12/06/2026
XI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)
Ex 19, 2-6a; Sal 99; 2 Rm 5, 6-11; Mt 9, 36 - 10,8
COMENTÁRIO
O primeiro chamamento dos primeiros missionários
O Evangelho deste domingo convida-nos a reflectir sobre a constituição do grupo dos Doze discípulos-apóstolos de Cristo, para os enviar em missão. Trata-se do primeiro chamamento dos primeiros missionários e, como tal, o episódio é rico em pormenores que, ainda hoje, são signif**ativos numa perspectiva missionária. Meditemos sobre os três aspectos mais importantes.
1. «Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão.» O coração compassivo de Jesus na origem da missão
O primeiro aspecto do relato evangélico sobre o qual convém reflectir é precisamente a anotação do evangelista sobre o estado de espírito de Jesus, do qual derivam as Suas acções posteriores: «Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão.» Recorde-se que, imediatamente antes, o evangelista Mateus sublinha que «Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todas as doenças e enfermidades» (Mt 9, 35). O “ver as multidões” da parte de Jesus, por isso, não é o de alguém que se senta num lugar e observa as pessoas, mas o de alguém que «percorre todas as cidades..., ensinando..., pregando..., e curando todas as doenças e enfermidades.» Por outras palavras, trata-se do ver e do sentir de um missionário que, consciente do Seu “ter saído/ter sido enviado por Deus Pai” (cf. Mc 1, 38), sai/vai sempre ao encontro das pessoas, coloca-Se no seu meio e mergulha na sua vida. Por isso, a compaixão de Jesus pelas multidões não é um sentimento passivo e distante, mas é uma compaixão activa, que se traduz em compromissos concretos e incansáveis, para fazer com que todos experimentem as realidades do Reino de Deus. Vemos aqui em Jesus um coração compassivo que está na origem da Sua missão. Este coração será também um modelo para os discípulos de Jesus, que mais tarde serão escolhidos e enviados por Ele para colaborar na mesma missão divina.
A propósito do coração de Jesus e da missão, o Papa Francisco deixou-nos uma reflexão durante a sua audiência aos participantes da Assembleia Geral das Obras Missionárias Pontifícias, no Sábado, do dia 3 de Junho 2023, com as palavras muito actuais que agora citamos para uma meditação mais aprofundada sobre o tema, especialmente para aqueles que trabalham com as OMP:
O Coração de Jesus e a missão. Em primeiro lugar, ao contemplarmos o Coração de Cristo, descobrimos a grandeza do projecto do Pai para a humanidade. De facto, «tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que n’Ele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). No Coração trespassado do Crucif**ado, podemos descobrir a medida infinita do amor do Pai: Ele ama-nos com um amor eterno; chama-nos a ser Seus filhos e a partilhar a Sua alegria; vem à nossa procura, quando estamos perdidos; levanta-nos, quando caímos e faz-nos renascer da morte. É assim que o próprio Jesus nos fala do amor do Pai, por exemplo, quando afirma: «A vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele Me deu» (Jo 6, 39).
Irmãos caríssimos, foi isto que Jesus nos mostrou toda a Sua vida: na compaixão pelos que estavam feridos, na comoção à vista do sofrimento, na misericórdia com que ungia os pecadores, na Sua imolação pelo pecado do mundo. Ele manifestou-nos o coração de Deus, como o de um Pai que sempre está à nossa espera, nos avista de longe, vem ao nosso encontro de braços abertos; um Pai que não afasta ninguém, mas a todos acolhe; não exclui ninguém, mas a todos chama. […]
Fomos enviados para continuar esta missão: ser sinal do Coração de Cristo e do amor do Pai, abraçando o mundo inteiro. Aqui encontramos a “coração” da missão evangelizadora da Igreja: chegar a todos com o dom do amor infinito de Deus, procurar a todos, acolher a todos, oferecer a vida por todos sem excluir ninguém. Todos. Esta é a palavra-chave. Quando o Senhor narra aquela festa de núpcias (cf. Mt 22, 1-14) que correu mal, porque os convidados não vieram: um, porque comprara uma vaca, outro porque tinha de viajar, o terceiro porque se tinha casado… Que diz o Senhor? Saí pelas encruzilhadas dos caminhos e convidai a todos, a todos: sãos e doentes, maus, bons, pecadores... todos. No coração da missão, está isto: aquele «todos». Sem excluir ninguém. Todos. Por conseguinte, cada uma das nossas missões nasce do Coração de Cristo, para deixar que Ele atraia todos a Si. Este é o espírito místico e missionário da Beata Paulina Maria Jaricot, fundadora da Obra da Propagação da Fé, que foi tão devota do Sagrado Coração de Jesus.
