desafio? Não rejeitar a tecnologia, mas envolvê-la e transformá-la, como a ostra que transforma o corpo estranho numa pérola.

🔹 IA no contexto pastoral: Octávio Carmo (Agência Ecclesia) demonstrou, na prática, que embora a IA seja uma ferramenta ágil, carece do essencial: o conhecimento relacional e a consciência moral. Um conselho gerado por máquina será sempre técnico, mas nunca substituirá o rosto, a história e a presença de quem acompanha.

🔹 O que nos torna humanos? O Professor João Manuel Duque trouxe uma reflexão antropológica marcante: a nossa humanidade não reside nas capacidades cognitivas (que a máquina pode imitar), mas na nossa capacidade de amar, de nascer de alguém e de nos darmos pelos outros. É aqui que reside a imagem de Deus em nós.

📝 O caminho a seguir:
As Jornadas deixaram claro que a IA está a alterar a forma como as pessoas procuram informação e tomam decisões. A Igreja é chamada a renovar a sua presença digital e a integrar este tema na catequese e na formação, superando o "fascínio" ou a "recusa" para encontrar uma terceira via: a do discernimento sereno e fecundo ao serviço do Evangelho.

O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa encerrou os trabalhos com um convite a todas as comunidades: que a reflexão iniciada nestes dias continue, tendo como bússola a encíclica Magnificat Humanitas.

👉 Saiba mais em: https://ordinariato.castrense.pt/jornadas-pastorais-do-episcopado-em-fatima-tarde-do-segundo-dia-encerra-com-reflexao-sobre-ia-espiritualidade-e-antropologia-teologica/

💻 Sacerdotes e Redes Sociais: O desafio da missão digitalEm Fátima, na manhã do segundo dia das Jornadas Pastorais do Ep...
16/06/2026

💻 Sacerdotes e Redes Sociais: O desafio da missão digital

Em Fátima, na manhã do segundo dia das Jornadas Pastorais do Episcopado Português, o foco esteve na presença da Igreja no mundo digital. O Professor Juan Narbona, da Pontifícia Universidade de Santa Cruz, deixou alertas e orientações importantes para os nossos sacerdotes. ⛪️✨

O orador identificou três perfis no clero:

1️⃣ Missionários digitais: veem a internet como campo de evangelização.

2️⃣ Turistas digitais: navegam sem grande rumo.

3️⃣ Tecnocépticos: resistem a estas plataformas.

💡 O desafio: Reconhecer que a presença online não é neutra. Quer usem pouco ou muito, a forma como comunicam reflete a sua missão e identidade.

Narbona deixou 10 conselhos essenciais, entre os quais:

✅ Coerência: Ser a mesma pessoa online e offline.

✅ Discernimento: Antes de publicar, perguntar: "O que estou a comunicar? Está alinhado com o Evangelho?"

✅ Evitar a polarização: Não cair em divisões políticas ou ideológicas que ferem a credibilidade pastoral.

✅ Equilíbrio: A vida digital nunca pode suplantar o confessionário ou a visita aos doentes.

O debate tocou ainda na necessidade de formar equipas com leigos e de aproveitar o mundo digital como uma ponte de diálogo entre gerações. 🤝

Como vê a presença dos padres nas redes sociais? Acha que é uma ferramenta essencial para a evangelização atual? Partilhe a sua opinião nos comentários! 👇

Notícia no link https://ordinariato.castrense.pt/jornadas-pastorais-do-episcopado-em-fatima-sacerdotes-e-redes-sociais/

Jornadas Pastorais do Episcopado em Fátima debatem Inteligência Artificial e anúncio da féJun 15, 2026 | Notícias Fátima...
15/06/2026

Jornadas Pastorais do Episcopado em Fátima debatem Inteligência Artificial e anúncio da fé
Jun 15, 2026 | Notícias

Fátima, 15 de junho de 2026 — Decorreu esta tarde, no Salão Bom Pastor do Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, a sessão de abertura das Jornadas Pastorais do Episcopado Português, subordinadas ao tema «Anúncio da Fé na Nova Revolução Tecnológica (IA) e na Nova Cultura». Os trabalhos contaram com a presença dos bispos portugueses e de delegados de todas as dioceses e sectores da pastoral, num encontro que se prolonga até amanhã, 16 de junho.

A sessão inaugural foi presidida pelo Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Virgílio do Nascimento Antunes, que sublinhou o alinhamento dos bispos portugueses com o dinamismo sinodal impulsionado pelo Papa Francisco e continuado pelo Papa Leão XIV. Referindo-se à recente publicação da encíclica Magnificat Humanitas, o Presidente da CEP salientou que, embora o programa das Jornadas tivesse sido definido antes da sua publicação, o documento pontifício veio confirmar a pertinência e oportunidade dos temas escolhidos.

