Essa capelinha foi destruída por uma enchente do rio e a imagem de Santa Marinha levada pela corrente, vindo a ser apanhada em Crestuma por qualquer devoto atento, que a recolheu na igreja da freguesia. Pensaram, tornaram a pensar e decidiram reaver a imagem. E, uma vez, pela calada da noite, os sandinenses foram à igreja de Crestuma e retiraram a imagem, conduzindo-a para a sua freguesia. Assim,
parecia que estava tudo reparado e, os de Sandim, ficaram convencidos de que valeu a pena correr os riscos da empresa noturna. Entretanto, sucedeu que — por uma espécie de milagre — a imagem voltou a aparecer na igreja de Crestuma, no altar onde fora entronizada. Os de Sandim, redobrando em brios, encontraram forma de repetir a proeza de roubar mais vezes a imagem, iludindo a vigilância dos crestumenses e levando-a para o seu território. Mas, tal propósito, foi sempre realizado sem êxito. Não era preciso que os de Crestuma tomassem qualquer iniciativa pois a imagem, de todas as vezes, ausentava-se como por encanto do lugar onde era depositada e aparecia na igreja crestumense, fazendo malograr as diligências dos de Sandim. Daí resultou que os sandinenses acabaram por desistir dos seus intentos, conformando-se, enquanto que os de Crestuma tomaram Santa Marinha como padroeira da sua freguesia, em gratidão do apego que ela revelou por aquela terra.