04/06/2026
Dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Havia em Burgos um Judeu Chamado Guillard, que era um dos mais ferozes inimigos do Catolicismo. Os eloquentes sermões de Santo António tinham-no impressionado, mas sem o convencer completamente.
Uma vez teve uma longa discussão com Frei António sobre a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, dogma que, em seu entender, era absolutamente inadmissível.
- “Irmão António, disse o Judeu, tenho uma mula, vou encerrá-la e conservá-la durante três dias sem comer. Ao fim desse tempo, levo-a a uma das praças maiores da cidade, e ali, na presença do povo, ofereço-lhe uma ração de aveia. O irmão, por seu lado, aparecerá com uma Hóstia, que, segundo a sua opinião, é o verdadeiro corpo do Homem Deus. Se a mula recusar a comida que eu lhe oferecer, para se prostrar diante da custódia, far-me-ei católico”
Era um solene desafio e o Franciscano aceitou-o. Enquanto não chegava a data aprazada, o apóstolo entregou-se completamente ao Jejum e à oração.
No dia combinado, Guillard apareceu na praça, acompanhado pelos seus numerosos partidários. Do lado oposto, veio António com a Custódia, que continha o Cordeiro de Deus. No meio da praça o Santo parou e dirigiu à mula estas palavras:
- “Em nome do teu Criador, que eu, embora indigno, tenho nas minhas mãos, ordeno e mando, ó ser privado de razão, que vinhais imediatamente prostar-te diante do teu Deus, para que, perante este milagre, os incrédulos fiquem sabendo que toda a Criação está submetida ao Cordeiro, que se imola sobre os altares sobre os nossos altares”.
Ao mesmo tempo um dos partido oposto, oferecia aveia ao animal esfomeado. A mula , sem fazer o menor caso da comida que lhe ofereciam, obediente à voz do Taumaturgo, foi direito a ele, dobrou os joelhos ante a Hóstia Sagrada e ficou nessa atitude de adoração. Ao presenciarem este evidente milagre, os católicos atrasaram o ar com os seus aplausos.
O dono da mula confessou-se, com toda a lealdade, vencido e, fiel à sua promessa, abjurou os seus erros. Muitos dos seus correligionários ali presentes, que começaram a duvidar e sinceramente procuravam a Verdade, foram também recebidos na Igreja Católica.
«Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam.»