Comissão Nacional Justiça e Paz

Comissão Nacional Justiça e Paz A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) é um organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa, que tem como finalidade promover e defender a Justiça e

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) é um organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa, que tem como finalidade promover e defender a Justiça e a Paz à luz da Doutrina Social da Igreja

O Papa Leão XIV escolheu o tema ‘Desarmar a tecnologia, servir a paz. A política como responsabilidade preventiva’, para...
11/08/2026

O Papa Leão XIV escolheu o tema ‘Desarmar a tecnologia, servir a paz. A política como responsabilidade preventiva’, para a celebração do LX Dia Mundial da Paz, a 1 de janeiro de 2027, informou hoje o Vaticano.

“Sua Santidade deseja evidenciar a responsabilidade moral de quem é chamado a agir no campo político e exorta toda a humanidade a promover a dignidade da pessoa humana e a contribuir para a construção da paz, começando por «desarmar a tecnologia»”, informa o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), em comunicado divulgado, esta terça-feira, 11 de agosto, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

‘Desarmar a tecnologia, servir a paz. A política como responsabilidade preventiva’, é o tema escolhido pelo Papa para o Dia Mundial da Paz 2027, a 60.ª edição, que vai ser celebrado a 1 de janeiro do próximo ano.

Segundo o Vaticano, Leão XIV dirige um “sentido apelo à comunidade internacional” para que promova acordos comuns, “capazes de salvaguardar a responsabilidade humana e os princípios humanitários”, em contextos relacionados com a vida das pessoas e a convivência entre os povos.

Mais informações, aqui: https://agencia.ecclesia.pt/portal/dia-mundial-da-paz-desarmar-a-tecnologia-servir-a-paz-a-politica-como-responsabilidade-preventiva-e-o-tema-da-mensagem-do-papa/

A luta contra a pobreza deve ser construída com mecanismos de cooperação eficazesNota da Comissão Nacional Justiça e Paz...
22/07/2026

A luta contra a pobreza deve ser construída com mecanismos de cooperação eficazes

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

A Comissão Nacional Justiça e Paz saúda a promulgação do diploma que autoriza a criação da Prestação Social Única. A ideia de unificação das treze prestações sociais não contributivas em favor dos mais pobres é positiva. Ela contribui para a simplificação do sistema e para que todos aqueles que precisam beneficiem efetivamente de apoios sociais.

A CNJP louva o diálogo estabelecido em torno desta iniciativa legislativa. Este foi muito relevante para a afirmação de um consenso alargado em torno da garantia de que a unificação das prestações sociais não pode servir de pretexto para recuar em relação à proteção atualmente oferecida aos mais pobres.

O debate originado foi decisivo para sublinhar que a integração dos mais pobres na sociedade é uma prioridade. E também para ressaltar que a entrada no mercado de trabalho não é o único meio para essa mesma integração. O aumento da formação profissional, a par da valorização pessoal e social – contribuindo resolutamente para a desestigmatização das situações de pobreza –, são fatores que não devem ser descurados.

Tendo consciência de que o trabalho legislativo em curso não termina com a promulgação do Presidente da República, a Comissão pede uma particular atenção na concretização da presente autorização legislativa. Isto, para que, pelo menos, os aspetos que foram assinalados no relatório da OCDE que serviu de base para a criação da Prestação Social Única, fiquem acautelados.

Deve ser claro que a adoção da Prestação Social Única deve ser o ponto de partida para uma maior convergência com o nível de proteção social concedido pelos demais Estados europeus.

Deve também ser cristalino que a luta contra a pobreza exige que se invista mais (e não menos) nos apoios sociais mínimos, para que estes produzam um maior e mais decisivo impacto na redução da pobreza. Concretamente, a CNJP assinala que este é o momento para promover uma reflexão tendente a um alargamento da cobertura de proteção social a todos quantos necessitem, bem como uma maior aproximação do valor de referência da prestação social mínima ao valor do limiar de pobreza.

