Secretariado Nacional do Rosário

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19/09/2026

Ritualidade, Liturgia e Formação do Sujeito: Um lugar de discernimento para o escutismo https://livros.liturgia.pt/hodie/526-ritualidade-liturgia-e-formacao-do-sujeito.html
Autor: Luís Marinho
Formato: 148 x 210mm
Páginas: 136

Num tempo em que os ritos são frequentemente considerados secundários, ultrapassados ou meramente formais, esta obra propõe uma reflexão atual sobre o seu papel decisivo na formação da pessoa. Partindo da experiência educativa do escutismo e em diálogo com a antropologia do rito, os Ritual Studies e a teologia litúrgica, mostra como a ritualidade constitui uma mediação essencial através da qual o ser humano aprende a habitar o tempo, a comunidade e a relação com Deus.

Longe de serem simples práticas herdadas, os ritos configuram a identidade, alimentam a memória, fortalecem o sentido de pertença e educam para uma existência plenamente humana. Nesta perspetiva, a liturgia revela-se o lugar privilegiado onde a ação ritual encontra a sua expressão mais profunda, introduzindo os fiéis no mistério de Cristo e moldando progressivamente a sua vida.

Com uma abordagem interdisciplinar e um sólido enquadramento teológico, este livro oferece um contributo relevante para a compreensão da ritualidade como dimensão constitutiva da experiência humana e cristã. Destina-se a todos os que se interessam pela liturgia, pela educação, pelo escutismo e pelos processos de formação integral da pessoa, mostrando que os ritos continuam a ser uma linguagem indispensável para transmitir a fé, edif**ar a comunidade e dar forma à vida.
Mais informações em: https://livros.liturgia.pt/hodie/526-ritualidade-liturgia-e-formacao-do-sujeito.html

18 de SetembroS. JOÃO MACIAS, religiosoJoão Macias nasceu em Ribera del Fresno, Badajoz, Espanha, em 1585. De família po...
18/09/2026

18 de Setembro

S. JOÃO MACIAS, religioso

João Macias nasceu em Ribera del Fresno, Badajoz, Espanha, em 1585. De família pobre, ficou órfão aos 4 anos e, desde muito pequeno, foi pastor de ofício. Emigrou para a América do Sul, vivendo primeiro na Colômbia e, mais tarde, no Peru, em Lima. Pediu o hábito de irmão cooperador no Convento de Santa Maria Madalena, em 1622, quando contava trinta e três anos de idade. Na sua vida destacou-se pela sua grande pobreza, humildade e caridade. Foi porteiro do convento durante vinte e dois anos e exerceu uma admirável obra de beneficência material e espiritual, com as suas esmolas e o seu rosário. Com os seus conselhos, teve muita influência na cidade de Lima. Foi grande amigo de São Martinho de Porres e também de Santa Rosa de Lima. Como São Martinho, sofreu injúrias e calúnias, por causa da sua caridade heróica para com os pobres. Morreu em Lima, a 15 de Setembro de 1645. Foi beatif**ado por Gregório XVI, em 1813, e canonizado por São Paulo VI, a 28 de Setembro de 1975.

Comum dos Santos (Religiosos).

Ofício de Leitura

SEGUNDA LEITURA

Da homilia do Papa São Paulo VI proferida na canonização de São João Macias
(AAS 67 (1975), p. 573-578)

