14/07/2026
D. Aires de Ornelas - Bispo do Funchal
Túmulo de D. Aires de Ornelas e Vasconcelos, bispo do Funchal
Foi o primeiro Bispo do Funchal nascido na Madeira. É um dos poucos bispos sepultados na igreja da Sé, juntamente com D. Luís de Figueiredo Lemos, D. António Lemos da Silva e D. Francisco Santana. Foi bispo do Funchal apenas durante dois anos e foi transferido como Arcebispo para Goa na Índia.
D. Aires nasceu no Funchal, no dia 18 de setembro de 1837, no seio de uma família aristocrática originária do Minho, mas estabelecida na Madeira desde o século XV, a Casa Ornelas dispunha de um importante património centrado no morgadio do Caniço e de outras propriedades dispersas pela ilha como o palácio dos Ornelas no centro do Funchal, na rua do Bispo. Realizou os seus estudos no Liceu do Funchal, tendo depois partido para Coimbra, a fim de prosseguir os seus estudos, em outubro de 1853. Com 17 anos matriculou-se em Teologia em 1854-1855. Com 22 anos obteve o grau de doutor pela Universidade de Coimbra. De regresso ao Funchal recebeu as ordens de diácono e presbítero das mãos do bispo do Funchal. D. Patrício Xavier de Moura, no ano de 1860. Em 1861 tornou-se cónego da Sé do Funchal. A 30 de abril de 1868 foi eleito deão do cabido da Sé do Funchal e nomeado pelo Bispo como seu Vigário Geral. Era considerado um padre modelo por muitos e por alguns era criticado pelo seu zelo excessivo na forma como exercia os cargos.
No ano de 1869. D. Aires, com apenas 32 anos e na qualidade de deão, acompanhou o bispo D. Patrício ao Concílio Vaticano I. Devido ao contexto vivido na altura em Portugal poucos foram os bispos que participaram no Concílio, apenas 4 bispos. D. Patrício acabaria por abandonar o Concílio por motivos de doença. O cónego Aires de Ornelas manifestou sempre ao longo do Concílio o apoio completo e total ao bispo de Roma, o Papa Pio IX que acabaria por ficar muito bem impressionado com a personalidade do cónego Aires, facto que ajudaria muito na sua futura nomeação para bispo do Funchal. A 6 de março de 1871 foi nomeado como bispo coadjutor com direito a sucessão para a Diocese do Funchal. Foi ordenado bispo por D. Patrício a 7 de maio de 1871 e enviado para o Funchal com autoridade e jurisdição delegada por D. Patrício que permaneceu em Lisboa. Foi com grande alegria, “em apoteose” que foi recebido pela população no dia dia 18 de maio de 1871. Com apenas 35 anos viria a suceder a D. Patrício quando este acabou por falecer, no dia 27 de outubro de 1872.
Dois anos passados como Bispo do Funchal foi nomeado pelo Papa, arcebispo de Goa e Primaz do Oriente. A Diocese do Funchal terá de permanecer sem bispo durante dois anos, até à chegada de um novo bispo. Governou a diocese neste período o cónego Alfredo de Oliveira, fundador do atual Diário de Notícias da Madeira.
Com alguma dificuldade e hesitação acabou por aceitar a nomeação. A 9 de dezembro de 1875, depois de passar por Roma, chegava à Índia num contexto verdadeiramente complicado no Padroado Português com a Propaganda Fidei. A ausência de bispos prolongada gerou grandes problemas e muitos eram os seminaristas que esperaram pela ordenação e fiéis que esperavam pelo crisma e dioceses sufragâneas que esperavam há decadas por um bispo. Esteve mesmo quase a ser nomeado para Cardeal, mas o Estado Português preferiu que fosse nomeado o Cardeal Américo da Diocese do Porto.
Em 1879, por causa de doença, acaba por viajar para Portugal para nunca mais voltar à Índia. Acabou por falecer no dia 28 de novembro de 1880, em Caxias, na casa do seu irmão com apenas 43 anos de idade. Os seus restos mortais foram depois transladados para a Sé do Funchal, para a capela de Santo António, ao lado do jazigo da sua família