A CNJP recorda que a luta contra a pobreza deve ficar a salvo de qualquer tentação de refletir, seja o lugar de privilégio de alguns, seja as narrativas polarizadoras e penalizadoras para os mais pobres, que destroem o diálogo social. A luta contra a pobreza deve ser construída com mecanismos de cooperação eficazes, que promovam a coesão social, a inclusão de todos e garantam que a pobreza não é motivo para um tratamento indigno das pessoas.

Lisboa, 22 de julho de 2026

A Comissão Nacional Justiça e Paz

SOLIDÁRIOS COM O POVO DE CABO DELGADOAs comissões Justiça e Paz abaixo indicadas, depois de conhecerem um muito completo...
07/07/2026

SOLIDÁRIOS COM O POVO DE CABO DELGADO

As comissões Justiça e Paz abaixo indicadas, depois de conhecerem um muito completo relato da situação da parte de D. António Juliasse, bispo de Pemba, querem chamar a atenção de toda a sociedade portuguesa para a dramática situação que, desde há quase dez anos, continua a vitimar a população de Cabo Delgado. Não queremos que essa situação caia no esquecimento ou na indiferença, ou que a ela nos resignemos, como se de uma inevitável fatalidade se tratasse.

São mais de um milhão as pessoas deslocadas e mais de seis mil as que foram mortas, muitas delas assassinadas por decapitação. Cerca de cento e vinte são as igrejas e capelas destruídas.
Por detrás destas ações terroristas está uma ideologia radical que invoca o islamismo e que atinge em particular os cristãos, mas também a população em geral. Essa ideologia atrai adolescentes e jovens, que rompem tradições familiares e que se deparam com a ausência de perspetivas de futuro em contextos de pobreza e desemprego.

Para contrariar a influência dessa ideologia, são da maior importância o diálogo e a colaboração entre diferentes comunidades religiosas, incluindo as comunidades muçulmanas que a rejeitam como deturpação do Islão, e atividades comuns de educação das jovens gerações para a paz.

A população de Cabo Delgado pouco tem beneficiado com os investimentos das empresas multinacionais que exploram as riquezas da região e verifica-se que a salvaguarda da segurança desses investimentos parece ser privilegiada em relação à proteção dessa população. Esta também sofre com abusos de membros das forças militares governamentais que não são fiéis à sua missão de proteção.

Para além de toda esta tragédia, sabemos como a fé das comunidades cristãs no Amor de Deus que não as abandona lhes dá a força de nunca desanimar e perder a esperança. À imagem da Igreja dos mártires dos primeiros tempos do cristianismo, a vitalidade dessas comunidades não esmorece.

Conscientes da complexidade que caracteriza toda esta situação, aqui deixamos este apelo: à sociedade civil, para que colabore no sempre necessário apoio humanitário; aos órgãos de comunicação social, para que não deixem de relatar e cair no esquecimento a dramática situação atual; às empresas que operam na região e governos que as possam influenciar e às instâncias políticas moçambicanas, portuguesas e europeias, para que em todas as suas decisões coloquem o bem do povo de Cabo Delgado acima de quaisquer interesses políticos ou económicos. Para que não continue o sofrimento deste povo, que já muito tem sofrido.

A 7 de julho de 2026

A Comissão Nacional Justiça e Paz
A Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos
A Comissão Diocesana Justiça e Paz do Algarve
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Angra
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Aveiro
A Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de Braga
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Bragança-Miranda
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra
O Secretariado Diocesano de Pastoral Social do Funchal
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Lamego
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Santarém
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Setúbal
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Vila Real
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu

MAGNÍFICA HUMANIDADENota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a encíclica "Magnifica Humanitas" Foi publicada há dia...
01/06/2026

MAGNÍFICA HUMANIDADE
Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a encíclica "Magnifica Humanitas"

