05/08/2026
Sobre os títulos na Igreja
Qualquer realidade na Igreja pode e deve ser objeto de reflexão, incluindo os títulos e os cargos que nela existem. As estruturas e os serviços eclesiais podem sempre ser aperfeiçoados e adaptados aos tempos e às necessidades pastorais. O essencial é que cada título nunca seja apenas um título, mas uma verdadeira oportunidade de servir a Igreja local, a Diocese e o Povo de Deus.
Na nossa Diocese, por exemplo, a Cúria é constituída por diversos secretariados e serviços. Cada um deles é uma expressão concreta da solicitude pastoral do Bispo por diferentes áreas da vida da Igreja: vocações, família, juventude, catequese, liturgia, espiritualidade, acólitos, administração, entre tantas outras.
Quem aceita ser diretor ou membro de um secretariado não o faz por interesse pessoal nem por qualquer recompensa material. Trata-se, na grande maioria dos casos, de um serviço voluntário, exercido gratuitamente. São sacerdotes, consagrados e leigos que oferecem o seu tempo, os seus talentos e a sua criatividade para servir a Igreja na missão que lhes foi confiada. Poderiam simplesmente dedicar-se às suas ocupações pessoais, mas sentem que Deus os chama a colocar os seus dons ao serviço da comunidade.
Temos muito a agradecer a tantos leigos, religiosos e sacerdotes que servem a Igreja com generosidade, muitas vezes em condições difíceis, conciliando estas responsabilidades com a vida familiar, profissional ou paroquial, sem esperar qualquer reconhecimento além da alegria de servir a Deus e aos irmãos.
Posso testemunhar isso pela minha própria experiência. Ao longo dos anos participei em vários secretariados e encontrei sempre pessoas profundamente dedicadas, que trabalham com enorme empenho e sentido de missão. É um serviço exigente, que procura construir pontes entre a Diocese e as paróquias, pensar projetos, organizá-los e levá-los à prática. Nem sempre é um caminho fácil, mas é um trabalho indispensável para que a ação evangelizadora da Igreja aconteça de forma organizada e frutuosa.
Por isso, mais do que criticar ou ridicularizar quem assume estas responsabilidades, somos chamados a reconhecer e agradecer o bem que tantos fazem, muitas vezes de forma discreta e silenciosa. Podemos sempre dialogar sobre a melhor forma de organizar os serviços da Igreja e de exercer determinadas funções. Esse debate é legítimo e pode ser enriquecedor. O que nunca edif**a é desvalorizar ou escarnecer daqueles que procuram servir com dedicação.
Na Igreja, os títulos só têm verdadeiro sentido quando exprimem uma missão. Não são um privilégio nem uma vaidade; são uma responsabilidade. Recordam-nos que alguém foi chamado a colocar os seus dons ao serviço da comunhão, da evangelização e do bem do Povo de Deus.
A todos os que, com humildade e espírito de serviço, aceitam estas responsabilidades, f**a uma palavra de sincero agradecimento. Que o Senhor vos fortaleça na missão que vos confiou. É assim que a Igreja cresce: quando cada um coloca os seus talentos ao serviço dos outros. É assim que caminhamos na fé. É assim que nos santif**amos.
Cónego Marcos Gonçalves Ver menos