Na sua intervenção, o Presidente da CEP apelou a que o debate não ficasse circunscrito ao diagnóstico da revolução tecnológica, mas se orientasse, acima de tudo, para a questão central do anúncio da fé: como ajudar as pessoas ao encontro com Deus e com a comunidade cristã nos novos contextos culturais e digitais. Manifestou ainda a esperança de que, no final das Jornadas, os participantes dispusessem de pistas concretas para implementar caminhos de evangelização na sociedade atual.

«A IA: uma nova Caixa de Pandora?»

A conferência inaugural esteve a cargo de Mons. Renzo Pegoraro, Presidente da Pontifícia Academia para a Vida — recentemente nomeado bispo, aguardando ordenação nos próximos dias —, que apresentou uma panorâmica abrangente sobre a inteligência artificial e os seus desafios éticos, antropológicos e pastorais.

Mons. Pegoraro distinguiu as diferentes gerações de sistemas de IA — da inteligência artificial restrita à inteligência generativa —, clarificando que, apesar da sofisticação crescente, a máquina não pensa, não sente nem comunica verdadeiramente: correlaciona dados, arquiva informação e simula comunicação. Alertou para o uso metafórico de conceitos humanos aplicados à IA, que pode induzir em erro sobre a sua real natureza.

O conferencista identificou os grandes desafios colocados por esta revolução tecnológica: a concentração do poder de desenvolvimento da IA em poucas empresas, maioritariamente norte-americanas; o elevado consumo de energia e de recursos ambientais; os riscos de opacidade e falta de transparência nos algoritmos; e a necessidade de uma governança ética que coloque o ser humano no centro, à luz da doutrina social da Igreja.

Citando o Papa Leão XIV, Mons. Pegoraro insistiu na importância de «habitar a inteligência artificial» — presença crítica, formada e responsável —, propondo princípios orientadores como a transparência, a inclusão, a responsabilidade partilhada, a fiabilidade, a segurança e a proteção dos mais vulneráveis.

«IA: Desafios e Oportunidades para o Anúncio do Evangelho»

Na segunda conferência da tarde, Mons. Pegoraro abordou as implicações pastorais e evangelizadoras da inteligência artificial. Reconheceu que a IA oferece oportunidades reais para a transmissão da fé — desde a preparação de catequeses e homilias até à criação de conteúdos espirituais e ao alcance de públicos que de outro modo dificilmente seriam contactados pela Igreja.

Contudo, advertiu para os riscos de uma espiritualidade artificial que simule empatia sem a possuir, que responda a perguntas existenciais profundas sem consciência nem discernimento verdadeiro. Referiu estudos recentes que mostram jovens a recorrer a assistentes de IA em busca de sentido para a vida, de respostas terapêuticas e de acompanhamento espiritual — realidade que interpela diretamente a missão pastoral da Igreja.

O Presidente da Pontifícia Academia para a Vida concluiu apelando a um compromisso pastoral sólido que inclua a alfabetização digital da comunidade cristã, a formação crítica dos agentes pastorais, o investimento das universidades católicas na reflexão interdisciplinar sobre IA, e o empenho da Igreja como interlocutora privilegiada no debate ético e político sobre a regulação desta tecnologia.

As conferências foram seguidas de um animado período de perguntas e diálogo, no qual os presentes abordaram temas como o impacto da IA no mundo do trabalho e na dignidade laboral, a concentração geopolítica do poder tecnológico, os riscos das fake news potenciadas pela inteligência artificial, a questão da criação artística e espiritual gerada por máquinas, e a necessidade de legislação internacional que regule o setor.

As Jornadas Pastorais prosseguem amanhã, dia 16 de junho, com intervenções sobre estratégias digitais para instituições eclesiais, a relação entre sacerdotes e redes sociais, IA e espiritualidade, e os fundamentos antropológicos e teológicos da inteligência artificial à luz da encíclica Magnificat Humanitas.

Bispo do Ordinariato Castrense preside à Missa do 130.º Aniversário da Fundação-Lar de Cegos de Nossa Senhora da SaúdeJu...
14/06/2026

Bispo do Ordinariato Castrense preside à Missa do 130.º Aniversário da Fundação-Lar de Cegos de Nossa Senhora da Saúde
Jun 14, 2026 | Notícias

Celebração transmitida pela TVI a partir da Capela de Nossa Senhora da Saúde, em Martim Moniz, assinalou um século e três décadas de missão ao serviço dos mais vulneráveis.