Foi publicada há dias a carta encíclica do Papa Leão XIV “Magnifica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
As repercussões da inteligência artificial, associadas à revolução digital e à robótica, já foram consideradas a grande questão de alcance histórico com que são confrontadas as sociedades de hoje. São repercussões que abarcam os âmbitos sociais, económicos, culturais, éticos e até antropológicos (está em jogo a própria definição do que é ser humano).
Consciente desta relevância, o Papa analisa essas repercussões à luz dos fundamentos e princípios da doutrina social da Igreja, afirmando que esta assenta em verdades reveladas, as quais se vão aprofundando e renovando em resposta aos desafios das várias épocas e em diálogo com as várias culturas e saberes (n. 38). Para o Papa Leão XIV, é claro que o confronto com a realidade não diminui a força do Evangelho: “pelo contrário, permite identificar com maior lucidez o que promove realmente a vida das pessoas e das comunidades” (n. 23).
Duas imagens bíblicas atravessam o texto convidando à reflexão sobre que atitude assumir para discernir como viver com responsabilidade a era da inteligência artificial: a edificação da Torre de Babel (cf. Gn 11,1-9), onde em nome da ambição de alguns se pretende desenvolver uma autossuficiência à custa da dignidade das pessoas, e a reconstrução das muralhas de Jerusalém (cf. Ne 2-6), onde Neemias convoca e envolve todos para, a partir de uma responsabilidade partilhada, reconstruir as muralhas e a cidade. No fundo a escolha não é entre um ‘sim’ ou um ‘não’ à tecnologia, mas entre edificar Babel, ou reconstruir Jerusalém (n. 7-10).
Sem pretender deste modo esgotar todo o rico conteúdo desta encíclica que apela ao investimento na educação, ao cuidado com as relações humanas e à importância da construção de uma civilização do amor, assente na justiça e na paz, a Comissão Nacional Justiça e Paz quer salientar desse conteúdo as ideias seguintes, dividindo-o em três partes. A primeira, dando a conhecer a reflexão feita acerca dos novos desenvolvimentos tecnológicos à luz dos princípios da Doutrina Social da Igreja. A segunda acerca da natureza humana e da sua capacidade de não se conformar com um destino fechado e de aí encontrar um campo aberto à conversão pessoal e coletiva. A terceira com referência a desafios concretos colocados por esta carta encíclica.
A reflexão acerca dos novos desenvolvimentos tecnológicos à luz dos princípios da Doutrina Social da Igreja pode resumir-se aos seguintes pontos:
- Os princípios da Doutrina Social da Igreja – a dignidade da pessoa, o valor do trabalho, o destino universal dos bens, a solidariedade e a subsidiariedade, o cuidado da criação, a centralidade da paz e da fraternidade – mantêm a sua atualidade e devem ser a chave para uma reflexão profunda sobre as novas tecnologias e o seu impacto, pois só eles asseguram a construção de uma sociedade mais humana e fraterna (n. 91).
- À luz da dignidade humana, o Papa Leão XIV chama a atenção para o facto de não deverem ser subestimadas as formas mais subtis de dependência ligadas à economia digital da atenção, na qual plataformas e serviços são concebidos para captar o tempo e o olhar dos utilizadores, explorando as suas fragilidades e enfraquecendo a liberdade interior (n. 170).
- Apela ainda à consciencialização de que no contexto digital, o controle das plataformas, das infraestruturas, dos dados e da capacidade de computação, sem formas adequadas de partilha, cria um desequilíbrio que contradiz o destino universal dos bens e alimenta o fosso entre incluídos e excluídos (n. 67).
- O respeito pelo princípio da subsidiariedade exige que as novas tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, mas que sejam orientadas para o bem comum, de forma transparente e por meio de formas concretas de participação (n. 95).
- O ambiente criado pelas tecnologias digitais deve também confrontar-se com a justiça social, “Uma ordem social justa na era digital é aquela que garante a todos um acesso equitativo às oportunidades, protege os mais pequenos e frágeis, combate o ódio e a desinformação” e contribui para “a dignidade de cada pessoa e o bem-estar dos povos” (n. 80).
- O valor do trabalho não pode deixar de ser tomado, ao lado de todas as outras dimensões da Doutrina Social da Igreja, como uma dimensão essencial na avaliação das conquistas do nosso tempo. O entrecruzar-se de automação, robótica e IA está a transformar rapidamente a própria estrutura do trabalho. O trabalho continua a ser uma dimensão fundamental da experiência humana: não é só um meio de subsistência, mas um lugar de expressão, relações e contributo para a comunidade. Uma sociedade que só garantisse emprego a uma pequena parte da população exporia muitos a uma condição de inatividade forçada, de ausência de responsabilidades, de falta de compromissos e estímulos diários, com consequente empobrecimento humano e cultural, em contraste com o elevado nível de desenvolvimento técnico (n. 152).
