10/04/2020
Perante o que tem sido transmitido nas redes sociais, a Comunidade de Santa Justa expressa aqui publicamente que não se revê no que se tem passado durante o período de confinamento, que afeta presentemente a vida de nós todos, na igreja de Santa Justa.
As ordens do Governo e da Conferência Episcopal Portuguesa são claras: mantermo-nos em casa (ainda que com dor no peito por não poderemos frequentar a igreja e participar nas suas celebrações durante esta Quaresma e esta Páscoa).
A Comunidade de Santa Justa vê desvirtuado o espaço que vive como Casa e sente-se ferida por ver uma apropriação que considera inconveniente dadas todas as circunstâncias em que ocorre.
A Comunidade de Santa Justa não autorizou, de nenhuma maneira, que fosse feita qualquer alteração na sua igreja, nomeadamente que fosse mexido e movido de lugar o Altar Mor. Não autorizou que fosse mexido e deslocado o Santo Crucifixo da sua Capela (Crucifixo conhecido pelo Cristo dos Oleiros, que segundo a tradição oral, é a única peça da antiga igreja de Santa Justa, no Terreiro da Erva). A Comunidade de Santa Justa não autorizou a cobertura das imagens do Padre Eterno, de Santa Justa e de Santa Rufina com panos roxos, como num estendal de feira, ao arrepio da prática Católica Apostólica Romana pós Concílio Vaticano II e da tradição da Igreja portuguesa nos últimos 50 anos.
A Comunidade de Santa Justa vê todas estas ações como uma devassa do seu templo, da sua casa, e uma ofensa à sua prática e ao espírito próprio desta comunidade, sobretudo um espírito franciscano herdado e que se procura manter.
Assim sendo, reafirma-se, que a Comunidade de Santa Justa não se identifica com os actos praticados durante este confinamento.
Se calhar esta foi a cruz da nossa Quaresma.
Que a Páscoa do Senhor chegue ao coração e à vida de todos nós.