Testemunho admirável e eloquente de pobreza evangélica

João Macias, que foi pobre e viveu para os pobres, é um testemunho admirável e eloquente de pobreza evangélica: o jovem órfão que, com o seu escasso salário de pastor, ajuda os pobres “seus irmãos” enquanto lhes comunica a sua fé; o emigrante que, seguindo o exemplo do seu protector São João Evangelista, não vai em busca de riquezas, como tantos outros, mas para que se cumpra nele a vontade de Deus; o criado de pousada e o maioral de pastores que empenha secretamente a sua caridade em favor dos necessitados, ao mesmo tempo que ensina a orar; o religioso que faz dos seus votos uma forma eminente de amar a Deus e ao próximo; que “não quer para si senão só Deus”; que da sua portaria combina uma intensíssima vida de oração e penitência, com a assistência e distribuição de alimentos a uma multidão de pobres; que se priva de boa parte do seu próprio alimento para o dar aos famintos, em que a sua fé descobre a presença palpitante de Jesus; numa palavra, a vida toda deste “pai dos pobres, dos órfãos e necessitados”, não será uma demonstração palpável da fecundidade da pobreza evangélica vivida em plenitude?
Quando dizemos que João Macias foi pobre, não se trata de uma pobreza – que nunca poderia ser abençoada por Deus – equivalente à miséria culpada ou inércia inoperante no esforço por conseguir o justo bem-estar, mas daquela pobreza cheia de dignidade que busca o humilde pão terreno como fruto da própria actividade.
Com que exactidão e eficácia se dedicou ao seu dever antes e depois de ser religioso! Os seus patrões e superiores dão disso claro testemunho. Foram sempre as suas mãos que souberam ganhar o próprio pão, o pão para os seus irmãos, o pão para a sua multiplicada caridade. Esse pão, fruto dum esforço socialmente criador e exemplar, que personaliza e redime e nos configura com Cristo, enquanto deixa no íntimo da alma a filial confiança de que o Pai, que alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo, não deixará de dar a seus filhos o necessário: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo”.
Mas, a árdua tarefa de João Macias não distrairá a sua alma do pão celestial. Ele que, desde a sua infância, tinha sido introduzido no mundo íntimo da presença de Deus, foi, no meio da sua actividade, uma alma contemplativa. O campo, a água, as estrelas, os pássaros, falavam-lhe de Deus e faziam-lhe sentir a Sua presença. “Oh! Senhor, que favores e primores me fez Deus naqueles campos, enquanto eu guardava o rebanho!” assim exclamava ele já idoso. E, recordando a sua vida no convento e naquele jardim aonde, com frequência, se retirava para orar de noite, dizia: “Muitas vezes, orando pela noite adiante, chegavam os passarinhos a cantar e eu apostava com eles a ver quem mais louvava a Deus”. Frases de encantadora poesia que deixam entrever as longas horas dedicadas à oração, à devoção à Eucaristia, à recitação do Rosário!
Esta vida interior nunca foi para João Macias uma evasão a fugir aos problemas dos seus irmãos. Antes, partindo da vida religiosa, chegava à vida social. O seu contacto com Deus não só não o fazia alhear-se dos homens, mas antes o abria a eles e às suas necessidades, com renovado empenho e força para assistir-lhes e conduzi-los a uma vida cada vez mais digna, mais elevada, mais humana e cristã. E assim seguia os ensinamentos e desejos da Igreja que, com a sua pobreza evangélica, nunca quis deixá-los no seu estado mas ajudá-los a elevar-se a formas de vida cada vez melhores e mais conformes com a sua dignidade de homens e de filhos de Deus.
Através destes traços parciais, aparece aos nossos olhos a figura maravilhosa e atraente do nosso santo. Uma figura actual, um exemplo brilhante para nós, para a nossa sociedade.
João Macias, na sua vida, soube honrar a pobreza com a busca confiada do pão quotidiano para os pobres e a busca constante do Pão dos pobres, Cristo, que a todos conforta e conduz à meta transcendente. Estupenda mensagem para nós, para o nosso mundo materializado por um consumismo desenfreado e por egoísmos sociais! Exemplo eloquente dessa “unidade interior” que o cristão deve realizar na sua tarefa terrena, imbuindo-a de fé e de caridade.

RESPONSÓRIO

R. Revesti-vos de humildade, uns para com os outros. * Porque Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes.
V. Vinde a Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. * Porque Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes.

Oração como nas Laudes.


Laudes

Ant. Bened. O amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Oração

Deus eterno e omnipotente, que amais os homens e lhes restituis a salvação, e que por amor a Vós, São João Macias fez-se tudo para todos, concedei-nos, por sua intercessão, que vivamos unidos a este mistério da vossa bondade e tudo darmos, até a própria vida, em favor dos nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Vésperas

Ant. Magnif. Será ditoso aquele que se compadece do pobre; o que crê no Senhor deve a amar a misericórdia.