2. «Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara». A oração como primeira acção na missão
O segundo aspecto importante do Evangelho de hoje é precisamente a primeira recomendação de Jesus aos discípulos, quando sentiu compaixão pelas multidões «porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor»: «Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara.» Mais uma vez f**a claro que a oração ocupa o primeiro lugar entre as actividades missionárias, como o Papa Francisco também reiterou na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2022. Isto é mais do que lógico, porque Deus é “o Senhor da seara”, o dono da missão para a salvação da humanidade que Jesus realiza agora, na plenitude dos tempos, e depois confia aos Seus discípulos.
É de notar que a recomendação de rezar a Deus é dirigida aos discípulos e precede também a instituição dos doze “apóstolos”, ou seja, “enviados”. Isto parece realçar Deus como o verdadeiro protagonista de quem depende tudo na e da missão, incluindo a acção de Jesus de chamar os primeiros missionários, “trabalhadores para a Sua seara [de Deus]”. Por outro lado, enquanto os Doze são uma espécie de primícias dos discípulos-missionários, todos os discípulos de Jesus são convidados a participar na missão de Deus precisamente através da oração concreta pela “seara” e pela abundância de “operários”. Partilham, assim, a mesma preocupação, compaixão e paixão de Cristo pelo Reino, que é, na realidade, a do próprio Deus.
3. «Não sigais o caminho dos gentios... Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel.» A preciosa primeira instrução missionária de Jesus e o Seu amor por Israel
Ao instituir os primeiros “apóstolos” e enviá-los em missão, Jesus dá-lhes a Sua primeira instrução missionária, que começa com uma recomendação surpreendente do ponto de vista da universalidade da missão: «Não sigais o caminho dos gentios... Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel.» Estas palavras devem ser entendidas no contexto global da Palavra de Deus na Escritura sobre o projecto divino de salvação para toda a humanidade. A vontade do Deus fiel e misericordioso é que «todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). O próprio Cristo, depois da ressurreição, enviará os Seus discípulos a todas as nações, a todos os povos (cf. Mt 18, 20), aliás, a todo o mundo para pregar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16, 15).
Por isso, a limitação das actividades dos apóstolos apenas às “ovelhas perdidas” de Israel, naquela primeira instrução missionária de Jesus, não pretende pôr limites à missão divina, mas antes sublinhar sobretudo a fidelidade absoluta e inabalável de Deus às promessas feitas ao Seu povo. Por outras palavras, no Seu inescrutável desígnio divino, prometido pelos profetas, Deus em Cristo, no fim dos tempos, ou seja, no tempo messiânico, vem salvar o Seu povo e, com ele, o mundo inteiro. Com efeito, Jesus reafirmará mais tarde a Sua clara consciência desta missão divina no diálogo com a mulher cananeia pagã (cf. Mt 15, 24: «Eu fui mandado somente às ovelhas perdidas do povo de Israel»), sem negar-lhe, porém, a graça divina que lhe foi concedida em resposta à sua fé. Israel estava, está e estará no coração de Deus, apesar de todos os seus pecados, infidelidades e rejeições, no passado, no presente e até no futuro (!), como Ele declarou com palavras verdadeiramente comoventes: «Amo-te com um amor eterno, e por isso, te outorguei os Meus favores. Reconstruir-te-ei, e serás restaurada, ó virgem de Israel» (Jer 31, 3-4; cf. também Is 49, 15: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do menino que amamenta, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria.»).
Nesta perspectiva, os primeiros discípulos-apóstolos, ou seja, discípulos-missionários, são enviados a continuar a mesma missão de Jesus, que na realidade é a de Deus para a salvação do mundo, a partir de Israel. A eles, com efeito, é transferido o poder de Jesus sobre os espíritos e sobre “todas as doenças e enfermidades”, e são recomendadas as mesmas acções salvíf**as que Jesus, o Messias, realizou como sinal do tempo messiânico: «Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos e expulsai os demónios.» E tudo isto – volto a repeti-lo – deve ser feito tendo sempre presente no coração e na mente a preocupação pela salvação de Israel. A este propósito, eis o testemunho solene e ao mesmo tempo comovente de São Paulo, Apóstolo dos gentios: «Digo a verdade em Cristo, não minto, e disso me dá testemunho a minha consciência pelo Espírito Santo: tenho uma grande dor e um contínuo sofrimento no coração. Sim, eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e sangue. Eles são israelitas e possuem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; eles são os patriarcas e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, que está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre. Amén» (Rm 9, 1-5).