- No mundo da IA, nada é imaterial ou mágico. Cada resposta que parece imediata e perfeita provém de uma longa cadeia de mediações, de uma rede alargada de recursos naturais, de infraestruturas energéticas e, sobretudo, de pessoas. Uma parte significativa do funcionamento da economia digital assenta no trabalho silencioso de milhões de seres humanos em condições precárias e, por vezes, próximas da escravatura (n. 173).
- Os atuais sistemas de IA não podem deixar de ser avaliados à luz da preocupação com a Casa Comum: muitos requerem grandes quantidades de energia e água, têm um impacto significativo nas emissões de dióxido de carbono e consomem recursos de forma intensiva. Por isso, é essencial desenvolver soluções tecnológicas mais sustentáveis para reduzir o impacto ambiental e cuidar da nossa Casa Comum (n. 101).
- A ecologia integral é, portanto, decisiva na avaliação da qualidade do desenvolvimento moderno: este deve medir-se pela capacidade de manter juntas as pessoas, de promover justiça, de favorecer condições de vida dignas, acesso aos bens essenciais, relações sociais justas, cuidado com a criação e atenção às gerações futuras (n. 84).
Acerca da natureza humana e da sua capacidade de não se conformar com um destino fechado, são de reter os seguintes tópicos de reflexão:
- Não se deve cair na tentação de equiparar a IA à “inteligência” humana. Os sistemas de IA superam a inteligência humana em velocidade e amplitude de cálculo. No entanto, não vivem uma experiência, não possuem um corpo, não passam pela alegria e pela dor, não amadurecem nas relações, não conhecem internamente o que significa amor, trabalho, amizade, responsabilidade. Nem sequer possuem uma consciência moral: não julgam o bem e o mal, não captam o sentido último das situações, não assumem sobre si o peso das consequências (n. 99).
- A rapidez e a simplicidade com que é possível obter orientações, processamentos complexos, conteúdos mediáticos e formas de assistência concreta simplificam as nossas vidas, mas também podem habituar-nos a delegar em demasia e a procurar respostas prontas, enfraquecendo a nossa opinião e a nossa criatividade (n. 100).
- A imitação de uma comunicação humana pode induzir em erro e criar a ilusão de uma relação com um sujeito pessoal autêntico, correndo-se o risco de se perder o desejo de procurar verdadeiramente o outro (n. 100);
- Decisões delicadas que dizem respeito ao trabalho, ao crédito, ao acesso a serviços e à reputação das pessoas correm o risco de ser confiadas inteiramente a sistemas automatizados que desconhecem a compaixão, a misericórdia, o perdão e, sobretudo, a abertura à esperança de mudança da pessoa, podendo assim gerar novas formas de marginalização (n. 102).
- A utilização de plataformas digitais e sistemas de IA acelera mudanças profundas na comunicação pública e política. Ferramentas que poderiam favorecer o debate e a participação são frequentemente utilizadas para construir narrativas distorcidas e anular as distinções entre o verdadeiro e o falso, misturando dados e opiniões (n. 132).
- De grande relevo são as repercussões da IA no âmbito da guerra. A questão não diz respeito apenas à eficiência de novos instrumentos, mas ao risco de que a técnica, dissociada da ética e da responsabilidade, torne mais rápida e impessoal e “aparentemente limpa” a decisão sobre a vida e a morte e o uso da violência, e apresente o recurso à força como uma opção imediata e exequível (n. 182 e n. 183).
- Se olharmos para as dinâmicas mundiais, reconhecemos cada vez mais claramente a expansão de uma cultura do poder, feita de polarizações e violências. Porém, hoje, mais do que nunca, é importante reafirmar que foi superada a teoria da “guerra justa”, invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra, mantendo-se o direito à legítima defesa entendida no sentido mais estrito (n. 192).
- Fala-se por vezes de “agentes morais artificiais”, como se uma máquina pudesse garantir, com maior coerência do que um ser humano, a distinção entre o bem e o mal. Ora, o juízo moral não se reduz a um cálculo: implica consciência, responsabilidade pessoal e reconhecimento do outro como pessoa. Por isso, não é lícito confiar a sistemas artificiais decisões letais ou, de qualquer forma, irreversíveis. A IA não retira ao conflito a sua intrínseca desumanidade: apenas o torna mais rápido e impessoal, baixando a fasquia do recurso à violência e transformando a defesa em previsão operacional, com as vítimas reduzidas a dados (n. 198).