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18/09/2026

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San Juan Macías, el portero santo de Lima.

En su portería del convento de la Magdalena, este fraile extremeño abrió las puertas del Evangelio a todos: pobres, enfermos, esclavos y grandes señores. Con humildad, oración y caridad, fue consuelo para los necesitados y maestro de vida espiritual.

📅 Hoy celebramos su fiesta y recordamos que, como él, también nosotros estamos llamados a abrir las puertas de la fe y de la esperanza.

👉🏼 “En cada pobre veía a Jesucristo”

🔗 https://www.dominicos.org/quienes-somos/grandes-figuras/san-juan-macias/

Entre a cela e o mundo: a vocação dominicanaFrei José Manuel Nunes da Silva, dominicanoHá vocações que nascem como uma c...
18/09/2026

Entre a cela e o mundo: a vocação dominicana
Frei José Manuel Nunes da Silva, dominicano

Há vocações que nascem como uma certeza imediata, quase sem fissuras. Outras, pelo contrário, vão-se tecendo lentamente entre outros desejos, caminhos inesperados e uma história concreta que nem sempre coincide com os próprios planos. A minha pertence a estas últimas: uma vocação marcada pela procura, pela tensão entre diferentes anseios e, sobretudo, pela descoberta de que Deus escreve direito mesmo com os caminhos que nós não acabamos de compreender. Nasci perto do Porto, há 34 anos.
Nas Meditações do Quixote, escrevia José Ortega y Gasset: «Eu sou eu e a minha circunstância...». É uma frase muito conhecida, mas incompleta; falta-lhe algo que a justif**a e salva: «...e se não a salvo a ela, não me salvo a mim». Agora sim: «Eu sou eu e a minha circunstância, e se não a salvo a ela não me salvo a mim». Poucas frases descrevem melhor o mistério de uma vocação. Porque o chamamento de Deus não acontece no vazio, mas numa história concreta, numa teia de desejos, decisões, encontros e, também, de caminhos que nem sempre escolhemos de todo. Se olho para trás, reconheço em mim, desde muito cedo, um desejo profundo de ser monge. Atraíam-me o silêncio, a vida retirada, a radicalidade de quem deixa tudo para procurar Deus no escondimento. Havia nesse desejo algo de autêntico, uma sede de absoluto, uma intuição de que só n’Ele poderia encontrar unidade para a minha vida.
No entanto, as minhas circunstâncias levaram-me por outro caminho. Fui enviado pelo sacerdote da minha terra para o seminário. E aí começou um processo diferente, nem sempre totalmente compreendido. Porque o seminário me introduzia numa forma de vida mais aberta, mais diretamente orientada para o ministério, para a relação com os outros. Não era exatamente aquele ideal monástico que eu tinha imaginado. E, contudo, algo em mim continuava a procurar esse espaço de profundidade, silêncio e interioridade.
Durante algum tempo vivi essa tensão como uma espécie de desajustamento interior: entre o desejo de uma vida mais contemplativa e radical e a realidade de uma formação orientada para a ação pastoral. Mas, com o passar dos anos, fui compreendendo que essa tensão não era um erro, mas uma pista.
Foi na Ordem dos Pregadores que encontrei, de algum modo, a síntese que o meu coração procurava sem saber exprimi-la. Aí descobri que não tinha de escolher entre ser contemplativo ou apóstolo, entre o silêncio e a palavra, entre a cela e a missão. A vocação dominicana oferecia-me um espaço onde ambas as dimensões não só podiam conviver, como estavam chamadas a fecundar-se mutuamente.
A tradição dominicana exprime-o com uma fórmula que atravessou os séculos: contemplata aliis tradere. Transmitir aos outros aquilo que foi contemplado. Não é um equilíbrio superficial entre duas atividades, mas uma unidade profunda: a pregação nasce da contemplação e conduz novamente a ela.
Assim, aquele desejo inicial de ser monge não desapareceu; foi purif**ado e transformado. Compreendi que a contemplação não está necessariamente ligada à clausura, mas à qualidade da relação com Deus. E que se pode ser profundamente contemplativo no meio do estudo, da oração, da comunidade, da pregação, das pessoas concretas que Deus coloca no caminho.
Hoje sei que a minha vocação se joga precisamente nesse «entre»: entre o silêncio e a palavra. Esse «entre», fundamental na filosofia de Martin Buber e que tão bem expõe no seu livro Que é o homem. A contemplação, para mim, não é evasão, mas raiz. É o lugar onde a realidade entra sem filtros, onde os rostos, as feridas e as esperanças do mundo se apresentam diante de Deus. É também o espaço onde a minha própria fragilidade f**a exposta, onde aprendo — não sem dificuldade — a deixar-me sustentar.
Mas essa contemplação exige sair de si próprio. A pregação não é um acrescento, nem uma obrigação externa: é a forma que a contemplação assume para não se fechar. Pregar é partilhar uma Palavra que primeiro me tocou, que me questionou, que me feriu até. E fazê-lo a partir da consciência de que não sou dono dessa Palavra, mas um humilde servidor.
Contudo, pouco a pouco vou compreendendo que a vocação não consiste em resolver definitivamente estas tensões, mas em habitá-las. Em deixar que Deus atue precisamente aí, nesse espaço onde nem tudo está fechado nem controlado.
Ser dominicano é, no fundo, aceitar que a minha vida não é linear, que é feita de procura, de desejo, de uma história concreta — de «eu e a minha circunstância» — e que Deus não anula nada disso, mas assume-o e transforma-o.
Entre o desejo de ser monge e a realidade da pregação, descobri um caminho mais amplo: uma forma de vida onde o silêncio se faz palavra e a palavra remete para o silêncio. Onde a contemplação não se guarda, mas se entrega. Onde a missão não nasce da obrigação, mas de uma sobreabundância interior.
E assim, dia após dia, procuro viver fiel a esse chamamento: com um pé na cela e outro no mundo, com o coração voltado para Deus e as mãos abertas aos outros. Sem perfeição, mas com disponibilidade. Porque, no fim, a única coisa necessária é deixar que aquilo que foi verdadeiramente contemplado se converta, humildemente, em dom.
Fernando Pessoa
Dizem que finjo ou minto
em tudo quanto escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
o que me falta ou finda,
é como um terraço
que dá para outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
do que não está de pé,
livre do meu enleio,
sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

