19/06/2026
A Bíblia está cheia de encontros com Jesus que terminam em adoração. Uns veem-no a curar, outros a multiplicar pães e peixes, outros ainda a libertar pessoas oprimidas por demónios. De uma forma ou de outra, Jesus é visto e, ao ser visto, é reconhecido como Salvador. E quem se encontra com Jesus não f**a igual.
Dos encontros transformadores que Jesus tem, um dos meus preferidos é o encontro com Simeão. Nesse encontro, Jesus não curou, não expulsou demónios, nem sequer falou, já que não tinha a habilidade para isso. Simeão está diante do Deus encarnado num bebé. O pouco que sabemos de Simeão chega para o respeitarmos: era justo, temente a Deus e vivia agarrado a uma promessa: não morreria antes de ver o Cristo. “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação” foram as suas palavras ao segurar o bebé Jesus nos seus braços.
A nossa expectativa, ao lermos o relato do cumprimento desta promessa, seria que Simeão pedisse a Deus muitos mais anos de vida para poder ver o Filho de Deus em ação. Assim, teria a oportunidade de testemunhar as curas, os milagres e as maravilhas que Jesus viria a realizar. Contrariando aquilo que naturalmente esperaríamos, Simeão declara que, tendo encontrado Cristo, já pode partir em paz. Pelo Espírito Santo, Simeão consegue reconhecer naquele bebé o Salvador do mundo. Para Simeão, nada nesta terra possui um valor que ultrapasse aquilo que já encontrou naquele pequeno bebé. Para Simeão, Cristo é tudo.
A fé de Simeão desafia-nos. Se os nossos olhos querem ver os milagres, maravilhas e grandes transformações na nossa vida, para Simeão bastou ver Jesus. O alerta que nos f**a é para não vivermos uma fé guiada pelos olhos, mas uma fé guiada pela pessoa de Cristo. Não precisamos de uma visão mais aguçada capaz de encontrar acontecimentos extraordinários, precisamos de mais fé, e para termos mais fé, precisamos de mais Jesus. O meu pedido é que Jesus encha o meu coração e que um dia, ao vê-lo, eu me veja tão satisfeito quanto Simeão.
[Texto de João Silva, imagem de Angelika Kauffmann]