- A perspetiva cristã não se esgota na denúncia do mal. Contemplamos a história à luz do Crucificado Ressuscitado, a quem o Pai concedeu «todo o poder no Céu e na Terra» (Mt 28, 18). Não interpretamos o presente como um destino fechado, mas como um campo aberto à conversão pessoal e coletiva. E acreditamos na força do Reino, que se desenvolve a partir da pequenez dum grão de mostarda, como uma semente que, uma vez deitada à terra, germina e cresce (cf. Mc 4, 26-32) (n. 210).
- Atualmente, é preciso perceber que nem tudo o que se apresenta como “limite” – incapacidade, doença, velhice, sofrimento, vulnerabilidade – deve ser interpretado como um defeito a corrigir (através da tecnologia). Trata-se de reconhecer que existe aí um espaço onde o humano amadurece e se abre à relação. O ser humano não floresce apesar dos limites, mas, muitas vezes, através dos limites. (n. 118).
- Mesmo para os pais que sentem que é difícil resistir sozinhos à influência de modelos de negócio que capitalizam a atenção e o tempo, não basta a resignação. É indispensável uma aliança entre política, instituições educativas e famílias, capaz de apoiar concretamente os adultos na sua tarefa (n. 142).
- Uma subtil tentação é a de pensar que os problemas são demasiado grandes e nós demasiado pequenos; e que, por isso, as nossas escolhas nada alteram. No entanto, cada um dispõe de um seu âmbito de ação, e é aí – e não noutro lugar – que é chamado a escolher entre alimentar a lógica da força (mesmo que apenas com a indiferença, o cinismo, a mentira, o ódio), ou zelar pela lógica da paz (com a verdade, a sobriedade, a proximidade, o cuidado): “a civilização do amor [...] nasce duma soma de pequenas e tenazes fidelidades, que travam a desumanização” (n. 212).
⁠- Sem pretender esgotar o tema, Leão XIV propõe cinco pistas de responsabilidades quotidianas e públicas na construção da civilização do amor: desarmar as palavras (n. 214), construir a paz na justiça (n. 215), assumir o olhar das vítimas (n. 216-217), cultivar um saudável realismo (n. 218) e revitalizar o diálogo e o multilateralismo (n.219-227).
- Podemos, portanto, viver esta mudança de época à luz do Evangelho (n. 229).
- Enquanto ideologias antigas e novas impelem o homem a superar tecnicamente os limites e a elevar-se acima dos outros para afirmar um domínio, o mistério do Filho de Deus que entra na nossa condição narra um movimento oposto: o Deus vivo desce à nossa história para nos libertar de toda a forma de escravatura, toma sobre si a nossa fraqueza e transforma-a num lugar de salvação. O futuro da humanidade encontra assim o seu critério na capacidade de acolher esta forma divina de se aproximar, de partilhar o peso do mundo, de transformar as relações a partir de dentro. O que salva o homem é o amor divino que desce ao ponto mais vulnerável da sua história e o regenera profundamente (n. 232).
Compreendendo que “em Cristo [...] o homem é chamado a ser colaborador na obra da criação, em vez de espectador resignado de processos tecnológicos que restringem a sua liberdade e responsabilidade” (n. 233), a Carta Encíclica termina com quatro desafios concretos que importa destacar:
- “Permaneçamos fiéis à verdade”, sem perder de vista a magnífica humanidade que nos habita, ou seja sem prescindir de “um coração que ama a verdade, que deseja o que é justo [...] e que busca a sabedoria” (n. 237).
- “Invistamos na educação que começa por nós próprios”, para vivermos o mundo digital de forma humana, como parte integrante de uma vida boa do Evangelho, assumindo plenamente o papel de zeladores da liberdade interior, do exercício da caridade e da salvaguarda da dignidade (n.238);
- “Cuidemos das relações”, sem esquecer que “a carne humana continua a pedir para ser cuidada e reconhecida por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas” (n. 239).
- “Amemos a justiça e a paz”, para que cada escolha técnica seja ocasião de discernimento espiritual. Os progressos da IA devem abrir espaço para a justiça, para o respeito pelo outro e para a construção da paz (n. 240).
Estas reflexões e propostas do Papa Leão XIV têm recebido bom acolhimento em vários quadrantes, que destacam a sua oportunidade e até o seu pioneirismo no atual contexto mundial. São um serviço que a Igreja pretende prestar à humanidade.
Afirma também o Papa que estamos perante um teste e um exame de consciência para a Igreja, chamada à coerência de quem deve viver em primeiro lugar no seu interior tais propostas (n. 86).
À sua pequena medida, a Comissão Nacional Justiça e Paz, ao divulgar esta encíclica, quer também prestar um serviço à sociedade portuguesa, com a consciência da sua responsabilidade por, antes de mais, viver fielmente o que propõe.