dia 18 de SetembroS. João Macias, religioso(1585­‑1645)Memória obrigatóriaJoão Macias nasceu em Ribera del Fresno, Badaj...
17/09/2026

dia 18 de Setembro

S. João Macias, religioso

(1585­‑1645)

Memória obrigatória

João Macias nasceu em Ribera del Fresno, Badajoz, Espanha, em 1585. De família pobre, ficou órfão aos 4 anos e, desde muito pequeno, foi pastor, de ofício. Emigrou para a América do Sul, vivendo primeiro na Colômbia e, mais tarde, no Peru, em Lima. Pediu o hábito de irmão cooperador no Convento de Santa Maria Madalena, em 1622, quando contava trinta e três anos. Na sua vida destacou­‑se pela sua grande pobreza, humildade e caridade. Foi porteiro do convento durante vinte e dois anos e exerceu uma admirável obra de beneficência material e espiritual, com as suas esmolas e o seu rosário. Com os seus conselhos, teve muita influência na cidade de Lima. Foi grande amigo de São Martinho de Porres e também de Santa Rosa de Lima. Como São Martinho, sofreu injúrias e calúnias, por causa da sua caridade heróica para com os pobres. Morreu em Lima, a 15 de Setembro de 1645. Foi beatif**ado por Gregório XVI, em 1813, e canonizado por Paulo VI, a 28 de Setembro de 1975.

Elogio

Em Lima, Peru, São João Macias que, aceitando docilmente a vontade de Deus, deixou a Espanha e se fez religioso da Ordem dos Pregadores, foi para todos uma porta de misericórdia e de piedade e um homem de grande penitência.

