17/06/2026
Jesus, no Evangelho de hoje, não condena a oração pública nem os atos de piedade feitos em momentos que são dedicados à comunidade, ao grupo ou movimento de oração... O que Ele questiona é a tentação de transformar a fé num espetáculo. Por isso nos diz: «Entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo». Esse "quarto" é, antes de mais, o lugar interior onde nos encontramos a sós com Deus.
Vivemos rodeados de ruído, palavras, imagens e distrações. Muitas vezes falamos muito, mas não damos tempo e espaço à escuta. A oração silenciosa é precisamente o espaço onde deixamos de querer controlar tudo e nos dispomos a ouvir, a acolher e a responder, mesmo que em silêncio, ao chamamento que Deus continua a dirigir-nos. No silêncio, descobrimos que Deus não se impõe, mas fala ao coração com delicadeza, com ternura, com misericórdia.
Além disso, a oração silenciosa educa a autenticidade. Quando ninguém nos vê, desaparece a preocupação com as aparências. Ficamos apenas nós e Deus, que não nos julga, que não nos condena… Colocamo-nos tal como somos, com as nossas alegrias, feridas, dúvidas e esperanças. É aí que a nossa relação com Deus se torna verdadeira.
É por este motivo que o convite de Jesus continua atual. Ele convida-nos reservar todos os dias alguns minutos para fechar a porta ao ruído exterior e abrir o coração ao Pai. Talvez não sintamos nada de extraordinário, mas a fidelidade a esse encontro silencioso transforma-nos pouco a pouco. Quem aprende a estar em silêncio diante de Deus acaba por reconhecer a Sua presença também no meio da vida quotidiana.
Quarta-feira, 17 de junho de 2026
XI Semana do Tempo Comum