A Capela de Nossa Senhora da Saúde, no coração de Martim Moniz, em Lisboa, acolheu na manhã deste domingo, 14 de junho de 2026, a Missa solene do 130.º Aniversário da Fundação-Lar de Cegos de Nossa Senhora da Saúde. A celebração, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, foi transmitida em direto pela TVI, chegando a lares, hospitais e residências em todo o território nacional e além-fronteiras.

A Eucaristia constituiu o momento central das comemorações de uma instituição fundada em 1896, por vontade testamentária de D. Maria Balbina dos Reis Pinto — falecida em 20 de junho de 1890 —, que legou um edifício para acolher cegos pobres de Lisboa. Sob administração da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e São Sebastião, a obra cresceu ao longo de cento e trinta anos de presença fiel junto dos mais vulneráveis.

"Recebestes de graça, dai de graça": a homilia do Bispo

Na homilia, D. Sérgio Dinis partiu das leituras do dia — Êxodo 19, Romanos 5 e Mateus 9-10 — para tecer uma meditação sobre a missão como resposta gratuita ao amor de Deus. Recordando a aliança do Sinai, o Bispo sublinhou que a eleição de Israel não era um privilégio fechado, mas uma vocação universal: "ser propriedade especial de Deus não significa ser o favorito. Significa ser o enviado."

Evocando a cena evangélica em que Jesus contempla as multidões com entranhas de compaixão, D. Sérgio Dinis destacou que essa compaixão não paralisa, antes mobiliza: "A compaixão não é um sentimento que se guarda. É uma força que mobiliza." O prelado aplicou essa lógica à obra da Fundação, cujos trabalhadores e voluntários identificou como aqueles que, quotidianamente, curam enfermos e expulsam os "demónios da solidão, do abandono e da invisibilidade que tantas vezes a nossa sociedade impõe aos mais velhos e aos mais frágeis."

O Bispo evocou com particular relevo a figura de D. Maria Balbina dos Reis Pinto, descrevendo-a como alguém que "não se limitou a falar da caridade — praticou-a, não se ficou pelas palavras, transformou-as em obras." A homilia terminou com um apelo dirigido a todos os que acompanhavam a celebração à distância: olhar as multidões fatigadas com os olhos de Jesus e agir, porque "recebemos de graça, de graça somos chamados a dar."

A celebração reuniu uma assembleia representativa das instituições ligadas à Fundação. Estiveram presentes, entre outros, o Major-General Dias Martins, Provedor da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e de São Sebastião; o Brigadeiro-General Marques Avelar, Vice-Provedor; o Coronel Duarte Trindade, Presidente do Conselho Executivo da Fundação-Lar; e o Tenente-General Ribeiro de Oliveira, antigo Presidente da Assembleia Geral da Real Irmandade. O Reverendo Padre Alberto Gomes, Capelão da Real Irmandade, esteve igualmente presente, assim como membros estatutários, trabalhadores, utentes da Fundação e os Militares do Terno de Clarins da Fanfarra do Exército.

A homilia terminou com uma prece à Nossa Senhora da Saúde, invocada como intercessora de todos os que servem e de todos os que são servidos, para que a Fundação-Lar continue a ser, por muitos anos, sinal visível da ternura de Deus sobre os seus filhos.

13/06/2026
Dois sacramentos, um único Dom: Ordinariato Castrense celebra Batismo e Crisma na GNRJun 12, 2026 | Notícias 17 guardas ...
12/06/2026

Dois sacramentos, um único Dom: Ordinariato Castrense celebra Batismo e Crisma na GNR
Jun 12, 2026 | Notícias

17 guardas provisórios batizados e 165 crismados em celebração única na Sé de Portalegre

A Sé de Portalegre acolheu, na manhã desta sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma celebração solene dos Sacramentos da Iniciação Cristã, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal. A cerimónia, que encheu a catedral de fiéis, familiares e altas patentes das forças de segurança, ficou marcada pelo Batismo de 17 guardas provisórios e pelo Crisma de outros 165 militares do Centro de Formação da Guarda Nacional Republicana (GNR) em Portalegre.

A concelebrar esteve o Bispo da Diocese anfitriã, D. Pedro Fernandes, acompanhado pelos capelães que acompanham de perto a vida espiritual destes militares: o capelão-adjunto para a GNR, Pe. António Borges da Silva; o capelão do Centro de Formação, Pe. Marcelino Dias Marques; e os capelães Pe. Licínio Silva, Pe. António Santiago e Pe. Rui, pároco da Sé.