Que estas palavras encontrem eco e ressonância em cada discípulo-missionário de Cristo hoje. E que todos nós, discípulos modernos de Jesus, depois de reflectirmos sobre as Suas acções e recomendações no Evangelho de hoje, sintamos viva a solicitude divina pelos poucos trabalhadores nas Suas searas, para rezarmos mais e renovarmos a nossa vocação de continuar com maior zelo a missão de Deus em Cristo de levar o amor divino e a salvação a toda a humanidade, não esquecendo Israel, o povo eleito que Deus amou desde toda e por toda a eternidade.
Citações úteis:
Bento XVI, Mensagem para o 45° Dia Mundial de Oração pelas Vocações
13 DE ABRIL 2008 - IV DOMINGO DE PASCOA
Tema: «As vocações a serviço da Igreja-Missão»
Movia-se de compaixão pelo povo, porque, ao percorrer cidades e aldeias, via multidões cansadas e abatidas, “como ovelhas sem pastor” (cf Mt 9,36). Do seu olhar de amor brotava o convite aos discípulos: “Pedí ao Senhor da messe, que mande operários para sua messe” (Mt 9,38), enviando antes os Doze, com precisas instruções, “às velhas perdidas da casa de Israel”. Se nos detemos a meditar esta página do Evangelho de Mateus, conhecida comumente como “discurso missionário”, observamos todos aqueles aspectos que caracterizam a atividade missionária de uma comunidade cristã, que deseja ser fiel ao exemplo e ao ensinamento de Jesus. Corresponder ao chamado do Senhor supõe enfrentar cada perigo com prudência e simplicidade, e inclusive as perseguições, pois “um discípulo não é mais que seu mestre, nem um servo mais que o seu patrão” (Mt 10,24). Feitos uma coisa só com o Mestre, os discípulos não f**am sós para anunciar o Reino dos Céus, mas é o mesmo Jesus que age neles: “Quem vos acolhe, a mim acolhe; e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou” (Mt 10, 40). Além disso, como verdadeiras testemunhas, “revestidos da força do alto” (Lc 24,49), estes pregam “a conversão e o perdão dos pecados” (Lc 24,47) a todos os povos.
3. Precisamente por terem sido enviados pelo Senhor, os Doze receberam o nome de “apóstolos”, chamados a percorrer os caminhos do mundo anunciando o Evangelho, como testemunhas da morte e ressurreição de Cristo. Escreve São Paulo aos cristãos de Corinto: “Nós – isto é os Apóstolos – anunciamos Cristo crucif**ado” (1Cor 1,23). Neste processo de evangelização, o Livro dos Atos dos Apóstolos considera também muito importante o papel de outros discípulos, cuja vocação missionária surge através circunstâncias provindenciais, às vezes dolorosas, como a expulsão da própria terra enquanto seguidores de Jesus (cf. 8,1-4). O Espírito Santo permite transformar esta prova em ocasião de graça, fazendo com que o nome do Senhor seja anunciado a outros povos, ampliando assim o círculo da comunidade cristã. Trata-se de homens e de mulheres que, como escreve Lucas no livro dos Atos, “arriscaram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (15,26). O primeiro entre todos, chamado pelo Senhor mesmo para ser um verdadeiro Apóstolo, é, sem dúvida, Paulo de Tarso. A história de Paulo, o maior missionário de todos os tempos, descreve, em muitos aspectos, qual seja o nexo entre a vocação e a missão. Acusado pelos seus adversários de não ter sido autorizado para o apostolado, ele mesmo, repetidas vezes, apela ao chamado recebido diretamente pelo Senhor (cf. Rm 1,1; Gal 1,11-12.15-17).
Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro Domingo, 18 de julho de 2021
O estilo de Deus é proximidade, compaixão e ternura. Quantas vezes no Evangelho, na Bíblia, encontramos esta frase: “Teve compaixão”. Comovido, Jesus dedica-se às pessoas e recomeça a ensinar (cf. vv. 33-34). Parece uma contradição, mas na realidade não é. Na verdade, só o coração que não se deixa levar pela pressa é capaz de se comover, ou seja, de não se deixar arrebatar por si mesmo e pelas coisas a fazer, e de se dar conta dos outros, das suas feridas, das suas necessidades. A compaixão nasce da contemplação. Se aprendermos a descansar verdadeiramente, seremos capazes de autêntica compaixão; se cultivarmos um olhar contemplativo, levaremos a cabo as nossas atividades sem a atitude voraz de quem quer possuir e consumir tudo; se permanecermos em contacto com o Senhor e não anestesiarmos a parte mais profunda de nós mesmos, as coisas a fazer não terão o poder de nos tirar o fôlego nem de nos devorar. Necessitamos – prestai atenção a isto – necessitamos de uma “ecologia do coração”, que se compõe de descanso, contemplação e compaixão. Aproveitemos a temporada de verão para isto!
