07/08/2025
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Na Brasileira de Braga – Três padres e uma conversa sobre a oração
Padre Artur (olhando pela janela com calma):
— Sabem... a oração tem uma péssima reputação entre nós. Parece coisa inútil, um hábito velho. Mas, sem oração, andamos ao serviço de Deus... sem Deus.
Padre Lino (com um sorriso irónico):
— Pois, hoje “rezar” soa quase a perda de tempo. Como se fosse um luxo. Mas quem não reza acaba a servir por obrigação. E a fé, sem respiração, asfixia.
Padre Cruz (sereno):
— O pior é que muitos confundem oração com recitar fórmulas. A murmurar palavras enquanto pensam noutra coisa. Como se Deus precisasse de ser convencido.
Padre Artur (mexendo o café):
— A oração não é convencer Deus. É deixar que Ele nos convença. Que nos transforme. Mesmo sem palavras, só estar diante d’Ele já muda tudo.
Padre Lino (encostando-se na cadeira):
— Rezar é voltar a ser inteiro. Pôr ali tudo: o cansaço, o silêncio, a raiva, a gratidão. Sem pose. Sem máscara.
Padre Cruz (com leve firmeza):
— Sim. A oração precisa de nós como somos — não como achamos que devíamos ser. E precisa de tempo. Cinco minutos, dez, mas inteiros. Com o coração presente.
Padre Artur (mais calmo):
— E quando começamos a rezar assim... percebemos que a oração não muda Deus. Muda-nos a nós. Purifica-nos o olhar. Dá-nos paz. E devolve-nos ao mundo com outro espírito.
Padre Lino (meio a sorrir, meio sério):
— No fundo, é isso: rezar é lembrar quem somos e a quem pertencemos. Mesmo quando tudo à volta está barulhento, Deus fala no silêncio.
Padre Cruz (baixando um pouco a voz):
— E no meio da correria, da pastoral, dos problemas todos… às vezes bastava parar, calar tudo, e dizer só: “Pai… estou aqui”.
(Há um momento de silêncio. Apenas se ouve o som do café a pingar na máquina.)
Padre Artur (com um leve sorriso):
— Talvez seja esse o começo de toda a cura: deixar Deus encontrar-nos… e deixarmo-nos amar.