11/04/2026
OITAVA DA PÁSCOA
Continuamos a celebrar o Domingo de Páscoa, solenidade maior que não pode conter-se num único dia, mas se prolonga por 50 dias, e, de modo intenso, durante 8 dias, a Oitava da Páscoa, que estamos a viver. Nesta semana, a Oitava, vivemos não 8 dias distintos, mas um único dia prolongado por 8 dias - o Dia da Ressurreição, o Dia que o Senhor fez, para exultarmos a cantarmos de alegria.
Nestes dias, a Liturgia da Palavra apresenta-nos, sempre, episódios em que Jesus ressuscitado aparece aos discípulos ou a Maria Madalena.
Vamos, dia a dia, percorrer, de forma sucinta, o que a Palavra de Deus nos foi dizendo ao longo destes dias mencionados no título, uma vez que não publicámos nestes dias.
QUARTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA:
Como a Palavra de Deus é dirigida a ti, diretamente, lê/escuta, primeiro, o Evangelho de Quarta-feira desta Oitava da Páscoa:
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que f**ava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucif**ado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-n’O a f**ar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
Palavra da salvação.
Agora que leste, o que te diz esta Palavra?
Este episódio acontece na tarde do dia da Ressurreição. Dois discípulos de Jesus iam a caminho de uma povoação de nome Emaús.
Jesus põe-se com eles a caminho.
O que ressalta deste episódio?
Entre outros aspetos que poderias meditar, parece oportuno destacar a atitude dos dois discípulos após o encontro com o Senhor ressuscitado, depois de saberem que era Ele que caminhara com eles e lhes explicara o sentido das Escrituras e lhes partira o pão, à mesa.
“Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.”
Partiram imediatamente.
Foram, à pressa, ter com os Onze (já não Doze, pois Judas tinha-se enforcado).
E porque foram?
O que te ocorre?
A resposta é dada, de forma absolutamente maravilhosa imediatamente antes.
Ei-la:
“Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras”
Não ardia cá dentro o coração?
Não ardia?
Não sentia o queimor?
Não sentia este fogo?
Não havia algo a mexer cá dentro?
Que movimento interior!
E a ti?
Jesus faz-te arder o coração?
Não só quando te explica as Escrituras e te reparte o Pão da Vida, que é Ele mesmo, mas, simplesmente, quando estás com Ele na oração?
É bom que O sintas, sintas a Sua presença viva na Escritura e no Seu Corpo, mas, e na oração?
Como experimentas encontro?
Encontro com Aquele que te ama e se põe contigo a caminho?
Arde-te o coração?
O que te faz arder o coração?
Ele ateia-te esse fogo que jamais se extingue?
Pensa nisto.
QUINTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA:
O episódio evangélico desta Quinta-feira desta Oitava festiva é a continuação do episódio anterior.
Ora vê:
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».
Palavra da salvação.
“A paz esteja convosco.”
Esta é a primeira e grande saudação de Jesus ressuscitado.
“A paz esteja convosco.”
A paz que Ele mesmo deixara aos Apóstolos antes da Sua Paixão é, agora, a paz do Ressuscitado.
É a paz da Ressurreição.
Experimenta esta paz.
Faz a experiência da paz que brota, que jorra do coração do Senhor da Vida, do Senhor que inaugura o Reino de Verdade e de Vida, de Santidade e de Graça, de Justiça, de Amor e de Paz.
Inspira a paz que Jesus ressuscitado te oferece, te quer oferecer.
É Ele mesmo!
Deixa-O entrar na tua vida e dar-lhe a paz de que ela precisa.
Aquela paz que, ao inspirares, preenche o mais profundo do teu ser.
SEXTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA:
O Evangelho de Sexta-feira, de novo segundo São João, apresenta-te a terceira aparição de Jesus depois de ter ressuscitado.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, Jesus manifestou-Se novamente aos discípulos junto ao Mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia. Também estavam presentes os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes então Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. Então o discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam distantes apenas uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Logo que saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes. E, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?»: bem sabiam que era o Senhor. Então Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Palavra da salvação.
“Bem sabiam que era o Senhor”, diz João na narração deste episódio, no qual ele mesmo toma parte, intitulando-se a si mesmo como o “discípulo predileto”, como é hábito no Evangelho que ele próprio escreveu.
“Bem sabiam que era o Senhor.”
Jesus aparece junto ao Mar de Tiberíades, onde alguns Apóstolos estavam a pescar.
Ninguém se atrevia a perguntar quem era Aquele que aparecera.
Reconheces Jesus?
Reconheces a Sua presença?
Reconhece-l’O quando Ele se manifesta na tua vida?
Estás distraído e não dás por nada?
Não O sentes próximo?
Ou, ao contrário, bem sabes que é o Senhor, não te atrevendo, sequer, a perguntar-Lhe se é Ele. Não por falta de ousadia para questioná-l’O, mas por confiança, por abandono total n’Ele.
Vale a pena pensares nisto.
SÁBADO DA OITAVA DA PÁSCOA:
Chegamos ao penúltimo dia desta Oitava festiva.
A Liturgia apresenta-te a Ressurreição segundo São Marcos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Jesus ressuscitou na manhã do primeiro dia da semana e apareceu em primeiro lugar a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios. Ela foi anunciar aos que tinham andado com Ele e estavam mergulhados em tristeza e pranto. Eles, porém, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram. Depois disto, manifestou-Se com aspecto diferente a dois deles que iam a caminho do campo. E eles correram a anunciar aos outros, mas também não lhes deram crédito. Mais tarde apareceu aos Onze, quando eles estavam sentados à mesa, e censurou-os pela sua incredulidade e dureza de coração, porque não acreditaram naqueles que O tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: «Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura».
Palavra da salvação.
Os discípulos não deram crédito ao testemunho de Maria Madalena, nem dos discípulos de Emaús.
Esta é uma ocasião para te perguntares se dás crédito a quem tem a missão de anunciar Jesus ressuscitado.
Desde já, os teus irmãos na fé, e, depois, aqueles que, pela imposição das mãos, têm uma especial missão de pregar Jesus ressuscitado e de anunciá-l’O a todo o mundo.
Mas, “todo o mundo” soa muito vago.
Fixa-te nós cristãos que, pelo Batismo, são configurados na Morte e Ressurreição de Jesus e têm, por isso, a missão primeira, primordial de anunciar Jesus Cristo e Jesus Cristo ressuscitado.
Confias neles?
E tu?
Como é o testemunho que dás da Ressurreição?
Empenhas-te em viver segundo o modelo de vida proposto por este Jesus vitorioso?
Que estas questões de incomodem e te façam dar uma resposta.
Uma resposta.
Não a ti.
Não aos outros.
Mas a Jesus.
Vive e anuncia a vida nova que Jesus ressuscitado te oferece.
Cristo ressuscitou! Aleluia, aleluia!