18/02/2026
Mensagem do Serviço Diocesano de Acólitos da Guarda para a Quaresma 2026
Oração.
Jejum.
Caridade.
Eis a pedagogia do Tempo da Quaresma que hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos.
Pedagogia, porque nestas três palavras se concentra aquele é o âmago deste tempo santo, deste tempo litúrgico forte.
Na sua mensagem para a Quaresma de 2026, o Papa Leão XIV enfatiza dois destes aspetos.
A oração, como ato de escuta. Sim, Deus, é, de facto, um Deus, um Pai que fala aos seus filhos, a cada um dos seus. Mas, é, também, um Pai que escuta e que escuta as nossas orações, mas, escuta, também, o que sentimos, o que pensamos, aquilo que, com a vida, rezamos. É um Deus que fala, é um Pai que escuta.
E tu, estás disposto a estar à escuta deste Deus, deste Pai que vê o que está oculto (Mt 6, 4) ao longo da tua vida, em particular nesta caminhada que hoje iniciamos rumo à Páscoa jubilosa, rumo ao Dia, àquela primavera sem ocaso que nos espera?
Que resolução de oração e escuta formulas para esta Quaresma?
Senta-te, pára um pouco, e deixa-te escutar e ser escutado. Permite que este Pai te fale ao coração. Dá-lhe permissão para entrar na tua vida, no teu pensamento, no teu coração.
Dá-lhe permissão.
Ele anseia por isso.
Ele quer muito fazer caminho contigo!
Depois, o Papa realça outra pedra basilar deste tempo santo, o jejum.
Também aqui és convidado a sentar-te, a parar. Pára um momento.
De que podes jejuar nesta Quaresma?
É certo que o jejum corporal por si mesmo não tem valor. Tem valor, sim, se, ao fazê-lo, estás a catapultar o que de melhor há em ti. A fraqueza que o jejum alimentar te traz não traz, por si mesma, não carrega em si mesma um benefício. O jejum traz, antes, à tua mente, ao teu coração, uma realidade que parece tão óbvia, mas que merece ser relembrada. Somos frágeis. És frágil. Este jejum mostra o quão dependente és do alimento, e, ao mesmo tempo, ajuda-te a exercitar a humildade. Faz-te sentir, nessa humildade, que não és autossuficiente. Anseias por mais. O mais que é Deus. Torna-te mais aberto e disponível para acolheres, no mais íntimo do teu ser, a Palavra que salva, a Palavra que é o próprio Jesus.
És frágil. Todos somos. Se o teu jejum tiver estes frutos, então vale a pena!
Mas que mais poderíamos dizer sobre o jejum?
A Quaresma, que hoje iniciamos, constitui uma bela oportunidade para jejuares de palavras ofensivas, julgamentos precipitados e que ferem o teu coração e o coração daquele que julgas. Jejua disto também!
Este jejum é frutuoso, é proveitoso, e tem como consequência o teu bem estar, um bem estar espiritual, uma leveza que faça levitar a tua alma.
Inspira e expira.
Sente essa leveza.
Sente a leveza que é jejuares e absteres-te daquilo que nada traz de bom.
E o pilar da caridade?
Pois bem, a Quaresma é o "tempo favorável" (2 Cor 6, 2), como nos recorda São Paulo, para pequenos gestos.
Pequenos.
Concretos.
Pois é no concreto da vida, da vida quotidiana, da vida vivida no dia a dia, junto daqueles que te rodeiam, que te fazes presente e és chamado a ser rosto, mãos e voz de Jesus, daquele Jesus que, por ti, estendeu os braços e morreu na cruz. Como nos lembra um Prefácio Pascal, "foi imolado sobre a cruz, mas não morrerá jamais. Foi morto, mas, agora vive para sempre."
É aí que és chamado a ser fermento e a fazer caridade, a pôr em prática o mandamento novo do amor. No fundo, é no concreto do teu dia, da tua vida, que és chamado a fazer acontecer o amor.
Oração.
Jejum.
Caridade.
Esta é a pedagogia da Quaresma.
Pedagogia pode remeter-nos para algo infantil, para uma aprendizagem.
Mas é, justamente, isso que és chamado a fazer. Em mais uma caminhada quaresmal, aprende de novo, aprende como se fosse a primeira vez. Aprende com o entusiasmo daquela criança que entra para a escola e quer saber, quer descobrir, quer fazer, quer gerar, quer ser.
A pedagogia da Quaresma é simples, profunda, mas exigente.
É exigente, mas possível.
Possível e bela.
Bela e transformadora.
Transformadora e renovadora.
Renovadora, purificadora e pacificadora.
E que melhor há que assim estares, para viveres a grande festa daquela Primavera que não tem ocaso?
E as cinzas?
Pois, as cinzas, por muito pesarosas que te possam parecer, relembram-te a tua fragilidade. És pó.
Sim, és pó.
Mas um pó amado por Deus.
Deus ama o pó que és.
Insuflou em ti o sopro da Sua vida, da Sua graça.
Quer-te, e não apenas te quer.
Como Bom Pai que é, quer-te bem.
É esse pó, é essa fragilidade que Deus ama. É a ti que ama. E ama ao ponto de te dar a vida e dar-te o Seu Filho. Deu-tO, dá-tO, oferece-tO.
Foi para ti que veio.
É para ti que vem.
Por isso, escuta-O, pois, n'Ele é o Pai que escutas.
Jejua, pois, ao fazê-lo, é n'Ele que mais te transformas.
Sê caridoso, pois, "todas as vezes que fizestes isto a um só destes pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes" (Mt 25, 40). No teu irmão é a Jesus que vês. Nele é a Ele que amas. Nele, é ao crucificado e ressuscitado que que o fazes.
Depois disto, o Espírito inspira a retomar as palavras de São João: "Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em chamar-nos filhos de Deus. E somo-lo de facto." (1 Jo 3, 1).
Oração.
Jejum.
Caridade.
Nesta pedagogia quaresmal, nestas traves-mestras para o caminho que, hoje, iniciamos, encontramos um guia prático para a nossa peregrinação, que tem como meta a Páscoa de Jesus.
É, pois, por tudo isto, e pelos bons frutos que vais colher desta caminhada que Ele "foi imolado sobre a cruz, mas não morrerá jamais. Foi morto, mas, agora, vive para sempre."
O Serviço Diocesano de Acólitos da Guarda deseja a todos, em particular a cada acólito da nossa Diocese, um santo Tempo da Quaresma!