Oração

Deus eterno e omnipotente, que amais os homens e lhes restituis a salvação, que por amor a Vós São João Macias se fez tudo para todos, concedei­‑nos por sua intercessão, que vivamos unidos a este mistério da vossa bondade e tudo demos, até a própria vida, em favor dos nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

17/09/2026
14/09/2026
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIVPOR OCASIÃO DO 112º DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO(27 de setembro de 2026)____...
14/09/2026

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
POR OCASIÃO DO 112º DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO

(27 de setembro de 2026)

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Mesmo uma só destas crianças (cf. Mt 18, 10)


Queridos irmãos e irmãs!

Ano após ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado convida-nos a dirigir o nosso olhar para diferentes aspectos do complexo fenómeno migratório. Para este 112º Dia, o tema «Mesmo um só destes pequeninos» chama a nossa atenção para os menores diretamente envolvidos na experiência da migração e da fuga, para a solicitude com eles e para a promessa do Senhor: «quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe» (Mc 9, 37).

Menores deslocados: uma realidade complexa de vulnerabilidade

Os menores são os mais vulneráveis no seio dos fluxos migratórios mundiais. São rostos concretos, histórias únicas, que apelam à nossa consciência. Todos os anos, milhões de crianças e adolescentes são obrigados a abandonar a sua terra devido a guerras, pobreza, violência, catástrofes ambientais e outras tragédias; e, infelizmente, este número continua a aumentar. As responsabilidades económicas, políticas e militares por este desastre são imensas. O sofrimento não se esgota na simples deslocação: há jovens que perderam pais, irmãos, irmãs e amigos e são testemunhas de violências indescritíveis. Outros, separados durante longos períodos dos seus familiares, tentam reunir-se com eles, vivendo, entretanto, a angústia do afastamento. Há ainda menores que enfrentam a viagem juntamente com os pais, expostos a condições extremas e traumáticas. Por fim, não podemos esquecer a situação trágica daqueles que são separados dos pais devido ao repatriamento.

A este cenário, em si já dramático, somam-se outras tragédias: as mortes ao longo das rotas migratórias, o tráfico e a exploração, o recrutamento de menores para o emprego em conflitos armados, a violência sexual, os casamentos forçados e as atrocidades sofridas ou testemunhadas durante a viagem. A sua dignidade é espezinhada de demasiadas formas.

O Papa Francisco, na Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2017, dedicada ao tema «Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz», recordou que as crianças «são três vezes mais vulneráveis – porque de menor idade, porque estrangeiras e porque indefesas – quando, por vários motivos, são forçadas a viver longe da sua terra natal e separadas do carinho familiar».

No entanto, no meio de tanta escuridão, não falta a luz da solidariedade: pessoas, famílias, instituições civis e comunidades eclesiais optam por não virar as costas (cf. Lc 10, 29-37). Pensemos nas famílias que abrem as portas das suas casas para devolver o calor de um lar a estas crianças, nos educadores das comunidades de acolhimento, nos voluntários e nos profissionais que, todos os dias, ao longo das rotas e nas nossas cidades, se dedicam a cuidar das feridas invisíveis destes pequenos. Com o seu empenho, testemunham que o amor pode vencer a indiferença.

Mesmo um só destes pequeninos

Perante esta realidade dramática, penso numa palavra de Jesus que interpela profundamente a consciência de cada um: «Quem receber um menino como este, em meu nome, é a mim que recebe» (Mt 18, 5). Não se trata de números ou estatísticas. O Evangelho convida-nos a não fazer cálculos: mesmo um só. Cada criança, cada ser humano possui uma dignidade infinita. É imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), é presença do Senhor. Perante cada menor migrante, somos chamados a realizar um ato de humanidade e de fé: na criança, com efeito, podemos acolher e encontrar o Senhor. Este apelo torna-se ainda mais premente à luz da outra afirmação do Senhor no Evangelho de Mateus: «Era estrangeiro e acolhestes-me» (Mt 25, 35).

