02/08/2026
__Deus vai de férias connosco.
Há uma ilusão que se repete todos os verões. Acreditamos que as férias são uma pausa na vida. Fechamos o computador, desligamos o telefone, saímos da cidade e dizemos: “Agora sim, vou viver.”
Mas a verdade é outra. As férias não são um intervalo da vida. São a própria vida. Talvez até sejam a vida na sua forma mais pura, quando voltamos a ter tempo para olhar, para escutar, para contemplar e para estar.
Há, no entanto, uma pergunta que vale a pena fazer. Quando fazemos as malas, levamos Deus connosco? Ou deixamo-Lo arrumado na rotina que ficou para trás? Durante o ano pedimos-Lhe ajuda para o trabalho, para as preocupações, para as doenças, para as decisões difíceis. Mas quando chega o descanso, quantas vezes nos esquecemos de que Ele continua a querer caminhar ao nosso lado?
Os Evangelhos mostram-nos um Jesus que conhecia profundamente o valor do repouso. Muitas vezes afastava-Se da multidão. Procurava o silêncio da montanha. Entrava num barco. Sentava-Se à mesa. Caminhava devagar. Não fugia da missão; apenas sabia que um coração cansado deixa de ouvir a voz do Pai. O descanso nunca foi ausência de Deus. Era precisamente o lugar onde Deus falava mais claramente.
Talvez seja por isso que tantas pessoas dizem encontrar Deus junto ao mar, numa caminhada ao nascer do sol, numa conversa longa à mesa, no riso dos filhos, no abraço de um amigo ou no silêncio de uma noite cheia de estrelas. Não porque Deus esteja mais presente nesses lugares, mas porque, finalmente, nós estamos menos distraídos.
As férias devolvem-nos também uma grande lição de humildade. Descobrimos que o mundo continua sem a nossa intervenção. Os e-mails esperam. Os negócios continuam. Os mercados abrem. A vida segue. E, sem darmos conta, percebemos que nunca fomos nós a sustentar o mundo. Esse lugar pertence apenas a Deus. E isso não nos deve inquietar; deve libertar-nos.
Talvez o maior presente que possamos oferecer a Deus neste verão não seja rezar mais, mas estar mais presentes. Estar verdadeiramente com quem amamos. Comer sem pressa. Escutar sem interromper. Agradecer antes de dormir. Contemplar sem fotografar tudo. Porque quem aprende a contemplar começa, pouco a pouco, a olhar o mundo com os olhos de Deus.
Quando regressarmos, o calendário voltará a encher-se. As responsabilidades estarão à nossa espera. Haverá novos desafios, novas preocupações e novos combates. Mas seria bonito que regressássemos diferentes. Não apenas mais descansados, mas mais pacificados. Porque as melhores férias não são aquelas em que conseguimos fugir do mundo. São aquelas em que descobrimos, uma vez mais, que nunca caminhámos sozinhos.
Deus não tira férias. E talvez essa seja uma das notícias mais bonitas do verão. Enquanto nós procuramos um lugar para descansar, Ele continua à nossa espera, sentado ao nosso lado, numa esplanada qualquer da vida, disposto a fazer o que sempre fez: caminhar connosco.
Partilha. Jesus é Alegria. 🌹
Luís Valente
Julho 28 de 2026