Lisboa, 1 de junho de 2026
A Comissão Nacional Justiça e Paz

PAZ E SEGURANÇA PARA O NORTE DE MOÇAMBIQUEApelo da Comissão Nacional Justiça e Paz O ataque terrorista recentemente perp...
11/05/2026

PAZ E SEGURANÇA PARA O NORTE DE MOÇAMBIQUE
Apelo da Comissão Nacional Justiça e Paz

O ataque terrorista recentemente perpetrado à Paróquia de São Luís de Monfort e à missão católica de Meza na diocese de Pemba, Moçambique, deixa-nos profundamente chocados e com receio do recrudescimento da violência contra a comunidade cristã. As imagens são devastadoras.

Foram raptados 20 jovens, profanada e destruída a igreja, construída em 1946, e todas as estruturas da missão católica, privando a população de cuidados de saúde e instrução.

Cristãos católicos e cristãos de outras denominações viram as suas casas destruídas num ataque de ostensiva intimidação e perseguição e continua desconhecido o paradeiro dos jovens levados pelos terroristas, motivo de grande aflição para todos, em particular para as suas famílias.

Refira-se que a Comunidade Islâmica de Moçambique [CIMO] já condenou o ataque terrorista e manifestou “a sua profunda preocupação” pelo que está a acontecer na província de Cabo Delgado.

Infelizmente, o apoio da União Europeia às Forças de Defesa do Ruanda (RDF) ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz — cerca de 20 milhões de euros — parece terminar este mês, o que não deixa auspiciar nada de bom, sabendo que as ações armadas já fizeram perto de 7000 mortos nos últimos 10 anos.

A Comissão Nacional Justiça e Paz lança um apelo às autoridades portuguesas, em especial a Sua Excelência o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, para que lance mão de todos os meios ao alcance de Portugal de modo a fazer respeitar a paz e a segurança destas comunidades com quem partilhamos a nossa História e a Língua Portuguesa.

Quando todas as atenções se concentram no Golfo Pérsico e no massacrado Líbano, estes atos da mais bárbara violência ficam sem voz nos noticiários, pelo que nos juntamos à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) neste apelo.

Lisboa, 11 de maio de 2026
A Comissão Nacional Justiça e Paz

21/04/2026

Endereço

Quinta Do Bom Pastor, EStrada Da Buraca, 8-12
Lisbon
1549-025

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