Infelizmente, os menores migrantes são mais facilmente reduzidos à invisibilidade por não terem adultos que os protejam e apoiem. É necessário intervir nos países de origem para eliminar as eventuais causas que os obrigam a fugir, além de oferecer proteção e acolhimento nos países de trânsito e de chegada. O clamor dos menores deslocados eleva-se hoje a Deus, tal como aquele que foi escutado no livro do Êxodo: «Vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar» (Êx 3, 7-8). Deus escuta e, para libertar, interpela com força a consciência e a ação de cada um de nós, tal como fez com Moisés. Não podemos permanecer indiferentes, nem habituar-nos a tanto sofrimento.

Um apelo à responsabilidade de todos

Na nossa vida pessoal, mesmo um só destes pequeninos chama-nos a abrir os olhos e o coração para uma escuta profunda da sua história, dos receios e dos sonhos de cada um deles, superando aquele distanciamento que reduz o ser humano a um dado estatístico que não nos envolve diretamente. É um convite a reconhecer a criança na sua dignidade, antes mesmo da sua condição de “migrante”, e a proteger os seus direitos fundamentais: à vida, à educação, a um nível de existência que lhe permita crescer e desenvolver-se plenamente do ponto de vista físico, mental, espiritual, moral e social.

Na vida eclesial, mesmo um só destes pequeninos chama-nos a fazer do acolhimento não um conceito abstrato, mas uma prática pastoral constante. Não podemos limitar-nos a delegar esta tarefa a instituições ou associações dotadas de um carisma específico: perante os rostos concretos que nos interpelam no quotidiano, toda a comunidade cristã é chamada a considerá-los seus filhos e a aproximar-se da história concreta de cada um. É necessário encorajar as comunidades cristãs à integração e à valorização dos refugiados e migrantes como membros de pleno direito da família eclesial, promovendo novos percursos educativos e espirituais, inclusive personalizados, que ultrapassem a lógica do mero assistencialismo. Em particular, é fundamental prevenir a solidão, o isolamento e a rejeição, que não raro afetam também os filhos dos migrantes, e promover dinâmicas de encontro e integração nas quais os jovens locais e os jovens migrantes possam fortalecer-se mutuamente, num percurso de respeito mútuo, solidariedade e amizade.

No contexto das diferentes religiões, mesmo um só destes pequeninos recorda-nos que a vulnerabilidade dos menores não conhece fronteiras confessionais e une-nos numa responsabilidade humanitária e espiritual partilhada. Esta responsabilidade torna-se um terreno fértil para um diálogo inter-religioso concreto, onde os fiéis, inspirando-se no próprio sentido de transcendência, cooperem na construção de redes de proteção. As comunidades de fé são chamadas a construir espaços onde cada menina e cada menino sejam respeitados e valorizados nas respectivas identidades culturais, prevenindo o risco de radicalização por parte de grupos extremistas. Em última instância, proteger um menor signif**a salvaguardar a marca divina nele impressa.

Mesmo um só destes pequeninos, no contexto das instituições civis, chama-nos a reafirmar o princípio do interesse superior do menor. As instituições públicas e privadas são obrigadas a dar centralidade à proteção e à dignidade de cada criança e adolescente. Isto implica a adoção de instrumentos jurídicos ef**azes de proteção, promovendo o reagrupamento familiar e evitando os traumas da separação. Urge uma mudança de perspectiva: é necessário deslocar o eixo do debate da mera gestão dos fluxos para a tutela plena e imediata dos direitos humanos, adotando «uma resposta coordenada, solidária e ef**az, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração a quem emigra» (Discurso aos membros do Parlamento espanhol, Madrid, 8 de junho de 2026).

Confiemos os menores migrantes e refugiados à proteção maternal da Santíssima Virgem Maria, que, juntamente com São José e com Jesus ainda criança, conheceu a feroz violência de Herodes e o drama do exílio no Egito (cf. Mt 2, 13-15); que seja Ela a acompanhar os seus passos e a ajudar as nossas comunidades a tornarem-se sinais vivos e fidedignos do Evangelho.

Vaticano, 11 de agosto de 2026, memória de Santa Clara de Assis.


LEÃO PP. XIV



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09/09/2026

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