Na sua homilia, inspirada pela solenidade e pelas leituras do Pentecostes, D. Sérgio Dinis usou a imagem do vento para explicar a força transformadora do Espírito Santo. “Ninguém escolhe o vento. O vento chega. E, quando chega, nada permanece igual”, afirmou o prelado, dirigindo-se diretamente aos catecúmenos e crismandos. Sublinhou que a presença de todos na Sé não era fruto do acaso, mas de um chamamento divino.

Fazendo uma distinção essencial entre os dois sacramentos, D. Sérgio Dinis explicou que, pelo Batismo, os candidatos descem à água para fazer morrer o “homem velho” e renascer como criaturas novas. Já o Crisma, afirmou, imprime nos confirmandos “o selo definitivo, o sinal indelével do soldado de Cristo”, fortalecendo-os e enviando-os em missão.

O Bispo Castrense detalhou ainda os sete dons do Espírito Santo — sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus —, descrevendo-os não como enfeites espirituais, mas como “forças vivas para transformar a vida de cada dia”. Num contexto particularmente significativo para militares, destacou a fortaleza como “esse dom precioso, para não ceder quando o mundo pede que traiamos a consciência”.

D. Sérgio Dinis concluiu a homilia com um mandato missionário, exortando os novos batizados e crismados a levar a paz de Cristo “às vossas famílias, às vossas escolas, aos vossos locais de trabalho”.

A cerimónia contou com um notável dispositivo protocolar, que atesta a profunda ligação entre a instituição militar e a Igreja. Marcaram presença a Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Eng.ª Fermelinda Carvalho, o Comandante da Escola da Guarda, Major-General Nuno Silva, o Segundo Comandante, Coronel Paulo Poiares, o Comandante do Centro de Formação, Coronel Pedro Ribeiro, o Comandante Territorial de Portalegre, Coronel Luís Candeias, e a Comandante Distrital da PSP, Superintendente Isabel Canelas, além de numerosos oficiais, sargentos e guardas.

11/06/2026
Mosteiro dos Jerónimos acolheu missa solene do 10 de Junho em honra da Pátria e dos CombatentesJun 10, 2026 | Notícias F...
10/06/2026

Mosteiro dos Jerónimos acolheu missa solene do 10 de Junho em honra da Pátria e dos Combatentes
Jun 10, 2026 | Notícias

FOTOS DA CERIMÓNIA: Francisco Cardoso

A Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, foi esta manhã o palco central das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A tradicional missa solene reuniu as Forças Armadas, antigos combatentes e a sociedade civil numa cerimónia carregada de simbolismo, onde se evocaram os valores da identidade nacional e a proteção espiritual da nação.

A Eucaristia foi presidida pelo Vigário-Geral da Diocese das Forças Armadas, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Capelão Diamantino Júlio Custódio Teixeira. Durante a homilia, o sacerdote sublinhou a feliz coincidência de a data cívica celebrar também, no calendário litúrgico, o Anjo da Guarda de Portugal — figura cuja devoção remonta às origens do reino e foi reavivada pelas aparições de Fátima.

Perante uma assembleia que contou com expressiva representação dos três ramos — Marinha, Exército e Força Aérea — e a presença de ex-combatentes, o capelão adjunto para a Marinha recorreu às leituras do dia para traçar uma ponte entre a história militar e a dimensão espiritual do país. Partindo da profecia de Daniel, que descreve a luta entre anjos e os “príncipes dos reinos”, o Pe. Diamantino Teixeira lembrou que “a história humana não é feita apenas de jogadas políticas ou estratégias militares”, mas também de uma batalha invisível entre a luz e as trevas.

“Hoje, ao homenagearmos os nossos Combatentes, percebemos que o heroísmo humano e a proteção divina andam de mãos dadas. Os nossos soldados foram, muitas vezes, os braços visíveis da proteção que o Anjo da Guarda operava no invisível”, afirmou, arrancando um momento de profundo recolhimento ao recordar quantos “pagaram com o próprio sangue o preço da nossa liberdade”.

A celebração não se esgotou na memória bélica. Num ano em que se celebra Luís de Camões e as Comunidades Portuguesas, o capelão lançou um olhar de apreço sobre a Diáspora. “Onde há um português no mundo, há uma extensão desta pátria”, disse, classificando os emigrantes como “anjos da guarda da nossa cultura e da nossa língua”.

Num tom que misturou solenidade com um apelo à ação cívica, o Vigário-Geral deixou um alerta contra a “nostalgia bacoca”, sublinhando que honrar Portugal hoje exige trabalhar ativamente pelo bem comum, apoiar os veteranos e promover a paz. “O melhor monumento que podemos erguer aos nossos combatentes é cuidar de Portugal, lutando pela justiça e pela honestidade nas nossas instituições”, concluiu.

A cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, que antecedeu as restantes comemorações oficiais do 10 de Junho, reafirmou assim o encontro entre a fé, a memória militar e o futuro coletivo, com uma bênção final dedicada a todos os que defendem a Pátria e àqueles que repousam já na “Pátria Celestial”.

10 de Junho. Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas – Mensagem do Bispo do Ordinariato CastrenseJun 10, 2026 ...
10/06/2026

10 de Junho. Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas – Mensagem do Bispo do Ordinariato Castrense
Jun 10, 2026 | Mensagens, Notícias

O Papa Leão XIV, na sua encíclica Magnifica Humanitas, convoca a humanidade para uma escolha decisiva nesta mudança de época: edificar a Torre de Babel, onde o poder se absolutiza e a pessoa se reduz a dado e a desempenho, ou reconstruir Jerusalém, onde cada um assume a sua parte da muralha e o povo, unido na presença de Deus, renasce pela corresponsabilidade corajosa e pela comunhão fraterna.

Hoje, em Angra do Heroísmo, dois homens disseram-nos, cada um à sua maneira, que este apelo não é abstrato nem distante. É urgente. É nosso.

Miguel Monjardino afirmou que uma cortina de medo tem vindo a descer sobre Portugal. Que o longo ciclo histórico nascido em 1945 chegou ao fim. Que estamos a entrar num tempo radicalmente novo, sem mapas conhecidos, sem rotas já navegadas. Que a desordem e a ignorância são os nossos principais inimigos. E que uma nação livre não deve ter medo. Deve estar prevenida e preparada.

O Presidente da República recordou que falar do mar é falar da identidade portuguesa. Que, enquanto outros viam o fim da terra, os portugueses viram o início de um caminho. Que Portugal precisa de coragem para fazer escolhas difíceis, de humildade para reconhecer os seus limites e de ambição para não se conformar com menos do que merece. E que a esperança não é uma ilusão. É uma das palavras que combatem a polarização e abrem o futuro.

Como Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança de Portugal, ouvi estas palavras com o coração atento. E sinto que elas nos interpelam a todos, mas de modo muito particular aos homens e às mulheres que vestem uma farda ao serviço da pátria.

Vós sois, por vocação e por missão, construtores de Jerusalém. Não edificais torres de orgulho. Guardais muralhas de paz. Em cada missão cumprida, em cada fronteira defendida, em cada vida protegida, estais a afirmar, com o vosso corpo e com a vossa entrega, que Portugal não se rende ao medo. Que há quem permaneça firme quando a tempestade ameaça o horizonte.

Camões chegou a esta ilha exausto, pobre e só. Mas trazia consigo o maior tesouro que uma geração pode legar à seguinte: a palavra que atravessa o tempo e dá nome à alma de um povo. Há algo de profundamente verdadeiro nessa imagem. O homem que regressa sem nada nas mãos, mas traz tudo dentro do peito. É assim que eu olho para cada um de vós quando regressais das missões. Sem o brilho que mereceis, mas com uma dignidade que ninguém vos pode tirar.

Somos um povo com quase nove séculos de história. Essa memória longa não deve paralisar-nos. Deve dar-nos raízes fundas e horizonte largo. Não somos espetadores desta mudança de época. Fomos sempre navegadores. E os navegadores não têm medo do mar. Conhecem-no, respeitam-no, preparam-se para ele e partem.

Uma nação crente sabe, além disso, que não está só. Sabe que há um Deus que caminha na história, silencioso e fiel, como o vento percorre o Atlântico. Sabe que o futuro não pertence ao mais forte, mas ao mais humano. Que a fraternidade não é ingenuidade nem fraqueza. É o único realismo que perdura.

Neste Dia de Portugal, peço ao Santo Anjo Custódio da nossa pátria, que a Igreja celebra precisamente hoje, que vele por este povo que guarda com fidelidade ao longo dos séculos. Que nos dê a coragem de Camões, a clareza de quem conhece o seu tempo e a esperança que só o Evangelho, em toda a sua beleza, sabe oferecer. E peço a Nossa Senhora, Mãe de Deus e Rainha de Portugal, que interceda por nós neste tempo de mudança, para que não tenhamos medo, mas fé. Não muros, mas caminhos.

Portugal não é longe demais. O amanhã não é longe demais.

+ Sérgio Dinis, Bispo das Forças Armadas e de Segurança de Portugal.

Endereço

Avenida Ilha Da Madeira, Nº1
Lisbon
1400-204

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