Bento XVI, Visita pastoral a Santa Maria di Leuca e Brindisi, Homilia, Domingo, 15 de Junho de 2008
Aos Doze ouvimo-lo Ele “deu o poder para expulsar os espíritos malignos e para curar qualquer espécie de doença e enfermidade” (Mt 10, 1). Os Doze deverão cooperar com Jesus na instauração do Reino de Deus, ou seja, o seu senhorio benéfico, portador de vida, e de vida em abundância para toda a humanidade. Em síntese a Igreja, como Cristo e juntamente com Ele, é chamada e enviada a instaurar o Reino da vida e a expulsar o domínio da morte, para que no mundo triunfe a vida de Deus, triunfe Deus que é Amor. Esta obra de Cristo é sempre silenciosa, não é espectacular; precisamente na humildade do ser Igreja, do viver o Evangelho todos os dias, cresce a frondosa árvore da verdadeira vida. Precisamente com estes inícios humildes o Senhor encoraja-nos porque, também na humildade da Igreja de hoje, na pobreza da nossa vida cristã, podemos ver a sua presença e ter assim a coragem de ir ao seu encontro e tornar presente nesta terra o seu amor, esta força de paz e de verdadeira vida.
Portanto, este é o desígnio de Deus: difundir na humanidade e no cosmos inteiro o seu amor gerador de vida. Não é um processo espectacular; é um processo humilde que, todavia, traz consigo a verdadeira força do futuro e da história. Por conseguinte, um projecto que o Senhor quer actuar no respeito pela nossa liberdade, porque o amor por sua natureza não pode ser imposto. Então a Igreja é, em Cristo, o espaço de acolhimento e de mediação do amor de Deus. Nesta perspectiva manifesta-se claramente como a santidade e a missionariedade da Igreja constituem dois lados da mesma medalha: somente enquanto santa, ou seja, repleta do amor divino, a Igreja pode cumprir a sua missão, e é precisamente em função de tal tarefa que Deus a escolheu e santificou como sua propriedade. Portanto, o nosso primeiro dever, precisamente para curar este mundo, é o de ser santos, em conformidade com Deus; deste modo, de nós emana uma força santif**adora e transformadora que age também sobre os outros, sobre a história. […]
A este respeito, é útil reflectir que os doze Apóstolos não eram homens perfeitos, escolhidos pela sua irrepreensibilidade moral e religiosa. Eram crentes, sim, cheios de entusiasmo e de zelo, mas ao mesmo tempo marcados pelos seus limites humanos, às vezes até graves. Portanto, Jesus não os chamou porque já eram santos, completos, perfeitos, mas para que tal se tornassem, para que fossem transformados, para mudar desse modo também a história. Tudo como para nós. Como para todos os cristãos. Na segunda Leitura, ouvimos a síntese do Apóstolo Paulo: “Deus demonstra o seu amor para connosco, porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5, 8). A Igreja é a comunidade dos pecadores que acreditam no amor de Deus e se deixam transformar por Ele, e assim tornam-se santos, santif**am o mundo. […]
Só pode ser a de Jesus: o estilo da “compaixão”. O Evangelista frisa-o, chamando a atenção para o olhar que Cristo dirige às multidões: “Vendo as multidões ele escreve Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 36). E, depois da chamada dos Doze, reaparece esta atitude no mandato que Ele lhes dá de se dirigirem “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10, 6). Nestas expressões sente-se o amor de Cristo pela sua gente, especialmente pelos pequeninos e pelos pobres. A compaixão cristã nada tem a ver com o pietismo, com o assistencialismo. Pelo contrário, é sinónimo de solidariedade e de partilha, e é animada pela esperança. Não nasce porventura da esperança a palavra que Jesus dirige aos Apóstolos: “Ide e anunciai: “O Reino do Céu está próximo”“ (Mt 10, 7)? É uma esperança que se fundamenta na vinda de Cristo, e que em última análise coincide com a sua Pessoa e com o seu mistério de salvação onde Ele é o Reino de Deus, é a novidade do mundo como bem recordava no título o quarto Congresso eclesial italiano, celebrado em Verona: Cristo ressuscitado é a “esperança do mundo”.