09/05/2025
O Olhar que Abraça o Mundo
No sopro manso da manhã da Igreja, quando o coração do mundo esperava em silêncio, ergueste-te como quem chega de mãos abertas e olhar cheio de céu.
Chamaste-te Leão — nome de coragem — e falaste como Francisco — nome de ternura. E nesse gesto, entre o passado e o agora, entre a firmeza e a delicadeza, foste abraço.
“A Paz de Cristo esteja convosco” — disseste, e os teus olhos disseram mais. Falaram como quem escuta. Como quem olha o mundo não de cima, mas de dentro. Olhos que atravessam a multidão e, em cada rosto, descobrem uma história, uma dor, uma esperança. Olhos que não têm pressa e, por isso, acolhem.
Tu que vieste da América, que aprendeste o rosto da fé nas terras do Peru, chegaste com o sol da missão nos ombros e o barro dos pobres na pele.
És filho de emigrantes, irmão dos esquecidos, homem de ciência e de alma profundamente humana. Os teus gestos, os teus silêncios, a lágrima que quase caiu — tudo em ti fala de proximidade.
E como Francisco, pareces querer caminhar devagar entre nós, pousando os pés no chão que dói, ouvindo antes de dizer, amando antes de julgar.
Tu disseste “paz” — muitas vezes — e essa repetição soou como um cântico antigo, como se quisesses embalar o mundo ao colo. Disseste “diálogo”, “encontro”, “justiça” — e a Igreja reconheceu-te como ponte, como lar, como promessa.
No meio da multidão, os sorrisos acenderam-se. Não só pelo que disseste, mas por como olhaste. Um olhar que quer abraçar o mundo inteiro. Que diz, sem palavras, “estou convosco”, como quem se ajoelha junto às feridas do tempo.
E neste Jubileu da Esperança, não poderias ter chegado de outra forma: leve, firme, cheio de alma.
Que bela missão te espera, Santo Padre! E nós, como filhos em redor da luz, rezamos por ti com um nó doce na garganta e o coração cheio de confiança.
Que Maria te guarde sob o seu manto, que o Espírito te leve onde fores preciso, e que contigo possamos seguir adiante — mais irmãos, mais próximos, mais verdadeiros.