03/07/2026
A 61.ª Bienal de Veneza prolonga-se muito para além dos pavilhões nacionais e do programa curatorial central.
Ao longo da cidade, intervenções em palácios, hotéis, fundações e espaços privados transformam Veneza num sistema contínuo de exposição, onde a fronteira entre arte, turismo, arquitetura e marca se torna deliberadamente porosa.
Neste contexto, obras como a intervenção de JR no Venice Venice Hotel inscrevem-se numa lógica mais ampla de produção de imagem urbana, em que a cidade funciona simultaneamente como palco, suporte e conteúdo.
A Bienal não se limita, assim, a organizar exposições: ela reorganiza a própria experiência da cidade, convertendo circulação, espetáculo e consumo cultural num único campo operativo.
O que se observa não é apenas uma exposição internacional, mas um modelo de cidade totalmente atravessado por regimes de visibilidade.